sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

De como tia Cida subiu aos céus

                                                                                     
          Cida faleceu. E Carminha enterra mais uma irmã. Carminha tem 85 anos e uma vivacidade de dar inveja, dizem as más línguas. Já enterrou quatro irmãos e anda por aí viajando o mundo.
            Há um ano e meio Cida começou sua caminhada para o fim. Interna desinterna, foi uma rotina doída, e sofrida para ela e para os que acompanharam o processo.
          Já no final tinha perdido os cabelos para o Cancer, o que desapontou demais Carminha por ser muito vaidosa. Carminha não se conformava. Já cansada foi tirada da rotina hospitalar e Zé e Tereza tomaram todas as providencias para que Cida " descansasse em paz". Não gosto desta frase, mas concordo que a morte deve trazer uma paz infinita.
               Entre idas e vindas do hospoital para o ap de Cida, entre Home Care e o abandono de noites sózinha Cida foi chegando ao fim , e , infelizmente sofrendo demais.
                 Mas a preocupação da Carminha era com a peruca. Afinal.....
               Ela tinha recomendado ene vezes que não se esquecessem de levar uma de suas perucas (da Cida ) para ela partir bonita, ou......com a aparencia menos caótica.
           Sabe como é... se em festa a gente sempre deixa passar alguma coisa que diremos num funeral. Pressão demais. Transito pesado impedindo que o corpo chegasse no cemitério na hora recomendada e outras dificuldades. Zé esqueceu a peruca. Aflito imaginou Carminha tendo um choque ao ver Cida no caixão careca, pediu aos homens que pusessem flores em torno do rosto e, ao observar que o caixão tinha umas rendinhas caprichadas , puxou uma das rendinhas e conseguiu colocar uma franjinha de renda que mais parecia aqueles véus de Maria que a gente usava para entrar na igreja quando eu era pequena. CARA... EU TO VELHA!!!!!
           Assim foi que Zé se sentiu melhor em relação à falha tecnica e enfrentou Carminha com um sentimento de " missão cumprida".
           Todos dizem que Carminha fala demais o que pensa. Eu sempre pensei que ela pensa alto. Sabe quando a gente pensa e o pensamento sai pela boca?
Coisa de sagitariano?
Pois é!!!
Ao chegar no cemitério se dirigiu ao caixão para prestar suas ultimas preces à irmã e vazou de seus pensamentos a seguinte expressão de espanto.... "Horrorosa !"  Caiu em si, mas já era tarde.
          Um mes e meio após o funeral Zé nos conta a façanha em casa de Bia e a gente ri muito. Afinal...
          Contando  ainda sobre a missa de sétimo dia o coitado termina dizendo o seguinte:
É por isso que eu quero ser cremado. Por favor não tenham pena. Taquem fogo e que eu esteja envolto na bandeira do Fluminense, é claro!

           Assim seja!!! 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O peso nosso de cada dia

               Recebo um e mail falando da necessidade que se tem hoje em dia de ter tudo do melhor. Bom não basta, diz o mesmo. Tem de ser do melhor. A melhor festa, a melhor lembrancinha, a melhor roupa, o melhor sapato e por aí seguimos ansiosos, aflitos, cheios de culpa e.... infelizes porque tudo passa muito rápido e não dá tempo de assimilar, de curtir e de se encantar mesmo.
                Este ano decidi que o meu próximo carro não será zero km e sim o carro que minha filha tem. Não é o mesmo modelo, não. É o dela mesmo.
É mais novo que o meu um ano mas muito melhor. Se eu fosse comprar um carro zero teria que ser mais simples e quero o conforto que o dela me oferece. Bancos altos, ar refrigerado de verdade e direção leve. Pois bem.... estou tão leve desde o dia em que decidi isso. Primeiro porque será ela que decidirá quando eu terei meu carro novo, abro mão do meu controle de tudo. Segundo porque sei que a prestação não me deixará preocupada. Simples assim.
                 Penso que até pouco tempo era fácil fazer uma festa de aniversário, casar, trocar de carro, comprar uma bolsa. Parece que hoje em dia a busca pelo melhor se torna um ,peso na nossa rotina. Não posso mais convidar um casal para almoçar na minha casa e servir um marron glace da cica de sobremesa. Preciso surpreender. Uma pena! Que saudade da velha maionese com um lombinho e farofa. Cafona, batido e banido das mesas de domingo. Ponto final. Futebol clube. com.br
                 Nos finais de semana o cafezinho tem que ser o da  Nespresso enquanto que o cafézinho coado no saco de pano e adoçado com açucar nos deixe feliz do mesmo modo. Modernidade. 
                 Criança hoje tem que estar limpa e com os cabelos lavados com o melhor dos xampus e calçando um calçado de qualquer marca famosa, de preferencia.
                 É bom demais a gente ver que a vida caminhou e conseguimos sair do sabonete vale quanto pesa para o sabonete do boticário ou da  L´occitane. Mas se eu estiver com problemas sérios o sabonete não vai fazer a menor diferença na minha vida.
                 Luxo é ser dono do seu tempo, dizia eu para minha amiga outro dia. Mais luxo ainda é ser dono de nossas proprias decisões. Não precisamos que pensem por nós.
                 Semana retrasada chamei um cortineiro e ouvi dele que o chale que tenho na sala já era. Uma pena disse eu, pois ele vai continuar aí. Eu gosto. Eu decoro minha casa. Sem essa de tendencia.
Tendencia no corte de cabelo, na decoração, nas festas, nas roupas. Um pouquinho mais e teremos todos uma tendencia suicida para aguentarmos tantos ditames.
                   Que  nossa rotina seja mais como a das crianças. Leve. Se bem que ,agora que se aproxima o dia das crianças melhor seria  afastasemos as mesmas da tv ou elas ficarão pesadas com tanta imposição de brinquedos na telinha. 
                  Abaixo os eu preciso. Salve a paz de espirito que vem de levarmos a vida com mais leveza.
                  Amémmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
         

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A caixinha de lápis de cor



                     Numa escrivaninha antiga no cantinho do quarto de umas crianças vivia uma caixinha de lápis de cor que tinha um nome estrangeiro e imponente. Se não me engano John..... qualquer coisa.
Porém mais importante do que o nome da caixinha era a atitude de cada um dos lápizinhos que ali viviam.
               O lápis branco, por exemplo era Zen e parecia combinar bem com todos os outros coleguinhas de moradia. Já o amarelo parecia  se desesperar por pouco. Era uma pontinha quebrar e ele já se apavorava. 
                O azul era intenso e cálido, de personalidade calma e relaxante. Já o verde era cheio de fé na vida. Tinha esperança, diziam os que o observavam.
                O vermelho era forte e desperto. Quando os outros estavam triste caminhavam lado a lado com ele e o astral melhorava muiiiiiiiiiiiiiiiito.
                 O Preto era fechado, mas não fazia mal a ninguém.
 Mas o marron? Este era tristonho e casmurro como uma pessoa velhinha que não tivesse tido sorte na vida.
                O roxo era muito religioso e cheio de certezas e quando se misturava ao branco varios tons de lilázes aconteciam.
                  O amarelo, o azul e o verde, quando juntos, formavam a bandeira brasileira.
Já o branco com o vermelho formavam a bandeira do Canadá, um país láaaaaa longe mas muito avançado.
Mas quando o branco, o azul e o vermelho juntavam se eram várias bandeiras que eles podiam formar.
Todos gostavam de gente, mas principalmente da companhia das crianças que pegavam neles com força e mandavam ver, fazendo tantas vezes pontas que eles ficavam com cara de jovenzinhos recém apontados.
                 Assim como as pessoa uns se davam melhor com alguns enquanto outros com todos de uma só vez.
Tinha vezes que o amarelo que não ia muito com o jeito do roxo dava uma trégua e saia algo vanguardista e de bom gosto
Claro que haviam caixas maiores do mesmo modo que existem casas grandes para fammilias maiores. Assim nasceram o rosa, o azul claro, o abóbora e outros. Caixas enormes que abrigavam os filhotes nascidos do  filhos. Por exemplo o laranja que era filhote do rosa com o amarelo.
              A caixinha se orgulhava de cada um deles e entendia que tanto por si sós ou em grupo eram capazes de operar maravilhas num papel ou até mesmo no céu. Era só dar uma chuvinha e depois abrir um sol que um belo arco iris eles formavam. O preto e o marrom aplaudiam o arco íris e diziam que era a obra de arte dos lápizinhos juntos. Obra de muito bom gosto! dizia o branco.
Depois de cada apresentação de arco íris todos voltavam em fila para a caixinha e tiravam um cochilinho até o próximo dia que mais aventuras prometia.
                   A caixinha ia para uma gaveta e ali repousava também.
Esta historia coloriu uma porta e deu vida à outra. Quem quiser que conte outraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Solidariedade ( mirim ) ?

               Conceitos de amizade, respeito, união, solidariedade e outros são introjetados primeiro pelos pais,depois pela a familia e, em grande escala, pela sociedade.
               A rede de supermercados Pão de Açucar patrocinou semana passada em Brasilia mais uma maratona Kids. Os pais inscreveram seus filhos e  na hora prevista estavam a postos com o propósito de incentivar e , quem sabe, iniciar seus filhos no esporte. Gesto inteligente se somados à participação dos mesmos na vida dos filhotes.
A meu ver havia mais de uma categoria. Uma para pequeninos, tipo Julie, 2 anos, e outra para maiorezinhos tipo 6 anos.
               Bia inscreveu as meninas e Mary e Serginho idem. Pais modernos que não abrem mão da qualidade de vida na educação das crianças.
               Julie soltou da mão do pai e ganhou distancia chegando em primeiro lugar, contou-me a mãe. Eu não estava lá. Qualquer exagero vem da parte dela, quero deixar bem claro. Afinal as pessoas me conhecem como alguem que para contar um conto aumenta um ponto. Uma baita injustiça social para com a minha pessoa.
Momentos depois foi a vez de Sofia , Alice e Amanda se posicionarem. Aquece daqui, aquece dali e foi dada a partida.
Amanda, muito afoita, já saiu em disparada , o que a fez bater de encontro com outra participante e cairem as duas. Determinada que é quis chorar, mas levantou e seguiu em frente. Cumpriu os 50 metros propostos.
Porém o motivo deste texto vem por observarmos a atitude da amiguinha Sofia. Do momento em que Amanda caiu Sofia seguiu correndo, porém de agora em diante olhando para trás como se estivesse dizendo algo tipo.... Bora Amanda! Levanta e vem! Poderíamos chamar sua atitude de solidariedade mirim, mas penso que não teve nada de mirim em seu gesto.
               Sofia , embora não pareça tem 5 anos. O mesmo tempo da amizade das duas. Se conhecem desde sempre. Convivem nos finais de semana, nas idas ao clube, nas viagens, nos teatrinhos e nas festinhas.
Uma amizade bonita de se ver. 
Parabéns Mary e Serginho pela atitude expressa por Sofia. Isso é trabalho de voces dois.
Parabéns Sofia pela atitude solidaria num momento em que muitos pensariam na propria pele.
E parabéns ao Pão de Açucar pela iniciativa de incentivar o esporte na nossa cidade.
A foto acima mostra Amanda, Julie, Sofia e Alice.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A boneca e a caminha curta

                   Havia em um sítio uma boneca de pano de pernas comprias que passava o ano esquecida dentro de um guarda roupa só saindo nas férias escolares quando as meninas procuravam por ela. Depois ela tinha onze meses para lembrar das brincadeiras das férias.
                    O sonho da bonequinha era ter uma caminha pois segundo ela ficar sentada o ano inteiro não era brinquedo. E a circulação?
Eis que um dia a avó das meninas dando um giro nos brechos da cidade encontrou um caminha antiga de bonecas. Dessas que de há muuuuito crianças vem usando para brincar.
A boneca criou vida e deu um salto de alegria quando viu a caminha.
Mas..... logo percebeu que a caminha era curta demais para ela. O que fazer se tinha pernas longas?
Dobrou para cá dobrou para lá e nada de se acomodar.
Voltou para a cama das meninas e ficou dias sentada novamente, mas desta feita.... pensando.
E se eu.... E se eu.... Imaginava colocar uma emenda na cama, mas e a estética?
Sabe como é ....essas bonecas são espertas. E para bonecas modernas a estética é tudo.
              Um dia a avó se apiedou da coitada sentada e a pos na caminha com as pernas para fora.
E disse a ela. Que tal ficar um tempo cuidando da circulação das pernas? Gente idosa.... Imagina se uma criança vai pensar nisso!
             Dizem que a noite as bonecas ganham vida de modo que durante as noites ela andava e rodopiava pela casa. Assim nossa amiguinha passava as noites experimentando novas posições.
Uma noite daquelas aconteceu dela deitar com a barriguinha para baixo e suspender as pernas do joelho para trás. Surpresa!!! A caminha serviu. Empolgada se exercitava durante a noite e quando o dia vinha clareando se deitava na posição encontrada e, pernas ao lel, encantava as crianças com sua criatividade.
           Até hoje há quem diga que um dia ela vai ter dores de coluna, mas as crianças respondem que se fosse para ela ter dores nas costas já teria tido nos tempos em que esteve sentada dentro do guarda roupa ou na cama das meninas. Criança tem fé na vida!!!
Se a boneca as dores sentiu ninguem sabe ninguem viu mas que as crianças muitas vezes são mais otimistas que os adultos? Ah isso elas são!
          Assim acaba esta historia quem quiser outra que sente em rodinha no chão e levante a mão. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Aniversário

                                                                         

N
o TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...


15/10/1929

Meu poema favorito de Fernando Pessoa com o heterônimo de Álvaro de Campos

quinta-feira, 19 de julho de 2012

As aventuras de cachinhos ruivos e Bons modos

                Era uma vez duas irmãs. Cachinhos ruivos, uma pimentinha levada, assim chamada por ter seus cabelos ligeiramente encaracolados e ruivos e Bons Modos, uma menina calma , concentrada, e educada. Sempre com bons modos.
Cachinhos era levada da breca, como dizem os antigos, e gostava de ver o mundo de cima. Das árvores. Um molequinho! Enquanto Bons modos era bem comportada. Uma mocinha!!! diziam.
                Estas duas irmãs passavam férias no sítio de seus avós lá longe. Na serra do Rio de Janeiro. E a cada ano viviam aventuras das mais variadas naqueles meses de férias escolares tão esperados.
             O sítio era grande cheio de árvores e cachorros. Coelhos e passarinhos. Uma avó e uma bisa, ambas gordinhas e sempre de aventais a preparar algo na velha cozinha do sítio. Um avô mágico e um tio meio " lelé "da cuca.
                 As crianças da vizinhança eram os coleguinhas de férias da meninas. Tinha o Sílvio, o Romulo, o Cristiano, As meninas da dona Néa , os meninos da dona Célia e a Luciana filha do seu Teixeira.
 A patota estava sempre pronta para brincar de "lateiro vivo", pique pega, football , cabuti e amarelinha.
                Tinha a prima Cynthia que, como morava no Rio, subia a serra para estar com as duas e interpretava apresentações dos  saudosos Balão mágico  e Trem da alegria.
Alegria era o que não faltava. Muitas vezes no meio da tarde entre um mergulho na piscina ou uma partida de ping pong a vovó chegava com um bolo quentinho, recém saído do forno. Outras vezes chegava com um ovinho de codorna fritinho no meio de um mini pires para Cachinhos ruivos. Em outras ocasioes  a bisa  aparecia com biscoitos crocantes e deliciosos.
              Na cidade tinha um kart e um museu onde a criançada ia uma vez ou outra para curtir algo diferente; mas o que mais acontecia era delas brincarem no enorme quintal do sítio. Ali viram cachorrinhos nascerem, pombas sairem da cartola de mágico, gatinho dormir em cima da barriga da avó e cavalo trazendo noiva de festa junina entrando pelo quintal a fora.
                 A cada férias tinha ou o mesmo velho cachorro ou um novo no pedaço. Mas a Fafá....
A Fafá e a Tábata foram duas cadelinhas especiais. E a cada vez que pariam era uma festa para a criançada.
                 As meninas foram crescendo e gostavam de levar amigas de Brasília para lá também. Certa vez cachinhos levou tres amigas e uma professora da escola. Ficaram todas alojadas no maior quarto de hóspede que tinha. Até hoje quando vemos as fotos imaginamos a bagunça que não fizeram com a vó Ilse.
             Avós não faltavam por lá. Tinha a vó Ilse, a numero um, a vó Emília, numero 2 no coração delas  e quem fazia as roupinhas das bonecas,e outras. A Carminha, A Charlote e a Aldina. Cada uma com um seu jeito diferente de ser. Uma vez Cachinhos surpreendeu a vó Charlote rezando o terço e ficou encafifada. Disse para Bons modos.... Se ela reza tudo isso mesmo eu não sei, mas que as bolinhas andam.... andam!!!
                  Quando estavam sozinhas sem amigas ou primos iam caminhar pelas montanhas com aquele tio meio lelé da cuca .Ele era bom nisso. Tinha espirito aventureiro, como dizem quando alguém é mais ousado ou inconsequente.
                 Nas noites de  inverno este tio assava lhes batatas doces na lareira da sala e era uma farra. Ninguém queria sair dali para ir para a cama. Pudera...ali estavam quentinhos a ouvir histórias com pipocas e tudo mais.
                  Quando as férias acabavam todos ficavam tristes. As meninas, os avós e os amigos pois sabiam que teriam que esperar até as próximas férias escolares.
                   As meninas foram crescendo e ficaram moças.
Bons Modos teve duas filhas que, hoje em dia, frequentam o sítio com os filhos dos amigos com quem elas brincavam. Tem o Gabriel, filha do Silvinho, a Mel, filha do Cristiano e quem mais chegar, como diz a musica.
                   As avós maiores já morreram e os filhos dos filhos agora curtem a vó Angela, o vô Negão e o biso Lito. O vô Zé e a bisa Carminha.
                   Esta historia entrou por uma porta e não quer sair por outra. Quem lembrar de mais aventuras vividas ali  favor terminar a história....
               
        
               

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ah...para com isso!!!

               Sério. Não me venha com esta conversa de gato preto ou espelho quebrado. Acho medieval certas crenças e a força que elas exercem na vida das pessoas.
               Certa vez, em um almoço pedi que me passassem o sal e a pessoa não me entregou na mão para não dar azar. Isso me dá uma preguiiiiiiça!!!
               Penso que as coisas acontecem para o nosso bem e que um Deus Muito Maior sabe se dou ou não conta de atravessar esta ou aquela fase "ruim". Para isso estou aqui no planeta. Para aprender com minhas experiencias, dores e amores, como dizia a sábia Carmem da Silva. Que Deus a tenha.
               O que me traz a escrever este texto é algo simples. A maneira como encaramos a vida.
               Há dois meses apareceu um tumorzinho na cabeça de papai. Parecia um machucadinho e estavamos tratando  com pomadas e cicatrizantes. Como não diminuiu levamos papai ao medico e para surpresa geral o " machucadinho" é um carcenoma que requer uma cirurgia e biopsia o mais rapido que pudermos.
Sendo assim hoje pela manha fomos fazer os exames laboratoriais. Saindo do laboratório olho para o recibo e vejo que hoje é sexta feira 13. Comento: Gente hoje é sexta feira 13. Papai prontamente responde....." Vai nos trazer sorte!!"    Eu digo......É!
               Sempre me orgulhei da sabedoria de meus pais, pessoas que não tiveram estudo academico, mas que tiveram a sorte ou a competencia, como gosto de dizer, de terem cabeças abertas.
               Mamãe também achava a superstição uma grande bobagem. Dizia que a sorte da gente dependia da gente. Simples assim!!
              Estamos tentando correr contra o tempo para tentarmos que papai seja operado no dia 23. Até porque dia primeiro estaremos indo para Itaipava. Se tiver que ser será. Só nos cabe fazer o nosso movimento e entregar o resto a Deus.
 Ponto final Futebol Clube. com.br
               

segunda-feira, 9 de julho de 2012

I didn't know I was brazilian and carioca till I travelled


               Na estação de trem de Avignon, um verdadeiro contraste com sua arquitetura moderníssima considerando a cidade medieval e murada que é Avignon,  França, esperando pelo TGV que nos levaria de volta à  Gare de Lyon em Paris puxo conversa com um canadense e acabamos que filosofando um pouco.
               Conversa vai conversa vem ele diz que a lingua mais bonita de se ouvir é o portugues. Segundo ele sonora e macia. E me pede que fale um pouco. Começo a dizer coisas e ir traduzindo quando ele me diz que não precisa traduzir.... "Não importa o significado" diz ele , só preciso ouvir.
Ora, como boa carioca que sou, começo a cantar Garota de Ipanema para ele. O homem se arrepia e fecha os olhos em doce deleite. E, neste momento, me descubro carioca além de brasileira.
                A gente ri e começa a falar sobre as diferentes culturas e diferentes costumes de cada povo.
E ouço dele o seguinte...." I didn't know I was a Canadian till I travelled aboard"
               Olho para ele e concordo dizendo a ele que também gosto de refletir e filosofar sobre as coisas.
             Digo a ele.... " Só soube que era alegre e talkative ( carioca ) quando viajei para fora." As pessoas lá fora descobrem que sou brasileira pelo sorriso fácil e pela "ginga", é claro!
             Também descobri que era brasileira quando aprendi que não se toca num garçon ou se assovia para o mesmo.
             Percebi que era brasileira quando notei que as vozes dos brasileiros se sobressai às outras num hall de hotel, por exemplo. Ou ainda quando percebi o quanto os brasileiros são gratos a uma informação dada que o ajude a se encontrar pelas ruas deste mundão.
               Enfim eu poderia listar as inumeras mancadas  vivenciadas lá fora ,mas preocupada com a minha imagem prefiro não citá-las.kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
               Todos sabemos que viajar é uma arte e uma escola à parte. A gente aprende muito dos lugares, mas aprendemos muito sobre nós e nossos costumes também. Talvez na mesma medida.
               Daí volta-se para a Terrinha e  muda-se alguns, insiste-se em outros. É assim mesmo. Afinal é sabido que é através das diferenças que nos surpreendemos e porque não dize-lo, crescemos. E se mudarmos tudo para nos adaptarmos a tudo perdemos nossa essência, a nossa identidade tão brasileira. Não deixa de ser um auto-conhecimento  prático eu diria.
               Assim....... Voilá!
               Continuarei pedindo a cada garçon que nos tire uma foto. e a agradece-los pegando lhes o braço.
               Gosto de gente e gosto do contato. Penso no lado humano do gesto. Se fica feio ou não.... bem.......... depois eu penso nisso. Será???
             
               
               

quarta-feira, 4 de julho de 2012

E Deus criou Brigitte Bardot

           

               E a viagem à Provence saiu.
Precisava ir lá ter com as lavandas e lavandines da região.
Qualquer coisa..... " out of this world " para começar.
Começamos a Viagem por Paris com seus cafés, museus, igrejas e boemia.
Como não podia faltar fomos ao Moulin Rouge e assistimos um dos shows mais bonitos visto por esta que lhes escreve.
Mas a Torre Eiffel....  Com aparencia solida e simples ao mesmo tempo. Com suas curvas e e tronco alongado.A Torre Eiffel me lembrou uma mulher. Uma francesa misteriosa e gamurosa. Daquelas tipo Brigitte Bardot. Debaixo da torre me veio a imagem de BB na cabeça e lembrei da frase dita por alguem .... " E Deus criou Brigitte Bardot ".
Em Paris passeamos, fotografamos e demos nossas mancadas, como todo brasileiro seria capaz de dar.
Uma das vezes em que procuravamos a estação de Metro, por exemplo, do nada nos aparece um rapaz linnnnnnnnnnnnnndo que além de nos informar nos levou  ao local.
Impressionadas com a beleza do rapaz Ro e eu aproveitavamos para tecer elogios a ele em portugues até que chegamos na estação e para me despedir  agradecida pelo favor  tão agradavelmente prestado pensei em dizer-lhe que era " trés gentil " ( muito genti l),mas..... como com o inconsciente ninguem pode eu disse " Tu és trés jolly." O que significa....( Voce é muito bonito ). O rapaz fez cara de surpreso e so neste momento eu percebi o lapso. 
Tinha tambem a Etoile, uma menina de uns sete anos que ficou amiga da gente. Morava num mercadinho na esquina do nosso hote onde compravamos vinho e guloseimas. No primeiro dia ela achou a estrela que trago ao pescoço bonita e gritou para que os pais olhassem. Na hora não entendi, só depois de saber seu nome. Etoile, estrela, Estela.
          Monparnasse,  discreto bairro que nos acolheu, Monmatre com sua bohemia, as igrejas e o City tour  privado que cobriu cada ponto turistico com direito a um Croque Monsier vez ou outra, além de um chocolate  com uma torta de limão Siciliano no Angelina Café. Um cafezinho no Café de La Paix e outro no Des Magots. E tome de Metro quando estavamos por conta própria. 
          Ro e eu apanhando para conseguir falar do orelhão com o Brasil não deixavamos  a telefonista completar sua fala e voltamos a Tabacaria onde haviamos comprado o cartão pedindo ajuda. No que tivemos o obsequio do dono da Tabacaria nos acompanhando até o orelhão e fazendo a ligação para nós. Algo tão simples!!! Que frances bonzinho!!!
              Do mais era acostumar-se ao teclado versão europeia dos computadores nos hoteis e a surpresa ao ouvirmos do recepcionista do hotel de Paris que poderiamos ligar para o Brasil sempre que quisessemos e que não ultrapassasse de 2 minutos. Uma novidade,( para mim pelo menos).
            Mas a Provence............. merecia um texto a parte......... É show!!!!!!!!!!!! e nos apresenta um desfile de mulheres ligeiramente bronzeadas com aquela aparencia saudavel do campo. Mulheres com rostos originais e elegantíssimas. De novo a beleza de BB e das mulheres de Monaco. Nem um pouco peruas, extremamente bem vestidas na simplicidade da vida provençal. Sapatos de salto medio e roupas bem cortadas. Um Baratooooooooooooooooooo!!!
                Fiquei impressionada com a decoração na Provence. É um rústico com detalhes modernos. Tipo casa Vogue, sabe? Enfim......muito bom gosto. Como disse minha amiga Francisca a simplicidade da França é luxuosa. Assim como era BB. Ainda ontem fui ao teatro assistir uma apresentação de ballet de Amanda e teve um ballet sobre a Marilyn Monroe. Fiquei pasma de constatar que BB era infinitamente mais bonita que ela e com muito mais bom gosto. Uma mulher naturalmente bonita que não precisava apelar para nada.
               Cobrimos a Provence guiadas por duas mulheres que falavam frances, ingles e espanhol. Num carro super confortavel somente para nós tres. Ro, Negão e eu. Um mimo que nos concedemos. Tudo na Provence parece leve, de bom gosto e saboroso. Todas as avenidas fechando em arcos de Bordos plantados de um lado e de outro. Um retorno à vida saudavel e natural.Sofisticada  na medida certa. Tem se a impressão de que estamos vivendo com o charme e a segurança de 30 anos atras.
          Voltando a Paris chovia uma chuva fininha que se transformou em sol na manha seguinte nos ajudando a visitar os lugares ainda não visitados.
O Bateau Mouche, o Louvre, O Dorsey, a Ópera e a Galeria Lafayette,  outra vez, e....... ultimas compras.
               Graças a Deus perdemos mais uma vez a grana do seguro que cobria saude e chateações.
                Enfim ....a viagem foi maravilhosa e renderia mais  se a memória não me falhasse neste momento. 
                 Eu volto. Fica o compromisso.
          
                                                        

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Familia, uma questão de se ter uma boa receita

                                                                   
Trechos do livro "O Arroz de Palma" de Francisco Azevedo.

"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema... Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir... Mas a vida sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente...Já estão aí? Todos? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Munière; Família ao Molho Pardo (em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria). Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir. Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.
Aproveite ao máximo. Família é prato que quando se acaba nunca mais se repete."

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Uma Highlander!!!

          Deixo a clinica onde Ximbica está hospitalizada há tres dias e pego a estrada de volta para casa. Ligo o rádio e está tocando a música Secrets of Philadelphia, ela mesma. A do filme, belíssimo por sinal. A musica fala de dor e abandono, medo e perplexidade. Neste momento decido que vou chegar em casa e escrever algo.
          Ximbica é uma Fox Paulistinha. A cadela mais dócil que já se viu. E uma guerreira. Ganhei Ximbica ja fazem dez anos e levei para a mamãe em Itaipava. Com mamãe ela se tornou uma Lady. Doce e obediente, diferente do Tixo, seu irmão que hoje é da Bia.
          Mamãe faleceu só com ela em casa e me contaram que ela não deixava o pessoal chegar perto. Sofreu, a coitada. Marina a trouxe para Brasília e ela tem sido sua companheira desde então. Já se vão seis anos.
          No ano passado Ximbica esteve internada por uma semana. Descobriram um cancer avançado e retiraram um de seus rins. Sobreviveu a trancos e barrancos vomitando dia sim dia não.
No final de semana passado Ximbica não levantava mais. Marina levou a para a Clínica onde estão tentando tirá-la do quadro de quase falencia do outro rim. 
          A medica nos diz que quarenta por cento do rim é uma pedra. A questão não é se ela vai ou não sobreviver. Ainda que sobreviva terá que ser acompanhada periodicamente. A questão é..... Quanta força pode ter esta cadelinha que é tão doce quanto valente?
Ela nos olha profundamente. Um olhar cheio de dignidade. Apenas se percebe o medo que sente porque as vezes os olhos aumentam de tamanho, como acontece quando eles, os cães, se sentem ameaçados.
          Olho para ela e digo a ela que a amo desde o dia que ela chegou para mim naquela caixinha de sapatos Orthopé. Uma marca de sapatos infantis. Ela parece dizer que sabe disso. Não é viagem minha. Juro!
          Procuro massagea-la carinhosamente repetindo quantas vezes for preciso o meu amor por ela.
          Uma das taxas que tem como numero de referencia 40 estava a 1020 quando ela chegou na clinica. O segundo exame já mostrou que desceu para 320. Durante a visita de ontem ela mostrava que queria chegar mais perto e quando eu peguei o celular para fotografá-la ela se ajeitou numa pose que sempre faz. Detalhe: Quando chegamos lá ela estava distante e totalmente estirada no colchaõzinho.
          Hoje o quadro já não foi mais tão leve. Estava com soro, alimentação pelo focinho e usava um colar Elizabetano para que ela não tentasse tirar os tubos como vinha fazendo.
          Já não é mais ela que meus olhos veem e sim uma Highlander, como bem disse a dra Katiane.
Falo mais uma vez para ela do meu amor que será incondicional ainda que ela não suporte mais as dores e queira ir.
         A letra da musica diz não ver anjos esperando por ele e choro pedindo a Deus que ela não sinta o abandono que a letra fala quando não estamos por lá. 
          Marina diz que quando ela se for não vai mais querer se apegar a cãozinho algum. Pergunto... Mas e os dez anos que ela nos trouxe tanta alegria e docilidade? Não valeram?
Valeram sim. E muito. Temos medo da perda. E sabemos que a dor dela é maior que a nossa pois é fisica, emocional e apavorante.
Peço a Deus que a passagem dela seja indolor e que ela se vá sentindo todo o amor que ela mereceu e merece em seu coraçãozinho.
          Que os anjos a recebam . Ximbica, nossa highlander.

Dois dias depois

Na sexta feira uma parada respiratória levou Ximbica de nós.
Foi um dia triste " pra cachorro"!!!
Pela manhã Marina foi ve-la e ela brincou um pouco. Deitou a cabeça na perna de Marina e ouviu desta que se ela estivesse cansada demais podia ir desde que fosse se sentindo amada.
havia uma possibilidade que ela viesse para casa no final de semana. Mais tarde fui ve-la com o Wilson e ela ainda respondeu um pouco a nossos afetos. Muito pouco. A tarde uma nova radiografia descartou a possibilidade de vir para o final de semana.
Diseram-nos que ela andou pela clinica livre dos tubos, fez coco, se alimentou e foi brincar de cavucar o chão, como sempre fazia.
E brincando.........
Penso que ela teve na visita de Marina a visita do anjo que eu pedi acima. Marina foi a pessoa que ela mais amou depois de mamãe.
Tanto com mamãe como com Marina ela conversava com o olhar.
Amanhã, dia 30 de Maio será cremada no Paraíso Animal.
Afinal..... os Highlanders costumavam ser cremados.
Preciso acreditar que a estas horas ela está feliz e sem dor embora  não possamos testemunhar o fato.
O sentimento que me vem é de desolação por não poder abraçar o inabraçável.
Como diz a musica.... to touch the untouchable sky.

     

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Fico pensando se é valido

          Não me cabe o papel de rabugenta, mas escrevo para inquietar, fazer pensar. Fazer o que se acredito no recurso???
          É sabido que a sociedade e a mídia projetam papéis algumas vezes nada verossímil à vida nossa de cada dia. E sabe-se também o quanto nós, os manipulados, nos esforçamos para nos adequarmos a imagem tão bem trabalhada(?!?)
          Observando outdoors e publicidades em revistas percebo claramente a que público se dirigem os mesmos.
           Falemos por exemplo da Terceira idade. Me recuso a chamá-la de Melhor idade. Me parece deboche ou premio consolação. Tendo a longevidade e a qualidade de vida aumentado (para alguns) graças à ciência e a comportamentos adquiridos nos últimos tempos o que vemos nos outdoors de planos de saúde, títulos de turismo ou implantes dentários são casais bonitos que aparentam realização ,saúde e paz de espírito de fazer inveja. Verossímil ou não me passam um sentimento legal. Tipo: É ... to chegando lá, mas não parece tão mal.
          O mesmo acontece com a imagem de quem está almejando a compra da casa própria  Geralmente casais jovens com filhos nos ombros em meio a uma natureza verdejante gargalhando de felicidade.
          Os dirigidos às mulheres entre 30 e 40 anos exibem mulheres poderosas, bem sucedidas na profissão empunhando bolsas como as das executivas Nova Yorkinas ou  sexualmente resolvidas haja visto os beicinhos ou olhares que traduzem prazer.  Geralmente... dressed to kill.
          O que me incomoda e entristece é ver as fotos que se dirigem aos mais jovens. Aqueles entre 16 e 22 (?) Mais ou menos. Estes que, via de regra, seriam os que poderiam exibir melhor saude e  alegria de viver nos aparecem com um olhar ora distante ora perplexo, frustrante e vazio, indiferente e alienado.  Sofridos enfim.
 Fico pensando.... ora que público tão desesperançado é este? Logo o mais jovem? Impossível. Penso nas minhas netas  brincando cheias de vida. O que acontece com a pós infância hoje em dia? Como educadora compreendo que é uma fase difícil para o adolescente, mas desesperança e alienação me incomodam . Muito. A ponto de me fazerem escrever um pouco.
           Me parece uma forçação de barra. Puxa vida! E se de tanto vermos tais imagens nos convencermos desta realidade doente?
           Sei não. Me lembro de , quando adolescente, haver uma propaganda de um tennis que tinha como refrão...." Pise firme que este chão é seu!". Ouvir aquele refrão me passava uma fé e uma força difícil de serem encontradas hoje. 
Uma pena!  para dizer o mínimo.?
Fazer o que?
Que tal começarmos a pensar um pouco?
Só uma sugestão. Rabugenta para muitos.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Onde tudo acaba em festa

          Nasci numa família festeira que gosta do"Chame gente". Logo, desde sempre convivi com pessoas de idades variadas em festas seja onde fossem. Alguém ia viajar a gente fazia um bota fora.
          Minha avó tinha uma tal de uma feijoada que ela chamava de Feijoada do seu Peru onde os dez amigos mais intimos não perdiam. A feijoada era itinerante, mas algumas vezes foi na nossa casa. Era um bando de velhos fantasiados com as mais diversas fantasias. Pedrita, Pierrot, Melindrosa e Palhacos se espalhavam no nosso jardim.
Uma das amigas da minha avó era muito criativa e inventava as próprias fantasias. Uma vez se vestiu de "Quem quer casar com dona Baratinha que tem dinheiro na caixinha". Vale ressaltar que ela esperava encontrar um namorado e creio que na caixinha dela tinha mesmo dinheiro. Uma piada! Ela tinha uma neta dois anos mais velha do que eu, a Manu.
          Minha dinda quando precisava levantar uma grana cozinhava para as pessoas. Assim... mesmo se não fosse aniversário de ninguém de vez em quando aparecia um grupo para comer da comida dela e, é claro, virava uma festa.
          Minha mãe gostava de festa com garçon. Quem não gosta, né mesmo? Muito bem. Meu avô Negão foi do Exercito e tinha trabalhado com um garçon competente à beça chamado, nada mais nada menos, que Jesus.
A primeira vez que ele foi a nossa casa quando tocou a campainha minha avó disse... Deve ser o Jesus! ao que eu perguntei... Mas ele não morreu e está no céu? Eu tinha cinco anos e meus pais tentavam incutir um pouco de religiosidade na gente.
Mas, voltando ao Jesus, este foi o primeiro homem que me serviu um drink socialmente. Ele estava servindo as pessoas e estendeu a bandeja para mim com um copinho servido de suco ( minha mãe não me deixava beber coca cola alegando pouca idade) e um guardanapinho dobrado como um triangulo que eu me peguei surpresa , mas que me envaideceu muito. Me senti adulta. Ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei!
          Nas festas de natal meu pai, magro e sarado, se vestia de Papai Noel e colocava uns óculos escuros para tentar se esconder para que nós não o reconhecesemos. Me nego a crer que fosse uma versão tropical do Santa! Mas o mais animado do natal era o amigo oculto. Muito riso. Voce escolhia um presente e se não gostasse roubava um de alguem que já tivesse pego antes de voce. O que resultava em sorte para uns e azar para tantos outros.
Na Páscoa a gente procurava pelo coelhinho, mas ele nunca foi visto. Só os ovos ( não se pode ter tudo!). Dizem que os coelhos correm muito!!!
Na noite de Ano Novo tinha uma história de que um velhinho iria se despedir e iria chegar um bebe. Nenhum dos dois conseguiu chegar a minha casa uma vez se quer.
Chá de panela, chá de fralda, chá de casa nova.... Chá mesmo, a bebida, ninguem tomava. Mas era uma festa!!!
Minha madrinha aos trinta anos comemorou seu aniversário num restaurante. Os convidados foram fantasiados. Já a minha avó comemorou um de seus aniversários numa pousada. Mas não pareceu festa. Não como a gente estava acostumado.
Nas festas minha mãe caprichava na aparencia das empregadas. E teve até um ano que a babá se fantasiou numa das feijoadas da minha avó. E a Lilia ou a Luciana colocavam umas perucas da minha avó.
Dizem que aqui no Brasil tudo acaba em Pizza. É uma maneira de dizer que por maior que seja o problema o povo esquece comendo Pizza, o que mostra que o brasileiro tem fé na vida. 
Eu diria que na minha familia tudo acaba em comemoração. E, como a familia é grande acaba em festa.
É isso!!!
PS: Este texto é um rascunho de uma  provavel futura conversa. Ou ... não. Talvez nunca aconteça ou aconteça de maneira diferente. Tentei imaginar uma de minhas netas falando sobre suas infancias festivas.
Tim Tim!!!


sexta-feira, 30 de março de 2012

Répètez, s'il vous plait !!!

                                                                             
                          Dá licença? Tenho um caso novo. Bora rir um pouco.
Que o Wilson tem um problema no ouvido a gente já sabe. Ossos do ofício. Ainda no Exercito quando era jovem estava limpando sei lá o que e um canhão disparou inutilizando seu ouvido esquerdo. Forever.
O resultado é que as vezes a gente fala de viola e ele entende vitrola, mas... tá valendo. 
                    Ainda no sítio estavamos Wilson, a Ro e eu em torno da lareira conjecturávamos nossa viagem a França e ao sul da França. Planejávamos que passeios fazer e que tipo de roupa levar. Eu sempre com frio e Ro cheia dos calores! E que sapatos confortáveis comprar uma vez que se vai andar bastante. Falávamos de fazer as aulas de frances da BBC pela internet para "lembrar" nosso frances e de quantos euros levar. Coisas do tipo.
Conversa vai conversa vem a gente sempre começa a falar de problemas. Lamentavelmente!!!
Falávamos então da perda que sentimos no nosso ritmo de vida e no tesão pelas coisas. Ro  dizia que esperava vibrar mais com a viagem. Eu ouvia atentamente e, aqui entre nós, me via no seu lugar em alguns pontos da conversa.
Falávamos também da possibilidade que temos, agora que estamos aposentadas, de evitar atividades estressantes, etc...
Voltando à falta de tesão pelas coisas. Falávamos que é uma falta de vibração mesmo. Será que é porque se tornou fácil viajar para o exterior? perguntava ela. Acho que não, eu dizia. Acho que as coisas já não nos animam tanto, mas tão pouco nos frustam tanto caso não aconteçam. Se der a gente viaja, caso contrário... tá bom também. Nada tão desapontador como seria se ainda tivéssemos 30 anos de idade.
Mas..... vamos ao caso, ora abolas!
                     Num dado momento a Ro insistia em perguntar se não era para a gente estar vibrando porque vamos À Provence. A Ro é alta e levantou os braços lateralmente e perguntou... Voce não acha, Wilson, que deveríamos estar dando saltos altos assim? Apontando com o braço a altura que deveria ser o salto. Impossível para mim devido aos meus 1.50mts, diga-se" by pass ".
No que Negão respondeu imediatamente.... Acho que não, Ro. Acho que voces trabalharam 30anos de salto e isto pode ser álibi para agora escolherem saltos baixos. Afinal, dizia ele, como diz a minha mulher ...onde é que está escrito que mulher tem que estar no salto? Se não está nem na biblia nem na constituição é falso mito. Ponto final futebol clube!!!
Em uníssono perguntamos as duas: O queeeeeeeeeeeeeeeee? O que é issooooooooooooo? Enlouqueceu?
E caimos na gargalhada....
Menos Negão! Estamos falando do verbo saltar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Ah Tá! é que eu entendi...........
"Congela" Negão!!!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Millor Fernandes

                                         
"Feliz é o que você percebe que era
muito tempo depois!"
Minha homenagem a Millor Fernandes. Que continue irreverente lá no céu.
1924 - 2012

terça-feira, 27 de março de 2012

A cura espiritual ( ou...de mãos dadas com nossa criança )

               Filosofando um pouco com Marina sobre Deus, Buda e religião deparamos com a nossa infelicidade diária (  nossas culpas, raivas, medos, decepções ) e tantas outras emoçoes que nos adoecem  Comento com Marina sobre a sutil diferença de se colocar uma idéia.  Traduzindo.... Quando pequenos os adultos, bem intencionados que são, nos reforçam a idéia de que Deus/ Buda vai nos suprir de tudo o que é bom. Amores, empregos, sucessos e bem aventuranças eternas. Resultado? Ficamos meio que num "sofá esperando". Alguns até cochilando e sonhando com o sucesso. Ou   à deriva. Passivos (?!)
                Vamos combinar? Deus ou Buda podem dar uma forcinha, mas os protagonistas seremos nós.  Difícil? Sim, muito. Porque não nos disseram que temos uma parte divina que fica oculta até que chegue aquela crise e nos ameace a vida. Aí... a nossa parte divina sai da zona do conforto e vai procurar ajuda, terapia e auto conhecimento. É a busca do homem desde que ele anda pra frente, diz meu amigo. Nestas buscas ganhamos força. Ainda que não acreditando muito, ganhamos. E mesmo que seja pouca é o pouco que é muito. Porque veem de nós, do interior e não de fora.
                Pensemos numa dor física. A gente que ir a um médico, mas ele só tem hora  para daqui a uns dez dias. O que fazer? Melhor olharmos para a nossa dor e tentarmos fazer algo por nós ainda que contando só com a gente mesmo. Neste caso podemos começar hoje mesmo. Ou melhor. AGORA! 
         Isto me faz lembrar de um livro chamado O poder do agora. Muito bommmmmmmmmmmmmmmm. Daqueles que aos pouquinhos vai fazendo a gente ver que o que colocarmos na nossa cabecinha vai ficar. E ainda , de quebra, nos mostra que se estivermos no agora estaremos com nossa parte divina.
Como assim? O que é isso? Simplificando bastante..... Se não estou no agora estarei ou no passado, lembrando talvez de alguma tristeza ou indignação, ou no futuro , programando algo que nem sabemos se vai ou não acontecer.
          Como estar no agora? Se estou no trabalho e minha atenção está no que eu estou fazendo o passado não me perturba e o "Galvão Bueno" que tem dentro da minha cabeça. Silencia. Oh Coisa boa! Que alívio! A isso chamam Cura Espiritual. E é mesmo uma cura. Afinal tudo tudo que nos acontece começa e termina dentro de nós mesmos. 
                Mas, voltando..... Bora ver se a gente aceita de uma vez nossa parte divina e a retroalimenta com bons gestos e bons sentimentos. Que a gente consiga olhar para nós e enxergar a criança sofrida que temos dentro de nós e decidamos fazer algo por ela.  Talvez cuidar dela como cuidaríamos de alguém que amassemos muito. Somos mestres em fazer um chazinho para alguém doente. Bora nutrir nossa alma de chazinho também, nem que seja para variar.
               Vale a pena tentar!!! Afinal... tudo que fizermos em proveito próprio estaremos fazendo pelo próximo. E a galera é grande. 
                Estaremos, no mínimo, multiplicando nossa parte saudável.
E já é muito se considerarmos que não deixa de ser a cura pelo amor.

domingo, 11 de março de 2012

Podem os olhos mudar de cor?

                  Não me refiro ao uso de uma lente para mudar a cor dos olhos.
Algo curioso aconteceu este mes de Março. Chegamos no sítio no dia primeiro e como estava combinado a priori tia Irene foi ao aeroporto encontrar conosco para subirmos juntos.
Hoje dia 11 de Março ela voltou para o Rio. Antonio veio buscá-la. Foram dez dias de papo, confissoes e peplexidade. Andei perplexa porque pela primeira vez percebi como tia Irene está aos poucos parecendo com a doce Emilia. Desde o modo de caminhar e o tornozelo engrossadinho até a suavidade nos gestos e a educação à mesa.
Porém houve algo desta vez que me deixou boba. Mesmo. Os olhos de Emilia eram de um cinza ligeiramente esverdeado. Já os de tia Irene eram castanhos claros. Para minha surpresa, porém, percebi os iguaizinhos aos da vovó. Fiquei arrepiada e estou pasma até agora. Na hora da despedida papai chorou, como sempre. Já eu fiquei com um nó na garganta. Nos despedimos na varanda dos fundos. A tarde ensolarada me mostrou a mudança total da cor dos olhos da tia. Aí ela abriu os braços para me abraçar e me chamou de Anginha, exatamente como Emilia fazia. Na hora eu já não sabia mais quem estava se despedindo de mim.
A tia se foi e eu fiquei triste. E com a tristeza vieram as dores. No peito, no estomago. Saudades, talvez.
Alguém já disse que a uns Deus os quer doentes, a outros Deus os quer escrevendo. Assim.....
Vou tentar escaniar uma foto de vovó e outra  recente da tia.
Enquanto não providencio isso fico com a imagem dos olhos cinza esverdeados me olhando e me abraçando e com a ultima frase dita por ela antes de sair.
" Filha agora a gente se ve em Maio em Brasilia, no aniversário de Julia"
Pois que venham!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Vivi passed away

                                                                                 
       Vivi, nossa ternurinha, passed away. Se foi!
               Não é esnobismo não, é que esta foi a maneira mais suave que consegui para falar da morte de alguém tão delicado. Vivi, minha colega de pinturas faleceu aos 85 anos mais ou menos. Nunca sabemos com exatidão a idade de uma mulher. Ainda mais se ela foi a dama que Vivi foi para todas nós. Uma mulher que acompanhava muito bem o papo das mulheres mais novas, ainda que as vezes , corada.
               Decidi fazer uma homenagem à esta amiga contando algumas de suas peculiaridades .
               Vivi era muito carinhosa e gentil e , sendo assim gostava de presentear. Nos finais de ano quando a turma se reunia e sorteava um amigo oculto ela trazia, além do seu presentinho, uma lembrancinha que chamava de "apenas uma ternurinha" para todas as participantes e  seus maridos.
                Certa vez eu, ela e mais uma colega já havíamos adiantado nossas telas e decidimos ir ao salão ao lado do atelier para fazermos as unhas. Em determinado momento a manicure pergunta para a Vivi.... E então dona Vivi que cor vamos por hoje?   Voce escolhe filhinha. Mas lembre-se... tem que ter um arzinho de puta ou ninguém mais me olha. Disse isso. Piscou para nós e disse... Por ninguém voces entendam os homens. Vivi era assim. Autentica. Falava de suas coisas e da "coisas" vividas com o marido, já falecido, como quem declamava um poema.
               Infelizmente há uns tres anos Vivi começou a mostrar sinais do alemão. Tinha medo de sair. Dizia que as pessoas tinham entrado na casa dela, etc.... Com isso. Se recolheu e não foi mais ao grupo. Uma pena!!! Era um ser humano rico em experiencias e bondade. Simpatica mesmo. Tratava a gente por "filhinha".
               Nos vernissages estava sempre no salto, de batom e brincos. Uma gracinha.
               Houve uma época em que eu a chamava de Primeira dama de Itaipava. Foi quando eu quis que ela e papai namorassem. Mas ela ria e dizia que tinha vergonha de voltar a namorar tão velha. Outra pena! 
               De outra vez, também no salão, a cabeleireira perguntou-lhe... D. Vivi a senhora vai cortar comigo ou com o Carlos? Ela olhou para um e para o outro, piscou para a cabeleireira e respondeu. .....Gosto dos dois, mas vou cortar com ele. Há muito tempo um homem não põe as mãos em mim. Fica triste não tá? filhinha? Da próxima vez.....
               Existe um filme com o Robin Williams que se passa no céu. Sua esposa havia sido uma artísta plástica. Agora me veio uma cena da esposa pintando paisagens lá no céu. Pensei... Por que não? Desejo que Vivi esteja pintando o sete lá por cima literalmente, no bom sentido e no mal, também. É como ela era.
                Bj Vivi. A gente se vê um dia.
                Bem longe de hoje, eu espero.
                " Fica triste não, filhinha!"


segunda-feira, 5 de março de 2012

Mais encanto para você com Cashmere bouquet!

               Para aqueles que não lembram ou que não viveram a época o título desta postagem era o slogan dos produtos de beleza da linha Cashmere bouquet na década de 50.
De volta a Itaipava dou uma passadinha no Armarinho Itaipava. Sabe como é independente da origem do produto que voce precise a probabilidade de encontrar no armarinho é grande.
Há muitos anos em Itaipava o armarinho, que de armarinho tem pouco atende sua clientela cativa cem por cento, penso eu.
               Um goiano diria que é um estabelecimento entulhado de mercadoria. Eu diria que é repleto de apetrechos, panelas, pente Flamengo, louças, linha, agulha. O lugar é tão cheio de mercadoria, inclusive por cima do balcão, que quando se entra pensasse que não tem ninguém para atender até que de repente  parece brotar do chão a figura do Uelton ou da Arlete.
               Chegando ao sítio ponho a chaleira no fogo para um café e tia Irene se apaixona pela mesma e mostra interesse em comprar uma igual. Respondo ... tem no Uelton. Quem é o Uelton minha filha? Uelton do Armarinho Itaipava.
Dia seguinte mostra interesse por umas refratárias pequenas. Respondo... tem no Uelton. Agora ela já sabe o que é o Uelton.
No terceiro dia cai um botão do pijama de papai e digo ... Preciso ir no Uelton comprar linha.
Aí ela pergunta: Filha este Uelton tem tudo?
 Senão tudo, quase tudo, tia.
Onde fica?
Pertinho do Bramil, respondo.
Depois me leva lá? Claro, preciso ir lá também.
               Chegamos ao paraíso das compras .Enquanto ela fica descobrindo bacias do tempo da bisa Tereza, coador de chá, óculos escuros, dedal, colher de pau, lampeão e  coadores  de café de pano que são os melhores ( costumo levá-los para Brasília quado vou embora. Fazer o que? sou do tempo do café passado no coador de pano e com açucar na água. Os diets que me perdoem, mas tem outro gosto. Gosto de café da roça).
 Fico conversando qualquer coisa com a Arlete.
 Isso aqui é uma maravilha, diz a tia.
Até que....distraída e sem meus óculos vejo uma circunferenciazinha cor de rosa na vitrine. Me assusto e pergunto...Uelton isso aqui não é o que estou pensando... Um pó cashmere bouquet?
Claro que é diz ele.
Gente! Não pode!
Pooooode! diz ele
Risos. Muitos risos.
               A linha cashmere data da minha infancia. E olha que não foi outro dia!
Quase peço para ver na minha mão, mas me contenho.
Talvez seja isso que tanto me atrai em Itaipava. Ver que o passado e o presente andam de mãos dadas. Numa boa! diria um carioca escolado. Itaipava  tem uma rotina que  mistura  gerações e suas atitudes. 
Mesmo no Armarinho Itaipava voce pode ser atendido pelo Uelton, pela Arlete ou pelo sr Vininho, um velhinho silencioso que parece ser a alma do lugar. Toda vez que escarafuncho por lá fico imaginando que pode ter sido ele quem de início tocou a loja. 
               Voltando ao cashmere bouquet pergunto ao meu marido. Será que o Uelton tem Leite de colônia? Só indo lá para ver, filha.
                Vamos hoje a tarde. Hoje é segunda feira e o comercio local só abre depois do meio dia.
Em outra postagem eu dizia que Itaipava no meio da semana parece uma cidade sonolenta.
Afinal chega de correria... parece  pensar o pessoal daqui.
Graças à deus!!!
A quem possa se interessar pela linha Cashmere bouquet o armainho fica na  Estrada União e Industria, 11985. Itaipava. Petrópolis. Rj.
Vale a visitinha. Alguma mercadoria vai trazer de volta os anos vividos com seus avós. Ainda que seja um regador galvanizado.
Confira!


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Fala sério!!!

               To passada com o despreparo dos adultos em lidar com certas situações. As vezes parece que o Homem ainda não deixou a caverna.
               Sou casada pela segunda vez. Wilson foi do Exército. Hoje, terça feira gorda, decidimos levar as netas ao baile infantil do clube. Para que elas aprendam a admirar esta festa tão brasileira. Clube do Exército.
               Logo que chegamos corremos a escolher uma mesa que ficasse  na pista. Daí a alguns minutos passou uma senhora. Dez minutos mais tarde a senhora foi se chegando e ocorreu o seguinte diálogo.
               Com licença. Boa tarde. O senhor é o Wilson? Sim. Na verdade vi a senhora passar mas fiquei na dúvida se era a senhora mesmo. Pois é eu também fiquei. Tudo bem? Olhou para mim. Esta é a Angela. Muito prazer. Prazer. Pois é quanto tempo. Blá blá blá. É sua esposa? Sim. Haaaaaaaaaaaa. Tudo bem? Tudo. Eu nem me apresentei, mas é porque eu era vizinha deles e amiga "dela" ( o Wilson é viúvo ). Ah..... É mas já passou, né? Será? Parece que não.
               Penso que curiosidade, mexeriquice, ou seja lá o que for... tem limite.
               De outra vez teve uma senhora que no meio da conversa onde falavamos de comida e de cozido ou feijoada, não me lembro bem, ouvi o seguinte.... Leva a mal não! Mas "a dela" ( Da falecida ) era fora de série.
               Tem aquela que já se vão aí uns oito anos em que após ser apresentada a mim disse: Ela era do meu coração, sabe? Eu gostava muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito "dela" Sei, respondi. Pode continuar gostando , se  pensa que estará traindo o seu amor por ELA ou a amizade "dela". Detalhe. Eu e Wilson vivemos juntos há dez anos. Achei que não passaria mais por isso.
               Fico me preguntando que necessidade é essa de ter que ter um cartão fidelidade até com alguém que já se foi.. Ter gostado muito da companheira de alguém que ficou viúvo impede as pessoas de gostarem da que a substitui (?)  Me poupem!
 Minha mãe costumava dizer.... boca calada não entra mosca. Sei que a galera da minha época ouviu demais essa expressão.Esqueceram? Estarão com Alzheimer? Ou a bisbilhotice é maior mesmo? Que absurdo!!! Atenção aí galera! Ninguém quer substituir ninguém. A gente só quer ser feliz!
               Mas para tanto precisa competencia. Para sermos felizes precisamos ser competentes e abrir mão das atitudes infantis e tentar acompanhar o crescimento que a vida demanda. Afinal nem todos  sabem como se comportar em diferentes situações, mas tem a obrigação de crescer e tentar aprender e bem rápido, em nome da boa convivencia.Ou a gente corre o risco de exigir que nossos filhos e netosw cresçam quando nem nós crescemos.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Que c' est triste Venise

                                                                     
               De volta do Rio vou almoçar com Bia e trago Amanda para dormir comigo. Ela me conta do navio. Diz que era tão chique que no restaurante não se podia falar. Penso.... não, do jeito alto que ela  fala. Conta tudo sobre o navio que foi nas férias. Fala de Itaipava e da minha velhice. Em determinado momento vira para mim e diz.... sabia que voce tem o mesmo cheiro da tia Marina?  De cigarro? eu pergunto. Não vó de perfume fraquinho. Como se fosse de nene. Não entendi. Parece que gosta.
               No dia seguinte estou esperando Rosana para aula de pintura em tela. Quando ela acorda e ve a mesma no cavalete se surpreende animada. Pensa que vai pintar também. Ainda falta uma hora para minha aula e venho para o note. Acontece que o note fica no escritório onde tem papel, lápis e cola para ela brincar. E, claro, alguns CDs que papai ouve todas as manhas.
Amanda liga o aparelho e Charles Aznavour começa a cantar Que c' est triste Venice .
E ela  canta junto num frances ali da Praça Paris.
De outra vez eu havia dito a ela que aquela musica era francesa. Parece gostar. Me diz que um dia irá a Paris. Se empolga e aperta o botão de repetir; o que me faz não ter duvida de que seja minha neta e bisneta do Tota. kkkkkkkkkkk
O  que me vem é de que a musica nos leva a  transcender. É o sentimento desprovido de  idade. A universalidade do sentimento. Pessoas sem nome e sem um rosto. Imagino o Planeta visto do alto e penso... quanta gente que eu não conheço!!!
 Quantas avós estarão neste momento curtindo esta sincronicidade com uma neta?
Essa coisa que não tem nome, como dizia Saramago. E que não tem idade, diria eu. Que não não tem distancia.
Um momento. Uma manha. Um espaço de 60 minutos esperando uma aula. 
Um mundo  a parte. Os protagonistas ?  Angela, Amanda e Aznavour. 
Um momento de Transcedencia.
Que c' est triste Venise ...
Lá lá lá.... lá lá lá
Que c' est triste Venise
Quand on ne s'aime plus....


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Ahhh aqueles carnavais

                  Daqui da minha varanda do sítio observo papai fumando e ouvindo Romanticos de Cuba pela enésima vez, hoje. E penso... gostaria de ouvir algo mais alegre e sugiro musicas de carnaval, o que o faz se lembrar dos carnavais da minha mocidade. Curioso... não lembrar de sua propria mocidade.. Penso o que ele quer dizer com isso? Imagino que esteja querendo mostrar me o pai companheiro de folias que foi; ou... falaria dos dele e não dos meus. Lembra filha quando voce foi no primeiro baile noturno com quatorze anos? Lembra quando aos dezoito anos voce me pediu para deixar a barba crescer? Lembro, respondo. Eu gostava de barba naquela época.
E começa a falar dos bailes idos no Grajau Country Club com a familia de tia Olga,  Tia Wanda e Tia Diva.
Éramos todos mais jovens naquele ano de 1968. A vida era segura e os bailes também ; talvez por isso eu tenha conseguido convencer papai a me deixar ir ao  noturno. Mamãe não teve de ser convencida de nada. Topava tudo. Queria que vivessemos tudo. Bendita seja!!! Vivemos de tudo na hora certa!!!
Lembro de papai insistindo que eu tinha cara de criança e de mamãe dizendo que era para eu caprichar na maquiagem e usar saltos, ao que injuriada perguntei E como me divertir de saltos?
Só para entra no baile, filha. Depois voce tira e deixa os sapatos debaixo da mesa. Minhas filhas que não leiam esta parte. Eu particularmente  considero infame os finais de festa onde alguma insana tira os sapatos de salto alegando cansaço. Tá cansada vá para casa dormir, mas não desmereça a classe. Já chega o que anda por aí.  Nunca permiti que minhas filhas fizessem isso, pelo menos na minha frente. E olha que Marina tem um dedinho quebrado que não combina com saltos. Mas.... vamos voltar aos carnavais.
A cada ano minha mãe e minhas tias bolavam as fantasias para o grupo todo. Criança e adulto. Marinheiros, feitos com as cortinas velhas,( mas isso é assunto para outra postagem) sarongues, apaches, pareôs.
Os clubes montavam desfiles no quarto dia e muitas vezes ganhamos o segundo ligar em originalidade. Me lembro de pensar que o premio para a categoria luxo era mais legal. Só hoje entendo que originalidade é sinonimo de  criatividade, o que faz de minhas mulheres pessoas muito especiais. Afinal.... fazer bonito quando se tem condiçoes é fácil, do contrário... exige mestria.
No ano que fomos de pareo abalamos Bangu. A orquestra parou e nos cumprimentou com a cabeça. Ganhamos a noite. Havíamos sido reconhecidos em nossos esforços.
O tecido era branco com tons de laranja e sendo assim pintamos nossas unhas de branco e laranja. Um escandalo!!!
Emancipação garantida passar a frequentar os bailes durante o ano foi fácil. Eram bailes com Ed  Maciel e banda. Ed Lincon e outros.
E assim foi que minha juventude foi embalada por musica boa, amigos, parentes e segurança. 
Voltando aos carnavais lembremos um pouco as canções. Mascara negra, Bandeira branca, Tá chegando a hora e a diva Cidade Maravilhosa.
Eram os anos sessenta e o Rio tinha um glamour particular. Era o Rio da garota de Ipanema, da Bossa nova, da Tropicália e do sem lenço e sem documento. Sério. Era assim mesmo. Nem lembravamos de documento quando íamos a um baile. Não precisavamos provar quem éramos. Tudo era mais fácil. Nossa palavra bastava. Bastava que meus pais dissessem na portaria do clube que já tinhamos 18 anos e piscassem os olhos. Estaremos com eles, eles diziam.
Oh saudade!!!
O jardineira porque está tão triste?
Ai que calor oh oh oh oh oh oh.. Vou beijar-te agora não me leve a mal hoje é carnaval!!!!
E mamãe ficava sentadinha esperando a gente voltar para o salão.
Juntava a turma e dizia ...." Bora gente! Mes que vem tem mais!!"
Graças a Deus!!!