quinta-feira, 19 de julho de 2012

As aventuras de cachinhos ruivos e Bons modos

                Era uma vez duas irmãs. Cachinhos ruivos, uma pimentinha levada, assim chamada por ter seus cabelos ligeiramente encaracolados e ruivos e Bons Modos, uma menina calma , concentrada, e educada. Sempre com bons modos.
Cachinhos era levada da breca, como dizem os antigos, e gostava de ver o mundo de cima. Das árvores. Um molequinho! Enquanto Bons modos era bem comportada. Uma mocinha!!! diziam.
                Estas duas irmãs passavam férias no sítio de seus avós lá longe. Na serra do Rio de Janeiro. E a cada ano viviam aventuras das mais variadas naqueles meses de férias escolares tão esperados.
             O sítio era grande cheio de árvores e cachorros. Coelhos e passarinhos. Uma avó e uma bisa, ambas gordinhas e sempre de aventais a preparar algo na velha cozinha do sítio. Um avô mágico e um tio meio " lelé "da cuca.
                 As crianças da vizinhança eram os coleguinhas de férias da meninas. Tinha o Sílvio, o Romulo, o Cristiano, As meninas da dona Néa , os meninos da dona Célia e a Luciana filha do seu Teixeira.
 A patota estava sempre pronta para brincar de "lateiro vivo", pique pega, football , cabuti e amarelinha.
                Tinha a prima Cynthia que, como morava no Rio, subia a serra para estar com as duas e interpretava apresentações dos  saudosos Balão mágico  e Trem da alegria.
Alegria era o que não faltava. Muitas vezes no meio da tarde entre um mergulho na piscina ou uma partida de ping pong a vovó chegava com um bolo quentinho, recém saído do forno. Outras vezes chegava com um ovinho de codorna fritinho no meio de um mini pires para Cachinhos ruivos. Em outras ocasioes  a bisa  aparecia com biscoitos crocantes e deliciosos.
              Na cidade tinha um kart e um museu onde a criançada ia uma vez ou outra para curtir algo diferente; mas o que mais acontecia era delas brincarem no enorme quintal do sítio. Ali viram cachorrinhos nascerem, pombas sairem da cartola de mágico, gatinho dormir em cima da barriga da avó e cavalo trazendo noiva de festa junina entrando pelo quintal a fora.
                 A cada férias tinha ou o mesmo velho cachorro ou um novo no pedaço. Mas a Fafá....
A Fafá e a Tábata foram duas cadelinhas especiais. E a cada vez que pariam era uma festa para a criançada.
                 As meninas foram crescendo e gostavam de levar amigas de Brasília para lá também. Certa vez cachinhos levou tres amigas e uma professora da escola. Ficaram todas alojadas no maior quarto de hóspede que tinha. Até hoje quando vemos as fotos imaginamos a bagunça que não fizeram com a vó Ilse.
             Avós não faltavam por lá. Tinha a vó Ilse, a numero um, a vó Emília, numero 2 no coração delas  e quem fazia as roupinhas das bonecas,e outras. A Carminha, A Charlote e a Aldina. Cada uma com um seu jeito diferente de ser. Uma vez Cachinhos surpreendeu a vó Charlote rezando o terço e ficou encafifada. Disse para Bons modos.... Se ela reza tudo isso mesmo eu não sei, mas que as bolinhas andam.... andam!!!
                  Quando estavam sozinhas sem amigas ou primos iam caminhar pelas montanhas com aquele tio meio lelé da cuca .Ele era bom nisso. Tinha espirito aventureiro, como dizem quando alguém é mais ousado ou inconsequente.
                 Nas noites de  inverno este tio assava lhes batatas doces na lareira da sala e era uma farra. Ninguém queria sair dali para ir para a cama. Pudera...ali estavam quentinhos a ouvir histórias com pipocas e tudo mais.
                  Quando as férias acabavam todos ficavam tristes. As meninas, os avós e os amigos pois sabiam que teriam que esperar até as próximas férias escolares.
                   As meninas foram crescendo e ficaram moças.
Bons Modos teve duas filhas que, hoje em dia, frequentam o sítio com os filhos dos amigos com quem elas brincavam. Tem o Gabriel, filha do Silvinho, a Mel, filha do Cristiano e quem mais chegar, como diz a musica.
                   As avós maiores já morreram e os filhos dos filhos agora curtem a vó Angela, o vô Negão e o biso Lito. O vô Zé e a bisa Carminha.
                   Esta historia entrou por uma porta e não quer sair por outra. Quem lembrar de mais aventuras vividas ali  favor terminar a história....
               
        
               

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ah...para com isso!!!

               Sério. Não me venha com esta conversa de gato preto ou espelho quebrado. Acho medieval certas crenças e a força que elas exercem na vida das pessoas.
               Certa vez, em um almoço pedi que me passassem o sal e a pessoa não me entregou na mão para não dar azar. Isso me dá uma preguiiiiiiça!!!
               Penso que as coisas acontecem para o nosso bem e que um Deus Muito Maior sabe se dou ou não conta de atravessar esta ou aquela fase "ruim". Para isso estou aqui no planeta. Para aprender com minhas experiencias, dores e amores, como dizia a sábia Carmem da Silva. Que Deus a tenha.
               O que me traz a escrever este texto é algo simples. A maneira como encaramos a vida.
               Há dois meses apareceu um tumorzinho na cabeça de papai. Parecia um machucadinho e estavamos tratando  com pomadas e cicatrizantes. Como não diminuiu levamos papai ao medico e para surpresa geral o " machucadinho" é um carcenoma que requer uma cirurgia e biopsia o mais rapido que pudermos.
Sendo assim hoje pela manha fomos fazer os exames laboratoriais. Saindo do laboratório olho para o recibo e vejo que hoje é sexta feira 13. Comento: Gente hoje é sexta feira 13. Papai prontamente responde....." Vai nos trazer sorte!!"    Eu digo......É!
               Sempre me orgulhei da sabedoria de meus pais, pessoas que não tiveram estudo academico, mas que tiveram a sorte ou a competencia, como gosto de dizer, de terem cabeças abertas.
               Mamãe também achava a superstição uma grande bobagem. Dizia que a sorte da gente dependia da gente. Simples assim!!
              Estamos tentando correr contra o tempo para tentarmos que papai seja operado no dia 23. Até porque dia primeiro estaremos indo para Itaipava. Se tiver que ser será. Só nos cabe fazer o nosso movimento e entregar o resto a Deus.
 Ponto final Futebol Clube. com.br
               

segunda-feira, 9 de julho de 2012

I didn't know I was brazilian and carioca till I travelled


               Na estação de trem de Avignon, um verdadeiro contraste com sua arquitetura moderníssima considerando a cidade medieval e murada que é Avignon,  França, esperando pelo TGV que nos levaria de volta à  Gare de Lyon em Paris puxo conversa com um canadense e acabamos que filosofando um pouco.
               Conversa vai conversa vem ele diz que a lingua mais bonita de se ouvir é o portugues. Segundo ele sonora e macia. E me pede que fale um pouco. Começo a dizer coisas e ir traduzindo quando ele me diz que não precisa traduzir.... "Não importa o significado" diz ele , só preciso ouvir.
Ora, como boa carioca que sou, começo a cantar Garota de Ipanema para ele. O homem se arrepia e fecha os olhos em doce deleite. E, neste momento, me descubro carioca além de brasileira.
                A gente ri e começa a falar sobre as diferentes culturas e diferentes costumes de cada povo.
E ouço dele o seguinte...." I didn't know I was a Canadian till I travelled aboard"
               Olho para ele e concordo dizendo a ele que também gosto de refletir e filosofar sobre as coisas.
             Digo a ele.... " Só soube que era alegre e talkative ( carioca ) quando viajei para fora." As pessoas lá fora descobrem que sou brasileira pelo sorriso fácil e pela "ginga", é claro!
             Também descobri que era brasileira quando aprendi que não se toca num garçon ou se assovia para o mesmo.
             Percebi que era brasileira quando notei que as vozes dos brasileiros se sobressai às outras num hall de hotel, por exemplo. Ou ainda quando percebi o quanto os brasileiros são gratos a uma informação dada que o ajude a se encontrar pelas ruas deste mundão.
               Enfim eu poderia listar as inumeras mancadas  vivenciadas lá fora ,mas preocupada com a minha imagem prefiro não citá-las.kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
               Todos sabemos que viajar é uma arte e uma escola à parte. A gente aprende muito dos lugares, mas aprendemos muito sobre nós e nossos costumes também. Talvez na mesma medida.
               Daí volta-se para a Terrinha e  muda-se alguns, insiste-se em outros. É assim mesmo. Afinal é sabido que é através das diferenças que nos surpreendemos e porque não dize-lo, crescemos. E se mudarmos tudo para nos adaptarmos a tudo perdemos nossa essência, a nossa identidade tão brasileira. Não deixa de ser um auto-conhecimento  prático eu diria.
               Assim....... Voilá!
               Continuarei pedindo a cada garçon que nos tire uma foto. e a agradece-los pegando lhes o braço.
               Gosto de gente e gosto do contato. Penso no lado humano do gesto. Se fica feio ou não.... bem.......... depois eu penso nisso. Será???
             
               
               

quarta-feira, 4 de julho de 2012

E Deus criou Brigitte Bardot

           

               E a viagem à Provence saiu.
Precisava ir lá ter com as lavandas e lavandines da região.
Qualquer coisa..... " out of this world " para começar.
Começamos a Viagem por Paris com seus cafés, museus, igrejas e boemia.
Como não podia faltar fomos ao Moulin Rouge e assistimos um dos shows mais bonitos visto por esta que lhes escreve.
Mas a Torre Eiffel....  Com aparencia solida e simples ao mesmo tempo. Com suas curvas e e tronco alongado.A Torre Eiffel me lembrou uma mulher. Uma francesa misteriosa e gamurosa. Daquelas tipo Brigitte Bardot. Debaixo da torre me veio a imagem de BB na cabeça e lembrei da frase dita por alguem .... " E Deus criou Brigitte Bardot ".
Em Paris passeamos, fotografamos e demos nossas mancadas, como todo brasileiro seria capaz de dar.
Uma das vezes em que procuravamos a estação de Metro, por exemplo, do nada nos aparece um rapaz linnnnnnnnnnnnnndo que além de nos informar nos levou  ao local.
Impressionadas com a beleza do rapaz Ro e eu aproveitavamos para tecer elogios a ele em portugues até que chegamos na estação e para me despedir  agradecida pelo favor  tão agradavelmente prestado pensei em dizer-lhe que era " trés gentil " ( muito genti l),mas..... como com o inconsciente ninguem pode eu disse " Tu és trés jolly." O que significa....( Voce é muito bonito ). O rapaz fez cara de surpreso e so neste momento eu percebi o lapso. 
Tinha tambem a Etoile, uma menina de uns sete anos que ficou amiga da gente. Morava num mercadinho na esquina do nosso hote onde compravamos vinho e guloseimas. No primeiro dia ela achou a estrela que trago ao pescoço bonita e gritou para que os pais olhassem. Na hora não entendi, só depois de saber seu nome. Etoile, estrela, Estela.
          Monparnasse,  discreto bairro que nos acolheu, Monmatre com sua bohemia, as igrejas e o City tour  privado que cobriu cada ponto turistico com direito a um Croque Monsier vez ou outra, além de um chocolate  com uma torta de limão Siciliano no Angelina Café. Um cafezinho no Café de La Paix e outro no Des Magots. E tome de Metro quando estavamos por conta própria. 
          Ro e eu apanhando para conseguir falar do orelhão com o Brasil não deixavamos  a telefonista completar sua fala e voltamos a Tabacaria onde haviamos comprado o cartão pedindo ajuda. No que tivemos o obsequio do dono da Tabacaria nos acompanhando até o orelhão e fazendo a ligação para nós. Algo tão simples!!! Que frances bonzinho!!!
              Do mais era acostumar-se ao teclado versão europeia dos computadores nos hoteis e a surpresa ao ouvirmos do recepcionista do hotel de Paris que poderiamos ligar para o Brasil sempre que quisessemos e que não ultrapassasse de 2 minutos. Uma novidade,( para mim pelo menos).
            Mas a Provence............. merecia um texto a parte......... É show!!!!!!!!!!!! e nos apresenta um desfile de mulheres ligeiramente bronzeadas com aquela aparencia saudavel do campo. Mulheres com rostos originais e elegantíssimas. De novo a beleza de BB e das mulheres de Monaco. Nem um pouco peruas, extremamente bem vestidas na simplicidade da vida provençal. Sapatos de salto medio e roupas bem cortadas. Um Baratooooooooooooooooooo!!!
                Fiquei impressionada com a decoração na Provence. É um rústico com detalhes modernos. Tipo casa Vogue, sabe? Enfim......muito bom gosto. Como disse minha amiga Francisca a simplicidade da França é luxuosa. Assim como era BB. Ainda ontem fui ao teatro assistir uma apresentação de ballet de Amanda e teve um ballet sobre a Marilyn Monroe. Fiquei pasma de constatar que BB era infinitamente mais bonita que ela e com muito mais bom gosto. Uma mulher naturalmente bonita que não precisava apelar para nada.
               Cobrimos a Provence guiadas por duas mulheres que falavam frances, ingles e espanhol. Num carro super confortavel somente para nós tres. Ro, Negão e eu. Um mimo que nos concedemos. Tudo na Provence parece leve, de bom gosto e saboroso. Todas as avenidas fechando em arcos de Bordos plantados de um lado e de outro. Um retorno à vida saudavel e natural.Sofisticada  na medida certa. Tem se a impressão de que estamos vivendo com o charme e a segurança de 30 anos atras.
          Voltando a Paris chovia uma chuva fininha que se transformou em sol na manha seguinte nos ajudando a visitar os lugares ainda não visitados.
O Bateau Mouche, o Louvre, O Dorsey, a Ópera e a Galeria Lafayette,  outra vez, e....... ultimas compras.
               Graças a Deus perdemos mais uma vez a grana do seguro que cobria saude e chateações.
                Enfim ....a viagem foi maravilhosa e renderia mais  se a memória não me falhasse neste momento. 
                 Eu volto. Fica o compromisso.
          
                                                        

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Familia, uma questão de se ter uma boa receita

                                                                   
Trechos do livro "O Arroz de Palma" de Francisco Azevedo.

"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema... Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir... Mas a vida sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente...Já estão aí? Todos? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Munière; Família ao Molho Pardo (em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria). Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir. Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.
Aproveite ao máximo. Família é prato que quando se acaba nunca mais se repete."

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Uma Highlander!!!

          Deixo a clinica onde Ximbica está hospitalizada há tres dias e pego a estrada de volta para casa. Ligo o rádio e está tocando a música Secrets of Philadelphia, ela mesma. A do filme, belíssimo por sinal. A musica fala de dor e abandono, medo e perplexidade. Neste momento decido que vou chegar em casa e escrever algo.
          Ximbica é uma Fox Paulistinha. A cadela mais dócil que já se viu. E uma guerreira. Ganhei Ximbica ja fazem dez anos e levei para a mamãe em Itaipava. Com mamãe ela se tornou uma Lady. Doce e obediente, diferente do Tixo, seu irmão que hoje é da Bia.
          Mamãe faleceu só com ela em casa e me contaram que ela não deixava o pessoal chegar perto. Sofreu, a coitada. Marina a trouxe para Brasília e ela tem sido sua companheira desde então. Já se vão seis anos.
          No ano passado Ximbica esteve internada por uma semana. Descobriram um cancer avançado e retiraram um de seus rins. Sobreviveu a trancos e barrancos vomitando dia sim dia não.
No final de semana passado Ximbica não levantava mais. Marina levou a para a Clínica onde estão tentando tirá-la do quadro de quase falencia do outro rim. 
          A medica nos diz que quarenta por cento do rim é uma pedra. A questão não é se ela vai ou não sobreviver. Ainda que sobreviva terá que ser acompanhada periodicamente. A questão é..... Quanta força pode ter esta cadelinha que é tão doce quanto valente?
Ela nos olha profundamente. Um olhar cheio de dignidade. Apenas se percebe o medo que sente porque as vezes os olhos aumentam de tamanho, como acontece quando eles, os cães, se sentem ameaçados.
          Olho para ela e digo a ela que a amo desde o dia que ela chegou para mim naquela caixinha de sapatos Orthopé. Uma marca de sapatos infantis. Ela parece dizer que sabe disso. Não é viagem minha. Juro!
          Procuro massagea-la carinhosamente repetindo quantas vezes for preciso o meu amor por ela.
          Uma das taxas que tem como numero de referencia 40 estava a 1020 quando ela chegou na clinica. O segundo exame já mostrou que desceu para 320. Durante a visita de ontem ela mostrava que queria chegar mais perto e quando eu peguei o celular para fotografá-la ela se ajeitou numa pose que sempre faz. Detalhe: Quando chegamos lá ela estava distante e totalmente estirada no colchaõzinho.
          Hoje o quadro já não foi mais tão leve. Estava com soro, alimentação pelo focinho e usava um colar Elizabetano para que ela não tentasse tirar os tubos como vinha fazendo.
          Já não é mais ela que meus olhos veem e sim uma Highlander, como bem disse a dra Katiane.
Falo mais uma vez para ela do meu amor que será incondicional ainda que ela não suporte mais as dores e queira ir.
         A letra da musica diz não ver anjos esperando por ele e choro pedindo a Deus que ela não sinta o abandono que a letra fala quando não estamos por lá. 
          Marina diz que quando ela se for não vai mais querer se apegar a cãozinho algum. Pergunto... Mas e os dez anos que ela nos trouxe tanta alegria e docilidade? Não valeram?
Valeram sim. E muito. Temos medo da perda. E sabemos que a dor dela é maior que a nossa pois é fisica, emocional e apavorante.
Peço a Deus que a passagem dela seja indolor e que ela se vá sentindo todo o amor que ela mereceu e merece em seu coraçãozinho.
          Que os anjos a recebam . Ximbica, nossa highlander.

Dois dias depois

Na sexta feira uma parada respiratória levou Ximbica de nós.
Foi um dia triste " pra cachorro"!!!
Pela manhã Marina foi ve-la e ela brincou um pouco. Deitou a cabeça na perna de Marina e ouviu desta que se ela estivesse cansada demais podia ir desde que fosse se sentindo amada.
havia uma possibilidade que ela viesse para casa no final de semana. Mais tarde fui ve-la com o Wilson e ela ainda respondeu um pouco a nossos afetos. Muito pouco. A tarde uma nova radiografia descartou a possibilidade de vir para o final de semana.
Diseram-nos que ela andou pela clinica livre dos tubos, fez coco, se alimentou e foi brincar de cavucar o chão, como sempre fazia.
E brincando.........
Penso que ela teve na visita de Marina a visita do anjo que eu pedi acima. Marina foi a pessoa que ela mais amou depois de mamãe.
Tanto com mamãe como com Marina ela conversava com o olhar.
Amanhã, dia 30 de Maio será cremada no Paraíso Animal.
Afinal..... os Highlanders costumavam ser cremados.
Preciso acreditar que a estas horas ela está feliz e sem dor embora  não possamos testemunhar o fato.
O sentimento que me vem é de desolação por não poder abraçar o inabraçável.
Como diz a musica.... to touch the untouchable sky.

     

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Fico pensando se é valido

          Não me cabe o papel de rabugenta, mas escrevo para inquietar, fazer pensar. Fazer o que se acredito no recurso???
          É sabido que a sociedade e a mídia projetam papéis algumas vezes nada verossímil à vida nossa de cada dia. E sabe-se também o quanto nós, os manipulados, nos esforçamos para nos adequarmos a imagem tão bem trabalhada(?!?)
          Observando outdoors e publicidades em revistas percebo claramente a que público se dirigem os mesmos.
           Falemos por exemplo da Terceira idade. Me recuso a chamá-la de Melhor idade. Me parece deboche ou premio consolação. Tendo a longevidade e a qualidade de vida aumentado (para alguns) graças à ciência e a comportamentos adquiridos nos últimos tempos o que vemos nos outdoors de planos de saúde, títulos de turismo ou implantes dentários são casais bonitos que aparentam realização ,saúde e paz de espírito de fazer inveja. Verossímil ou não me passam um sentimento legal. Tipo: É ... to chegando lá, mas não parece tão mal.
          O mesmo acontece com a imagem de quem está almejando a compra da casa própria  Geralmente casais jovens com filhos nos ombros em meio a uma natureza verdejante gargalhando de felicidade.
          Os dirigidos às mulheres entre 30 e 40 anos exibem mulheres poderosas, bem sucedidas na profissão empunhando bolsas como as das executivas Nova Yorkinas ou  sexualmente resolvidas haja visto os beicinhos ou olhares que traduzem prazer.  Geralmente... dressed to kill.
          O que me incomoda e entristece é ver as fotos que se dirigem aos mais jovens. Aqueles entre 16 e 22 (?) Mais ou menos. Estes que, via de regra, seriam os que poderiam exibir melhor saude e  alegria de viver nos aparecem com um olhar ora distante ora perplexo, frustrante e vazio, indiferente e alienado.  Sofridos enfim.
 Fico pensando.... ora que público tão desesperançado é este? Logo o mais jovem? Impossível. Penso nas minhas netas  brincando cheias de vida. O que acontece com a pós infância hoje em dia? Como educadora compreendo que é uma fase difícil para o adolescente, mas desesperança e alienação me incomodam . Muito. A ponto de me fazerem escrever um pouco.
           Me parece uma forçação de barra. Puxa vida! E se de tanto vermos tais imagens nos convencermos desta realidade doente?
           Sei não. Me lembro de , quando adolescente, haver uma propaganda de um tennis que tinha como refrão...." Pise firme que este chão é seu!". Ouvir aquele refrão me passava uma fé e uma força difícil de serem encontradas hoje. 
Uma pena!  para dizer o mínimo.?
Fazer o que?
Que tal começarmos a pensar um pouco?
Só uma sugestão. Rabugenta para muitos.