sexta-feira, 30 de julho de 2010

Chame Gente!

         

       Sempre acreditei no encontro. No estar juntos. Insisto em dizer que só é triste quem se sente só. E é claro que conforto material, bebida, fumo, música alta ajudam. Ajudam sim a anestesiar as pessoas para que continuem sós. Quantas vezes numa roda de Biodança passou pela minha cabeça que se as pessoas não abrissem mão das pessoas, não precisariam drogar-se tanto. Toda vez que ouço a notícia de alguém que morreu de overdose, por exemplo, fico perplexa de imaginar que ela não tenha encontrado alguém, contado com alguém. Perdeu o “bonde”, se escondeu , não foi para a vida, não gritou, não se espalhou. Perdeu-se de si própria!
         Bia, minha filha mais velha, foi muito feliz quando colocou no seu convite de casamento um trecho de uma música de Marisa Monte que diz: No meio de tanta gente eu encontrei você. Porque o que mais pode ser essa vida além de encontros? Roberto Crema, terapeuta de luz, pontuou tão bem quando disse: Ninguém cura ninguém e ninguém se cura sozinho; as pessoas se curam no encontro. Parece que não valorizamos o que é básico e buscamos a cura no consumismo, na droga,na solidão.
       Minha grande amiga Monica Filizola é antes de tudo outra terapeuta de luz, assim como o Roberto. Faz do seu ofício cura sagrada, seja na Biodança, nas Constelações Familiares, no abraço que nos banha de cuidado perene, na escuta, no Minotauro, e demais workshops. Inventa, reinventa, é incansável e determinada porque acredita na parceria, no colo, nas mãos dadas, no olhar que desvenda a nossa alma. No auge de um encontro de Biodança muitas vezes estamos sozinhos, mas só é assim por termos logo no início trabalhado com o outro. É ele que nos revela.É o encontro com o outro que nos abre uma trincheira para que cheguemos a nós mesmos, para que resgatemos a alegria, a identidade e a saúde. Isto é CURA!
       Marina, minha filha mais nova tem fome de gente. Quer pessoas ao lado dela. Se empolga e convida não sei quantas pessoas para seu aniversários. Está sempre com dois ou três amigos em algum lugar bebemorando o encontro, a amizade, o estamos aí.
        Este texto quer deixar um convite a reflexão e a comunhão para todos os meus amigos. Fica o apelo, que me faz lembrar muito Marina num show que fomos recentemente quando extasiada com a apresentação de Armandinho gritava: CHAME GENTE!!! Numa primeira leitura era um pedido de música, numa segunda leitura... quem a conhece, sabe...

É que Narciso acha feio o que não é espelho

   
   Todos nós crescemos ouvindo o mito de Narciso. Mas só nos damos conta da força deste arquétipo em nós quando passamos por um espelho ou quando o assunto é fotografia. Voce conhece alguém que ao ter uma foto nas mãos vá admirar a paisagem antes de si próprio? Claro que não! Eu, por exemplo sou daquelas que a foto pode estar com luz perfeita, paisagem iluminada e tudo mais perfeitamente enquadrado, se eu não estiver bem rasgo-a. Simples assim!
          Dia desses eu li uma matéria de um sociólogo que dizia que hoje em dia todos querem ou precisam ser vistos. Daí os blogs, orkuts, sites, facebooks, etc...Na hora pensei ser uma dessas. E fui mais longe. Minhas filhas, também! É um tal de fazer book, ensaio fotográfico, banner, pôster. E os inúmeros porta retratos espalhados pela casa e na geladeira? Piração total. Deve ser uma síndrome. Síndrome da vaidade .E eu que achava que não tinha vaidade. Tadinha de mim!
         Hoje em dia a gente tem sempre uma foto na bolsa. Seja no celular, no documento, no pen drive, num cd, estampada em bolsa ou camiseta. Dia chegará em que aqueles adesivos para carros dizendo bebe a bordo terá impressa a foto do dito. É cartão de natal, convites , lembrancinhas e chaveiros com fotos. É triste assumir, mas colocamos Narciso num Altar. Fizemos de nós uma divindade a ser adorada, ainda que apenas por nós mesmos. É preocupante!
         Preocupante mas não desestimulante! Eu, pelo menos não sei se posso desistir do “hobby”. Até mesmo quando vamos a casamentos ou formaturas levamos nossas máquinas ou celulares, apesar dos fotógrafos profissionais contratados. Outro dia Bia e eu estávamos vendo umas fotos que ela tinha baixado no notebook. Como sabemos, clicando na foto ela aparecerá enorme, porém ,parte por parte , antes de aparecer por inteira. Vai daí que ela foi se revelando a partir da minha imagem e eu fui logo dizendo Tá ótima ! (entenda-se To ótima !). Rimos muito de perceber que até que a gente se veja na foto nenhum comentário é feito. Mas, sejamos boazinhas. Somos assim! Até na linguagem popular dizemos: _ oi nós na fita!!! Não se pode remar contra a maré. De minha parte vou tentar me controlar um pouco e quem sabe chega o dia em que não vou mais precisar ter a mesma foto virtual e impressa na bolsa. Já não será um avanço? Abaixo a vaidade! Abaixo a eudolatria! E, se não conseguirmos este feito de uma hora para outra, para que a pressa? Temos a eternidade para crescermos. Com o tempo a gente chega lá. Ou não chega.(?)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O tema:felicidade/amizade

   
    Este texto deveria falar de casamento. Cristine Vargas casou-se com Alexandre (o boi) ontem a tarde no Lago Norte, em festa para ninguém botar defeito. Minha amiga, Candida, sua mãe é muito exigente e requinte foi o que não faltou. Do convite à casa, das flores à musica, da decoração ao buffet, da noiva aos pagens, tudo belo, ousado,iluminado....
       Mas, prefiro desfocalizar do casamento, (cerimônia e festa), embora possa ser imcompreendida por esta heresia. Desculpem me se insisto. Levo o foco para a amizade vivida neste casamento. Felicidade é estar perto dos amigos que trilharam conosco tantos percursos, tantas dúvidas, tantas lágrimas, tantas alegrias.
        Pensar que Varguinha, Neuma, Caco, Ina, Mauro, Marcelo, Nane, Ionio, ¨Bia¨, Marta, Marcia Suaiden ainda fazem parte da torcida que escolhi para minha vida é muiiiiiiiiiiito bom. Como é fácil sustentar a felicidade com pessoas como estas! Ver que qualquer dia é o Mauro que vai estar casando filha, que Luizinha estava um ¨ tudo¨ de linda, que o Ionio tá a cara do Sr Gabriel, que Renata já está cursando psicologia, que confundi o Henrique com o Caco, que as meninas da Nane foram daminhas, como no casamento de minha filha Bia. Gente, isso não tem preço!!!
        Assim como não tem preço continuar tendo a Neuma e o Vargas por perto para me chamarem de guria, eu, uma quase senhora de 55 anos! Lembro-me agora que na semana seguinte ao casamento de Beatriz eu escrevi um cartão para esta família que é tão minha também. Este clã que Deus quis que fossem meus amigos .Tão assim, "todos juntos somos fortes". To lembrando Vinicius que tão bem pontuou: A gente não faz amigos, reconhece-os.
       Cristine, querida, estava tudo muito lindo! Mesmo! Desculpe-me se o tema deixou de ser o casamento propriamente dito e enveredou para a felicidade, ou para a amizade. Em retribuição me resta desejar que tenham sempre a chance de experimentar a felicidade como eu experimentei na sua festa de casamento. To de dedos cruzados. Bjs

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Mistério

     
     Faz parte da natureza feminina manter os mistérios e segredos guardados só para nós. O feto que acolhemos é só nosso por nove meses. Nós o entregaremos à luz do mundo, da vida, da fé no amanhã que talvez não venha, da crença em dias melhores, do choro quando o coração aperta de saudade, da consagração de um beijo. Um recém nascido nos braços é a renovação da vida. É a esperança materializada, a profunda reverencia, a certeza do porvir , o brilho nos olhos, o compasso do coração.
     Os sonhos que teremos serão só nossos, ainda que compartilhados fisicamente com nossos amores, os que nos são caros, ainda assim serão só nossos. Poderemos expo-los mas jamais os traduziremos com as nuances que deles guardamos dentro do nosso coração. É assim.
     E o que dizer das nossas dores? Quantos amigos ou amores estarão a postos e no entanto, nós e apenas nós, decidiremos quando deixá-las ir. Nem por isso abrimos mão do colo benfazejo, que nos devolve a inteireza, a fé, o amor, a compaixão, a alegria tão efêmera.
    Nós e somente nós traçaremos novos caminhos antigos, novas tentativas antes fracassadas, novos risos, nova esperança depois da desesperança. Faz parte de nossa natureza, nossos mistérios, nosso silencio, nossos segredos, nossa alma sábia e nossa persona aprendiz fazer com que o sagrado nos seja gentilmente revelado e consagrado em nosso templo secreto, nossa morada sagrada, nosso Ser.

sábado, 17 de julho de 2010

Ser Coatlique ( a missão )



      Toda mulher nasce com uma grande missão. Algumas ouvem o chamado, aceitam o desafio, outras, não. Escrevo, hoje, para aquelas que consideramos “guerreiras”. Aqui, acolá ouve-se um gemido que pode ou não se transformar de um choro num pranto. Pois é, dores vem, magoas insistem em permanecer e a raiva nem sempre se manca de ir embora. É neste momento que a nossa missão começa. E como todos precisam de um colo, a mulher já veio com as ancas mais largas e dois airbags no tórax. Já dizia o poeta, a hora é agora, o lugar é aqui, a pessoa é você, ou ela ou ele ou nós, sim porque quando o eu se torna nós a dor se duplica. É matemático, ora. Neste momento ouviremos lá longe um grito que parece dizer: TOWANDA!!!!! É hora de agir, de cumprir a tarefa. Assim, pois,Coatliques amadas tomem suas lanças!!!!! Isto mesmo. É hora de deixá-la agir. Coloquem seus ouvidos no chão de terra batida e vão ouvir um choro, ainda que tímido, sufocado .Pode ser dor do corpo ou da alma de mulher, ou de homem, de criança ou de animal.Pode vir de um raio de dez quiilometros ou da porta ao lado. Cantemos a dor do que chora para que estas dores não fiquem em seus corpos, suas mentes, seus corações. Em ciranda ofertemos o nosso canto que cura. Lancemos mão do velho tambor, preparemos o caldo quente , busquemos a velha colcha de retalhos e não nos esqueçamos do cântaro, porque deverá haver um córrego por perto e precisaremos de muita água. Invoquemo-la mais uma vez. Lá que sabe, La vieja, La loba. A que fareja, que cuida, que ama, que desama,que nutre e que acalma a alma e o coração. E porque não dançar? Dançar em roda o Bolero de Ravel? No compasso ying e yang, o próprio compasso da vida? E por que não bater os pés no chão? Fazer do chão o couro do tambor e cantar e chorar e gargalhar até sentir que a dor se foi e que já podemos encostar as lanças e simplesmente sentar, olhar para o céu , para o chão, para as estrelas e para a terra nos pés e respirar... profundamente... relaxadamente...harmoniozamente...conectadamente...Num grande suspiro...No amor que nos é derramado, no amém tão almejado, no doce embalo de Ser.

terça-feira, 13 de julho de 2010

De quando não cuidei

          
           Anos atrás, numa época em que precisei fazer dinheiro, montei uma empresa com uma amiga, Mavianne, para prestar serviços diversos. Fazíamos de tudo um pouco. Pegar crianças na escola e levar para suas casas, levar e buscar adolescentes em festas, levar crianças ao dentista, ao terapeuta, arrumar gavetas de singles que não tinham tempo, acompanhar idosos às compras, e, porque não, servir eventualmente de baby sitter para bebes cujos pais precisavam se divertir um pouco.

          Assim foi que um dia uma jovem senhora nos contratou para ficar com seu filhinho de cinco anos para que ela e seu marido pudessem ir ao teatro assistir o grande Ney Matogrosso. Vivi já tinha compromisso agendado e, então, fui eu para o endereço fornecido depois de ter acertado preço, que não foi baixo, considerando que era um sábado a noite. Já falei em outras postagens que sou um pouco atrapalhada , porém bem intencionada.

         Logo que cheguei já fui gostando da moça e, claro, do garotinho. Conversa vai, conversa vem, descobrimos coisas em comum, o que me fez sentir que a mãe pode ir sossegada, confiante demais em mim, o que era ótimo para o meu trabalho. Gente, não deu dez minutos e eu fui jogar algo na lixeira do prédio e a porta bateu. Isso mesmo, bateu e eu fiquei do lado de fora e o garotinho do lado de dentro. Pânico geral!! Vivi, socorro, vem aqui!!!!Mas como foi isso? Não sei, vem! Chegou ! Vivi você tem aquelas balas no carro? Sobe com elas. Eis que neste momento sai do apartamento ao lado uma vizinha e me cumprimenta. Oi! Oi, tudo bem? Sou tia dele e a porta bateu. Tia? É tia distante, moro em outra cidade. A porta bateu e o coitadinho tá lá dentro sozinho, mas tá tudo sob controle. E que vozerio é este? Ah! Nada não é a minha filha que está lá de baixo jogando balinhas para ele. Mas ele não come balas! a mãe não deixa! Ela não precisa saber, quer dizer, é uma situação atípica. Voce vai contar?      
          Eles tem que voltar, eles tem que voltar. Peço desculpas, não cobro e me mando a 120. Duas  horas comendo balinhas e sentado do lado de dentro da porta e haja conversa! Seu herói favorito, seus amiguinhos, seu sorvete preferido etc, etc. Rola uma promessa de levá-lo ao Mc dia daqueles para me redimir da falta de cuidado. E, o coração quase sai pela boca quando escuto o casal subindo as escadas. Pasmem... Ainda tem gente compreensiva neste mundo. O casal não só não se zangou, como riu e ainda insistiu em me pagar (coisa que eu já nem cogitava).
          Moral da história... Ás vezes um casal precisa se afastar um pouco da rotina e curtir um pouco, seja a que preço for. Sorte a nossa, Vivi vamos embora. Dias depois eu ligo e insisto em levá lo ao Mc. Promessa é dívida. A mãe com toda delicadeza me diz que prefere que ele não coma gordura trans. No que eu concordo e ainda concluo dizendo : Isto é muito bom; assim como evitar um pouco os doces e as balas. Atrapalhada, ás vezes. Bem intencionada, sempre.......


Navegar é preciso, viver não é preciso


Navegar é preciso, amar não é preciso
Existir é preciso, viver não é preciso
Ser feliz é preciso, o caminhar não é preciso
Sorrir é preciso, mover-se não é preciso
Sonhar é preciso, viajar não é preciso
Buscar é preciso, encontrar não é preciso
Resignificar é preciso,significar não é preciso
Aquietar-se é preciso, paralisar não é preciso
Correr mundo é preciso, mas tampouco é preciso
Experimentar é preciso, quão logo se torna impreciso
Recomeçar é preciso, mas nem sempre é preciso
Confiar é preciso, crer não é preciso
Iludir-se é preciso,viver o sonho não é preciso
Desiludir-se é preciso, crescer não é preciso
Morrer é preciso, ter vivido não é preciso
Renascer é preciso, ser feliz não é preciso