segunda-feira, 5 de julho de 2010

Uma bruxa


     Ah pera aí! Todo mundo que busca equilíbrio tem que ter uma bruxa para consultar vez ou outra. E das boas! Luiza, to falando de você. Maria Luiza Brito. A nem sempre doce LUIZINHA . Do arroz selvagem ao reiki, do reiki ao banho de cachoeira pelada, do brinco de argola e do baton laranja, do cabelo vermelho porque se nega a envelhecer loura, do tarot, das runas, do papo com as árvores, dos atritos com o Miguel, da meditação, do tantra, da firmeza de opinião, do incentivo que dá às crianças para que leiam, do toque do tambor, do almoço as cinco da tarde, da varredura com a vassoura xamanica presente de casamento do grupo de mulheres), das dores, das Chagas, das maselas, da doação eterna, do papo cabeça lá em Tibáu, dos movimentos ecológicos, das ervas que semeia, dos chás, das receitas, dos rituais, das danças circulares, da biodança, das constelações, das inquietações, dos mistérios, da luz, do eterno humanizar-se, do irmanizar-se. É minha irmã. Tipo aquela irmã mais velha que a gente inveja porque sabe tudo que ainda não sabemos. Casou, mudou para Pipa e lá ,bem longe de nós, mas tão junto dos nossos corações, busca determinada sua felicidade com o Ro a que preço for. Planta coco, planta salsinha, vai a praia, dança, ri, chora até desidratar, grita na mata, acende velas, levanta o queixo, bate tambor, sacode a poeira da palavra SER, encanta, desencanta, é feliz. É grande. É mulher que corre com os lobos. Com o pé no chão, no aqui e agora, no inhame que vira purê, no suor da lida, no banho com sais e cremes canadenses. Nas dores e nos amores pelos irmãos e sobrinhos de Brasília. Meio que Lia Luft na vida ,acaba de ler um livro, limpa o suor do rosto e engrena em outro. Sábia, desacelera-se dia a dia. Busca o aqui e agora. É a xamã. É vida e menopausa, luz e contração, um lado sombra do hilário, ridente, gostosa, amada, é o tarot das deusas e o da cigana. É Gaia. É Perséfone. É Coatlique. É Kuan Yin. A grande mãe terra que vigia seus filhos (nós). Pura força telúrica. Sabedoria. Determinação. Compaixão. E é saudade. Muuuuuita saudade no meu coração.





Prece à totalidade



      Pai que o turbilhão da vida não leve para longe tudo que um dia eu sonhei. Que o dia a dia não tire dos meus olhos o brilho original. Que eu me deixe levar mais pela emoção do que pela razão. Que eu consiga, ao fim do dia, recarregar meu ser de felicidade. Que cada vitória alcançada não seja esquecida e que as estrelas alimentem minha esperança. Que eu busque novos sabores. Que eu não esconda meus sentimentos e nem me acostume a não admirar o mundo. Que eu não me distraia da tarefa de ser feliz. Que eu tenha menos motivos para chorar do que para sorrir. Que eu não apenas cumpra minhas tarefas, mas saboreie-as.Que nenhum momento especial passe desapercebidos. Que já não precise de tantas certezas para ser feliz. Que eu encontre a estrela que ficou perdida na estrada da minha vida. Que eu tente sempre simplificar e que não busque o mais difícil me confundindo no trivial. Que eu tenha a competência necessária para fazer da minha vida uma aventura na prática do bem, sendo mais protagonista do que espectadora. Que eu possa descansar um pouco na certeza de um amanhã renovado e feliz. E que em minhas fraquezas eu consiga ter o carinho e a tolerância que mereço comigo mesma. Amém.

Por não querer não tê-las como amigas...



    Não lhes parece incrível que quando estamos a todo vapor, nos sentindo cheios de energia, a gente acaba virando os dados do destino e adoece? E o mundo acaba por mudar de posição para nós? Tenho sentido saudades...Dos cachorros, das netas, da rua (como gosto da rua!), de minhas amigas, meus amores. Tento jamais mal humorar-me, mas, sabe Deus que preço pago . Leio um pouco, assisto um seriado, falo ao telefone, e, principalmente abro meus emails; o que mais me preenche neste momento. É porque aí eu rio muito com Monicat , com Bia e, entre outras coisas, me delicio com o modo de Ana Austim se comunicar. É muito genuíno, muito ela mesma. Só a Ana para dizer__”somos assim tão ...tantas...não é amiga?”.
       Outro dia ela me passou o número do seu celular da seguinte maneira:__”anote aí 82030101, fácil que nem tele pizza!”Já a Monica é diferente. Pelo título do email a gente sabe que é dela e você pode vê-la dramatizando a mensagem. Ela fez artes plásticas. Por que não fez as cênicas? Cada uma com seu perfil tão próprio, tão singular.
       Quando é da Thereza até o Negão já sabe por causa do teor filosófico religioso e dos fundos musicais. Estou convencida. Saudade é o amor que fica. Tenho sentido muito amor por essas amigas que me cercam e me espreitam. Há mais de ano que nós, da confraria da pintura, insistimos em começar um grupo de papo terapia cada um por si e uma vez por semana todos por todos. Mas nunca vinga. Corre corre, compromissos. Nada acontece. Assim, nos cuidamos durante as aulas mesmo. Aqui e acolá alguém pinta um pouquinho, mas está longe de este ser o objetivo do curso .Parece que insistimos em pintar só por não querer perder o papo. Sabe quando você vê um sapato numa vitrine e pensa __já tenho nhenhentos, não preciso. Mas aí você compra só por não querer não tê-lo? Talvez seja este o sentimento. Já que não conseguimos começar a terapia uma vez por semana , e não queremos não tê-la a coisa rola nos dias de aula. Tão bom , tão intenso...Tudo levado a sério. Temos até supervisão. Rosana não sabe, mas a supervisão é dela. Pessoa legal demais!Super flexível. Quando ela percebe que durante o aconselhamento ela tá nutrindo seu monstrinho ela cai em si, pede um amém e a gente pinta um pouco. Simples assim... Me aguardem, eu volto. O ateliê, por si só, daria um livro!. Fui...

Tia Lurdinha



       Meu Deus, to triste, Beatu Salu se foi.Tia lourdinha, irmã de minha sogra, faleceu. Zé a chamava de Beatu Salu, porque ela buscava muito a religião; e, quando se é jovem não valorizamos tais posturas. Não me lembro dela dando palpites, lembro-me dela sempre tentando somar. Tentando abrir os nossos olhos quanto aos valores que permeiam nossa sociedade. Era quietinha. Mais observava do que falava. Quase uma sombra. Aqui e acolá vinha a Itaipava para uma visita. Não tinha carro. Vinha de ônibus mesmo. Pura doação. Assim como era pura doação as visitas que ela insistia em fazer aos doentes e necessitados, aplicando Johrei( daí o apelido). Como queria ter dito a ela que seus móveis e lençóis teriam sido bem vindos. Eram lindos e sua intenção, mais bonita ainda. Acho que em algum momento se perdeu um pouco, assim como todos nós. Toda vez quem vinha nos ver ficava em mim a impressão de que não tinha falado tudo, ou o mais importante. Quantas dores, amores e medos se perderam naquelecorpo? Quantas alegrias simples seu coração experimentou.
         Mas que vida é esta que a gente vive tão junto e tão distante dos que estão próximo? Onde é que está escrito em letras garrafais que tentar se aproximar é invasão? Parece que precisamos ser o mais discretos possível. Quase formais. Como se não fosse de bom tom nos envolvermos. Será que quem não se envolve se desenvolve? Me parece que não. Quantos momentos perdidos, quantas chances de estreitamento dos laços foram ignoradas. Estaremos cegos, surdos, engessados? Alguém aí tenha a bondade de me ajudar a entender em que momento decidimos que é mais criterioso ser discreto? Sim, porque caso se interessar pelo próximo seja errado, gostaria de rever estes valores. Tanto já se falou de amor, de união. Tudo teoria? A vida não para...E nós reféns da cautela e do medo perdemos tanto... Oh Deus, não deixe que eu continue perdendo. Se tiver que ser intrometida, que seja. Se o melhor ainda é arrepender-se do que foi feito em detrimento do que não foi. Que eu enfim me permita humanizar-me "invadindo" ao máximo aqueles que me toquem o coração. Sem arrependimentos. Eles um dia compreenderão...






O que é bom?



         Nem sempre é bom, nem sempre é leve, nem sempre é fácil. Dias sim, dias não. Tpm, tesão, Cordon bleu e feijão. Bom é quando, em meio a rotina que nos distancia, ouvimos do outro que ainda assim ele fica. Fácil é a relação verdadeira onde pode chegar um parente para morar conosco e a gente estica a casa, o quarto, a paciência .Bom é quando o outro leva o nosso remédio na cama, e em seguida o cafezinho .É programar cada viagem em detalhes perguntando sempre ao outro. Mais algum lugar? Qual o hotel? Quantos dias? Os homens que nos perdoem, mas soberania está para nós, mulheres, assim como futebol está para vocês. Paciência, somos mais complexas. Façam um esforço.
          É viver o luto dos entes queridos e assumir junto as seqüelas dos days after. É soprar a favor das decisões do outro. É, entusiasmado, dizer que prefere o seu cabelo grisalho .Com mechas naturais. É sentar-se para discutir a relação e, no dia seguinte, esforçar-se para mudar. É ficar apenas porque ainda não se tomou todos os expressos que queríamos tomar. Ficar porque ainda não fomos a Provence. Ficar na esperança de se poder estar mais junto, mais leve, mais inteiro. Ficar e afastar meus medos , minhas crises, meus ais, ou ficar porque o Brasil perdeu e não quero chorar sozinha. Ficar apenas e escutar a minha alma. Ou, apenas escutar a minha alma e ficar.

Da janela ( com o brasileiro há quem possa)


     Da janela do 1015 vejo o sudoeste ir se despindo da névoa da alvorada , cobrindo-se de sol para mais um dia. Avenidas preguiçosas parecem não querer acordar. Alongadas e silentes. Pouco a pouco vão se humanizando de um Brasil que tem fé e esperança, que sonha e acredita, que se bronzeia e que ara a terra, que corre e descansa, que emudece com o fim da partida de futebol, mas segue em frente firme. Me pego pensando em quantos brasileiros estarão à janela no mesmo momento que eu, olhando a vida desta tão querida cidade que nos acolhe . Dia de sol. Dia brasileiro. Dia de copa do mundo.
          Emoção, fogos, gritos, Brasil na rua de camisa verde e amarela. Festa, empolgação e coração. Passa o tempo, passam os minutos, só não passa o Brasil para as finais. O peito aperta. Ausência de som, ausência de folia. Cessam os fogos, os corações apertam e os olhos choram. Da janela o movimento do Brasil me lembra cena do livro Ensaio de uma cegueira, do Saramago,(um mago das letras e das emoçoes). A volta ao lar. Luzes se acendem nas avenidas. Faróis se acendem nos carros que, como sonâmbulos, conduzem este país de volta a casa com a missão cumprida. A missão de construir este dia a dia independente do gol que não veio, do pobre que não comeu, do grito que não saiu da garganta, do salário que não deu, do amor que não voltou. Pouco a pouco as avenidas irão se esvaziar e, todos em casa, com uma nova chance vão sonhar. Um sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. um sonho que se sonha junto é realidade. Basta acreditar e mais quatro anos esperar.

Rir ainda é o melhor remédio

    De volta ao Spa HFA. Como disse em uma postagem anterior, a vida me parou. Na marra. Me deu férias. Não que eu não goste, mas me pegou de surpresa. Afinal, que eu me lembre, seria ou (quero crer) será de 16 a 29 de agosto. Destino: Inverness. A capital das highlands. Escócia. Calma, calma juro que trarei fotos do Sean Conery caso o encontre por lá Porém, a minha intensão maior é encontrar a Rosamunde Pilcher ou seu filho Robin. A esperança é a ultima coisa que morre.
        Mas o que me trás desta vez é o desejo de compartilhar momentos preciosos,verdadeiras pérolas da rotina de um hospital...
          Ontem à tarde estava eu, tranqüila ,assistindo a mais um episódio de BROTHERS AND SISTERS no notebook, sentada na poltrona do quarto. Quem já esteve hospitalizado, ainda que por dois dias, sabe que a gente fica dançando a dança das cadeiras. Ora na cama, ora na poltrona, ora na cama do acompanhante. Talvez seja uma necessidade interior de ver a situação sob outra ótica ou revesando as dores no corpo de ficar numa mesma posição.
        Graças a Deus tenho um acompanhante. Gracinha ele. Seu apelido? Negão.... O grannnnnnnnnnnnnde Negão. Sempre alerta e obediente, sempre prestativo. Obsequioso, mesmo. Acontece que há muito tempo não tira férias e a correria não é mole, não. E vamos que vamos, no automático, tudo bem. Lembrem-se a intenção é sempre boa. Enfim, veio para acompanhar, mas aqui acolá tira uma soneca. Tarde friazinha de Julho, almoçou bem, dormiu....Ninguém melhor do que eu pode entender isto. Voltando ao assunto. Empolgada com o seriado, eu não tirava os olhos da tela e eis que batem à porta. Uma enfermeira gentil me cumprimenta com um sorridente “ boa tarde” e diz que veio só medir a pressão, no que eu concordo com a cabeça....Mas ela não chega perto de mim. Levanto os olhos da tela e, perplexa, vejo que ela está medindo a pressão de quem? Dele mesmo. Do Negão. Penso. Puxa, legal ela! Percebeu que ele já teve um AVC e tá cuidando dele tambem! Que upgrade no atendimento hospitalar brasileiro!!! Mas, como nem tudo que é bom dura muito, ouço-a despedir-se de mim com um sonoro OBRIGADA, no que só me resta dizer HELLLLLOOOO! A paciente sou eu.! Risos...(Ai... desculpa, Negão, te acordamos???) risos...again!