Pirenópolis est une petite ville de l'Etad de Goiás fondée en 1727.
O potencial de expansão da consciência que experimento enquanto pinto é ilimitado. Somos todos mestres e discípulos quando se trata de abrirmos a porta da plena realização que está dentro de cada um de nós. Tinta e pincel são para mim companheiros nesta jornada. Aprendiz das letras estendo este espaço para homenagear a cantadora de histórias que há em mim. São casos, reflexões, desabafos,inquietações e outras bobagens. Quase um almanaque. Posso ver os camelos se ajoelhando!
Pirenópolis est une petite ville de l'Etad de Goiás fondée en 1727.
Clube do choro. Mercedes e Indiana
Andei sumida de tudo. Fui para bem longe de mim e estou voltando a pé; e isto inclui o Clube do Choro, que tanto gosto.
Pois bem; ontem a noite desfrutamos de mais um show , Mercedes Sossa por Indiana Nomma.
Indiana é uma cantora hondurenha-brasileira, filha de pais brasileiros exilados durante a ditadura militar, que mora em São Paulo, mas que as vezes nos presenteia com sua voz e presença de palco únicas. Bonita, iluminada, dona de um vozerão e comprometidíssima com a América do Sul. Aquela pessoa que levanta um auditório. Aquele show que tem alma e presença de arrepiar que faz voce acordar no dia seguinte pensando nele.
Em determinado momento quase me senti não pertencente a este continente. Como se o Brasil ficasse um pouco a parte das lutas por sobrevivencia e identidade.
Indiana viveu a revolução ocorrida entre 1979 e 1990 que põs fim a uma ditadura instaurada no país desde 1936.
Sempre vi Mercedes como alguém que tinha tanto uma voz forte e linda com uma sabedoria e capacidade de se reinventar, continuando fosse qual fosse a luta, E isso me fez respeita-la e ser sua fã.
Volver aos 17, Maria Maria, Anos, Gacias a la vida são musicas que foram feitas por uma mulher, Violeta de Parra para serem interpretadas por outras mulheres. Nada contra os interpretes masculinos;
mas a própria natureza delas facilita a condição de ir e voltar quantas vezes forem necessárias e mais fortalecidas.
Enfim foi um show que deu voz a América do Sul, suas lutas e seu povo forte.
Num ano em que o feminicídio no Brasil e no mundo parece assolar o planeta assistir um show desses nos lembra que não viemos aqui a passeio.
Parabéns a Violeta, Mercedes, Indiana e ao clube do choro por manter essas memórias vivas.
As vezes me pego pensando nos destinos de vida de algumas pessoas.
Lucinha eh uma morena de estatura pequena, que nasceu numa cidadezinha do Maranhão, cabelão e muita simpatia. Trabalha numa loja de bijuteria montando peças. Trabalho num cantinho de 1 metro por 1. Encolhida entre miçangas, fechos, correntes e fios de nylon.
Fico pensando que Lucinha veio para viver uma vida encolhida pelo espaço, pelo seu tamanho, pelo seu salário.
É forte porque teve uma avó forte, mas a vida insiste em encolhê-la. Seja pela vida difícil, pelo marido que não a valoriza , seja pelo filho especial de sete anos que tem. Graças a Deus e à sua garra eh simpática e consegue carregar o fardo só. Coisa de mulher. o ultimo drama de Lucinha tem sido a rejeição das escolas em acolher o filho.
Penso que Lucinha deve ter sido criada para nem levantar a cabeça. " Não se estica que a cama eh curta" ou ainda. Não se empina não, vai como os outros Me admira bastante ainda estar por aí tocando essa miniatura de vida . Lucinha eh baixinha, a grana eh curta, o filho já veio "encurtado", o marido eh "pequeno" para com ela.
Mesquinho mesmo, o que eh um encurtamento terrível do ser humano.
Chego na loja e ela está sempre sorrindo. Destino pequeno, sem qualidade de vida, mas uma força e uma simpatia de uma loba. Já se acostumou em não ter um espaço para viver. O único espaço que tem eh a sua fé na vida que a faz ainda não ter naufragado.
Te admiro, Minha Pequena e peço a Deus que sua vida consiga se espandir de algum modo. Nunca eh tarde!
É comum, ao termino das minhas sessões de Biodanza, os alunos e ajudantes me agradecerem pelo trabalho. Na ocasião sempre peço que não me agradeçam e tento conscientizá-los que não fiz nada. Apenas acessei o que já tinha dentro deles, ou digo que é a Bio quem trabalhou e eu só fui um instrumento.
Todos nós nascemos com luz suficiente para brilharmos e vivermos plenamente. Infelizmente a cultura , com suas distorções vai nos podando e apagando nossa luz original. A cultura quer que sirvamos mas não nos permite sermos quem somos; Explico: Algumas atitudes que são reforçadas pela cultura e que seguimos sem questionar. Infelizmente se tornam Lei
Situação 1: Devo me comportar e servir aos outros sempre. Nada contra, se pudéssemos também servir a nós mesmos sem culpa.
Situação 2: Sofri uma decepção amorosa. Melhor nunca mais amar. Assim prefiro não me envolver. Mas esquecemos que quem não se envolve não se desenvolve e daí pra frente amamos "torto".
Situação 3: Nasci autentico e alegre, mas muitas vezes ri alto demais e a sociedade me olhou com olhos que condenam. Que eu faço? Me encolho caverna a dentro.
Situação 4:: Nós, mulheres, somos criadas para passarmos por" santas", o que é uma amputaçao. Curioso perceber o que isso faz em algumas de nós. Cada vez mais as mulheres expõem seus corpos em decotes exagerados, unhas exageradas, e por aí vai. O mundo vulgarizou demais o feminino; No entretanto, na night, é comum percebermos que muitas vezes as mulheres que estão menos expostas são as que tem a cabeça mais aberta e conseguem ser si mesmas, donas do seu corpo e de suas decisões.
Situação 5: Sou homem . Não choro, não imploro, não me apego. Não sofro. Será?
Poderíamos engrossar essa lista , mas fica para outra postagem.
Vamos então olhar com carinho para as 5 " verdades" que as pessoas seguem sem questionar:
1. Por medo me dobro à cultura e me comporto como " manda o figurino".
2. Esta história eu já conheço e se me entregar novamente vou sofrer igual.
3. Preciso ter um semblante sério ou não inspiro confiança. Adoecemos quando não somos espontâneos
4. Prefiro seguir como "gado" do que me expor e ser julgado. Meus gestos eu engesso. Quem sabe no futuro...
5. Chorar, brincar, me entregar, rir bastante pode me comprometer no trabalho e na vida pessoal e não merecer mais credibilidade. Assim sigo neste "papel" que me é conveniente Criamos um personagem " perfeito". Quem sabe assim logro respeito e admiração? ( Admiração de quem já morreu e não sabe)
O que podemos perceber apenas com o material acima.
Me escondo e apareço só numa janelinha em grupos de romance, namoro, paquera. Virtual, claro. Se ao vivo as vezes compramos gato por lebre, imaginem on line. Fora que passa a imagem de mercadoria, como no tempo dos escravos, quando o comprador olhava os dentes, etc.
É mais seguro e não preciso mostrar a cara. Ponho uma fotinha e já me apresentei. Espero curtidas. Fico feliz e corro um serio risco de ser usado, mas com a ilusão de que estou me protegendo.
O ser humano nunca esteve tão só. E a solidão dói. É comum as pessoas dizerem que tem inúmeros seguidores e "amigos". Infelizmente o homem de hoje pensa que as mídias o adoram. Vaidade, ilusão e solidão. Melhor seria ter 10 ou 12 e poder ser quem a gente quer ser. Evitar enterrar a nossa criança. Não permitir desconhecer-se.
Quantos trabalhos terapêutico hoje em dia tentam curar a nossa" criança ferida"!!!
Nos engessaram e nós não só concordamos como nos consideramos cidadãos felizes e de boa fé.
Pois bem a Biodanza vem ajudar a tirar o gesso, a máscara, a ilusão , a própria ignorância. O amigo ao vivo te olha nos olhos. É um convite a mostrar a verdadeira face, rir, chorar, gozar, desistir, se arrepender, tentar novamente, diluir se em abraços, e novas ideias e maneiras de viver. VIVER! Poucos , mas verdadeiros serão seus amigos. Amigos que aceitam nossos filhos com suas escolhas e por aí vai. Acredite isso não tem preço.
Isto é mágico, mas não é ensinado pela sociedade. A Bio tem como proposito um trabalho sério de escavação e busca de nós mesmo.
A Bio é um convite para sairmos da caverna que nós próprios criamos. A Bio, numa linguagem mais primaria, é aquele coleguinha da infância te chamando para ir brincar e experimentar a vida.
Não preciso que me agradeçam ao final das aulas. Apenas puxei o cordão de Ariadne. Mas cada um que
chega com este agradecimento me diz nas entrelinhas que foi acessado. Que tá bem e que ainda dá tempo.
Minha proposta. Dê as costas para o medo do julgamento e arrisque se. É um caminho sem volta. Ainda dá tempo de viver com mais qualidade de vida, com sua real identidade e, principalmente com capacidade de separar o joio do trigo. Reforçar uma identidade saudável é fundamental, antes de tudo e de todos.
"O homem precisa morrer várias vezes para viver bem." disse Nietsche
Ainda dá tempo!!!! Feliz renascimento e vida prospera de autenticidade. Q tal se a gente começar a pensar em usar as redes sociais a favor da vida e não da ilusão? Te desejo vida. Não desistam de si mesmos. Não se escondam!!!
É mais feliz quem é mais autentico. O cara a cara supera qualquer relação virtual.
Chega de relacionamentos líquidos!
Gratidão!!!
O que leva as famílias a optarem por uma outra vida longe da sua pátria?
Sendo neta de imigrantes, no meu caso tanto de Portugal quanto da Alemanha , logo cedo tomei consciência da delicadeza desse tipo de decisão. Os avós de minha mãe deixaram Alemanha de navio partindo do Porto de Hamburgo em 1920. Minha avó tinha então 10 anos.
Da parte de meu pai meus avós deixaram o Portugal por Lisboa. A fé em dias melhores foi o motor de ambas as famílias. Mas não deve ter sido fácil tentar vida em outro país, que não o seu. Talvez daí minha fé na vida.
Não me desespero por pouco. Sei que tudo já estava escrito e quem tem amor dentro de si não foge à" luta."
Sendo assim o mínimo que devemos fazer em memória dos nossos antepassados é tentar ser feliz para fazer valer suas vidas, escolhas e decisões.
A ancestralidade das famílias deve sempre ser reverenciada. Assim dedico este texto àqueles que ficaram, àqueles que se foram e àqueles que se perderam. No momento deixo você, leitor, à revelia porque poderia passar uma noite detalhando tamanha bravura. Não faltara oportunidade. Em breve volto e falo dos que se perderam.
Um abraço!