domingo, 12 de setembro de 2010

Hoje no escuro



Hoje no escuro me acho, me agacho, fico ali...
Porque já tentei encher meus escuros da luz da ilusão,
e nada enxerguei.
Me agacho por que preciso estar do tamanho que me sinto
Nem maior, nem menor.
Ou, porque ainda tenho medo.
Mas, Já não fujo.Fico ali.
E, ensaio viver
Perder,
Merecer,
Me ouvir,
Pra me achar.
E se me ouvindo, me acho
Já não sofro por me agachar.
Já não preciso fugir.
E, por não mais precisar fugir,
Fico ali...
Feito feto espero  um renascer.
Nascer de mim mesma
Dos meus escuros
Parir me.
Fico ali...

Alugo um "pedaço do paraíso" na serra

       
         Itaipava, Petrópolis, RJ. Chalé Nyübu. Quarto, sala, cozinha, banheiro e varanda. Localizado no Sítio Do arco da velha. A uma hora e meia do Rio, o sítio oferece piscina, churrasqueira, campo de futebol Society, casinha de bonecas e um pequeno play ground. Alugo para  temporadas, feriados e finais de semana. Delicie-se com as fotos.
          TRATAR pelo telefone: (61) 91535167

sábado, 11 de setembro de 2010

O tempero é a alma da cozinha

          Tais um caso do arco da velha. Numa das vezes que estivemos em Itaipava tia Irene, minha madrinha, veio estar conosco por uns dias.
           Muito prestativa que é foi logo se oferecendo para fazer uma torta de espinafre. Receita que ela faz desde que eu me entendo por gente e que é uma delícia.
          Negão estava saindo e perguntou-lhe se precisava de algo. Sempre faz isso. A tia foi logo dizendo: “ ah, meu filho, já que vai na rua trás mostarda em pó para a torta. O tempero é a alma da cozinha, né mesmo?” Confesso que estranhei. Pensei: “ Nossa que exótico!” Lá se foi ele . Obsequioso, como sempre.
          Duas horas depois nada de voltar. Vai que o celular toca : Oi, amor, escuta uma coisa eu não to achando a mostarda. Já estou em Petrópolis e nada. Petrópolis fica a trinta kms de casa. E o coitado tinha ido de venda em venda procurando a mostarda, em pó. Teve até um lojista, o filho do seu Ailton, que disse estar em falta no momento. Um excelente negociante. Quem sabe numa próxima vez? Não é à toa que tá no ramo há mais de quarenta anos. E Negão seguiu buscando o que nunca iria encontrar.
          Digo a tia que ele não está encontrando a mostarda em pó, no que ela responde: Mostarda? Pra que Mostarda? Tia, você encomendou e Negão é obediente. Tá até agora procurando. Não filha, não é mostarda é noz moscada. Tico deve ter saído e Teco deve ter cochilado. Desculpe filha, acho que troquei os nomes.
          Risos. Até hoje! Toda vez que a recebemos e que ela vai para a cozinha fazer a torta Negão pergunta: Tia, compro mostarda em pó ou noz moscada serve? kkkkkkk
          Nada como ter estado no exército por quarenta anos para entender que se roda o mundo, se for preciso, para obedecer uma ordem. Diz Negão... Risos
           Em particular, discordo da tia. A experiencia de vida me faz apostar que a fome é o melhor tempero.Mas já que um dia lutamos tanto pela liberdade de expressão, é ajuizado que a exerçamos, né não?


Por quem os sinos dobram?

    Tava aqui pensando como é reconfortante ouvir sinos tocando. Daí lembrei de igreja, de missa, de órgão, do Miserinha e lembrei que numa postagem anterior prometi voltar e contar mais uma historia.
          Lá no Miserinha tínhamos aulas de canto. (Pode?) As aulas eram no adro da capela. Lá no alto, onde ficam os órgãos numa igreja.
          A professora era a irmã Rutinha. Uma irmã velhinha surda e Pequena, de andar lento e cabisbaixa. Igualzinha a irmã Dulce. Como era lenta no caminhar, já cansado pela idade, muitas vezes nosso grupinho chegava à capela antes dela só para desafinar o órgão; o que fazia com que a irmã tivesse que sentar e reafinar o instrumento. Fazendo com que as teclas graves voltassem a soar graves e as agudas voltassem a soar agudas.
          Por tudo isto a gente adorava as aulas de música porque eram como uma pausa no academicismo do quadro negro. E, ainda tínhamos que nos deslocarmos do pavilhão das salas para a capela, o que não deixava de ser uma aventura pelos jardins ensolarados do colégio.
          Naquela época haviam lançado um brinquedinho simples que era um saquinho de pano , do qual soava uma gargalhada escandalosa cada vez que se apertava determinado ponto do saquinho.
          Ora, o grupo era criativo. Logo decidimos levar o dito saquinho para a capela. Depois de afinar o órgão a irmã, já sentada, olhava para trás e acenava com a cabeça sinalizando estar pronta. Concordávamos com a cabeça e, no momento em que ela se virava de costas para nós, a gargalhada vinha estridente confundindo a pobre velhinha que levantava, ollhava uma por uma e se espantava de não nos surpreender rindo, enquanto o saquinho escondido debaixo de um dos bancos gargalhava sem parar.
           Nestes momentos tinha sempre uma aluna mais saliente ou mais corajosa que dizia para a irmã que a risada vinha lá de baixo. Do pátio. A irmã se arrastava até a janelinha e pedia silencio com um “psiu!” fraquinho, enquanto com agilidade desligávamos o dito saquinho.
          Assim foi que um brinquedo bobo conseguiu criar uma cumplicidade no nosso grupo da qual tenho saudades. E assim foi que no dia do meu casamento me emocionei quando o órgão soou os primeiros acordes. E assim é que, neste momento, me pego pensando na irmã Rutinha e me ponho a rezar por sua alma. Que ela descanse em paz num lugar de música suave vinda de algum orgão bem afinado... Assim seja!



O jardineiro fiel


     
    Do arco da velha tem jardineiro novo. Jordeny. Chegou quietinho e quietinho faz seu trabalho. Anda devagar porque já teve pressa. Faz um ano que está com a gente. O sítio é outro. O jardim agora pulsa. Tem vida! Tem cores! Tem alma!
          Jordeny e Marisa. Sua companheira. Aos poucos foram conquistando nossa confiança. Hoje o sítio sobrevive com o zelo dessas duas pessoas. Ele planta da Lavanda à abóbora, do cheiro verde à taioba . Nas horas vagas pinta portão, muro e chalé. Troca porta, faz cerca,limpa piscina .Alimenta as cadelas, Vyrna e Menina. E cria um galinho lá no fundo do quintal.

          Atende os hóspedes sempre com cara boa e muita humildade. Corre na venda de bicicleta para prover o que for preciso. Colhe jabuticaba e,quiçá, lava o carro que estiver sujo no pátio. Fala pouco. É circunspecto. É fiel. É leal. O tipo de gente rara estes dias.

          Marisa abre a casa, bate os travesseiros, os cobertores, bate bolo de fubá e passa um café. Prepara um caldo para a noite e deixa as camas arrumadas com perfeição. Tem aquela cara boa que o povo do interior costuma ter. É cuidadosa com a casa, com os filhos e com o que fala. Ponderada, eu diria. Já entendeu que o silencio vale ouro.

          Duas pessoas com quem conto a qualquer hora. Gente simples. Duas pessoas buscando o pão de cada dia aqui no Arco da Velha. Com a gente. Duas pessoas buscando Deus nos domingos à noite. Duas pessoas buscando o futuro dos filhos no suor da luta, no suor das massas e das maçãs. O que me faz lembrar a música e concordar com a letra que diz ser preciso a paz pra poder sorrir. Ser preciso a chuva para florir.





O Miserinha

          Colégio Nossa Senhora da Misericórdia. Bairro do Andaraí. O Miserinha. Nome carinhoso dado pelas alunas que nele estudavam. Diferente do Companhia de Maria,conhecido por sua rigidez e madres austeras e antiquadas, o Miserinha era um colégio feminino, privilegiado por sua paisagem quase bucólica e famoso pelas freirinhas que nele trabalhavam. Todas muito meigas e de pensamento avançado para a época. Razão pela qual minha mãe concordou, depois da minha insistência, que eu fosse estudar lá. Mamãe não gostava de freiras. Tinha sido aluna pobre de colégio de freira e sofrido o preconceito na pele. Não queria isto para mim.
          O ano era o de 66 ou 68 e o Rio vivia o auge da ditadura. Eu tinha primas e amigas que já estudavam lá e amavam o colégio. Até hoje me vem a lembrança dos corredores encerados e limpos. Do silencio e do badalar do sino da capela. Ali dentro se experimentava a paz. Ou, pelo menos, eu a experimentava. Um sentimento, como diz o meu livreiro de Itaipava, de sentir que a vida tava em ordem. Fui muito feliz com aquelas freiras.
          Eu me via como uma adolescente meio que saliente. Ou, mais autentica. Graças à Deus sempre pude ser eu mesma. Resultado talvez de uma educação mais aberta, menos rígida. Minha mãe era dada a diálogos. Amava a proposta de Summer Hill. Tinha um pensamento à frente do seu tempo. Lá em casa se conversava sobre tudo, o que resultou numa relação “arejada”, muito diferente da que eu via nas casas das minhas amigas.
          Sendo assim eu não precisava fingir que gostava das aulas de religião. Preferia, por exemplo, bater papo com a Irmã Maura. Uma noviça legal à beça de conversar com adolescentes. Havia com ela uma identficação que me punha a imaginar como ela teria se tornado freira e parado ali. Pessoa tão aberta que era. Querida mesmo.
          Tinhamos um grupinho, é claro. Uma por todas e todas por uma. Assim foi que um dia entre uma aula e outra o nosso grupinho estava no corredor esperando a aula de religião que acontecia numa sala à parte no final corredor. Aquele dia tava tão legal que imaginei um desperdício estragá-lo com uma aula tão monótona. E, fui mais longe. Assim que a irmã passou por nós e entrou na sala vi a chave na porta e a tranquei. Ingênua, pensava estar tudo resolvido. Lembro-me das colegas sorrindo com um riso nervoso, o que estranhei. Afinal eu as tinha livrado daquela coisa “cacete”, como se dizia na época.
         Segundos depois entendi o nervoso delas quando ouvi o chocalho da madre superiora. Explico. Esta andava com um molho de chaves junto a cintura, se é que se pode chamar assim, que quando caminhava nos corredores silenciosos fazia chocalhar como uma cobra.
          Ela foi chegando mais perto, mais perto e a chave da sala queimando na minha mão fechada. Em pânico arremessei a chave pela janela do corredor que dava para um terreno cheio de mato. Estava Salva! Pensava eu. E pra explicar que a irmã estava lá dentro porque o vento bateu a porta? Costumo dizer que eu tive uma vida muito boa. Diferente do que eu esperava, a madre superiora não me constrangiu com sermões. Mas, alegria de pobre dura pouco, me chamou na sala dela para conversar e insistiu em chamar mamãe no colégio que , por sua vez insistiu em chamar um chaveiro e deu por resolvida a questão. “Não se fala mais nisto.Tenha uma boa tarde, irmã!”
          Não me lembro de, em casa, ter ficado de castigo por causa da “gracinha”, nem de ter sido repreendida. No fundo no fundo acho que mamãe entendeu o meu gesto e, não deixou de apreciá-lo; uma pequena vingança por ter sofrido humilhações nas mãos de religiosas quando criança. Pelo resto da vida sempre que o assunto era juventude ela contava o caso, com um brilho cúmplice nos olhos, e, aqui entre nós, muita galhardia.
          Anos depois voltamos ao colégio pois queria casar-me na capela do Miserinha. A madre superiora, já mais velhinha, não me reconheceu (não falei que tive uma vida boa?).Talvez já fosse o Alemão, mas quando eu disse meu nome ela deu um sorriso enigmático ,daqueles que você não sabe se trouxe lembranças boas ou ruins, e apenas repetiu... Angela de Frias...Pôs a mão no queixo, me olhou nos olhos e, diplomáticamente, exclamou: É um prazer casar uma ex aluna na nossa capela. Não preciso dizer como eu e mamãe saímos do colégio. Cabeças erguidas, sentimento de ter contribuído para a ordem e o progresso da sociedade do Rio de Janeiro. Tudo muito civilizado...

          Quando entrei na igreja de véu e grinalda não era apenas a Angela de 23 anos. Trazia comigo outras Angelas conhecidas dos tempos de colégio. Companheiras dos tempos de folguedos. Chorei de emoção com os primeiros acordes do órgão. O velho órgão. Mas esta é uma outra história. Para uma próxima postagem. Aguardem!

Itaipava, Petrópolis, RJ, again...

   
   Setembro de 2010. Em Itaipava outra vez. E, como não poderia deixar de ser andei visitando minha amiga Marta. Falei de Marta rapidamente numa postagem anterior. Marta, mulher de Fernando, é a dona de uma das lojas mais queridas de Itaipava. A Sun guardian. Nenhum nome poderia descrever melhor a proprietária. Marta é assim: meio que sol , meio que guardiã. Vive alegre. Tem um sorriso e um jeito de ser que a tornam a própria guardiã. Guardiã da alegria, do bem receber os clientes e amigos. Uma figura!!! Fala à beça. Mas não fala apenas com a boca. Fala com o coração. Mistura assuntos, atende os clientes e ainda faz graça. O Astral!!! 
        Sua loja é um encanto. Logo que você chega ela já aponta uma cadeira como se antes de vender, preferisse criar uma intimidade confortante com você. Fernando é mais reservado, o que dá a Marta total espaço para que sua performance aconteça, cada dia de uma maneira diferente. É, porque ir à Sun guardian é se permitir, antes de tudo, uma pausa. Aquela pausa suave embalada por uns CDs que Marta escolhe à dedo, tocando baixinho e que acompanham tão bem os incensos a queimar e os sinos que soam aqui e acolá.
      O tema principal da loja é a decoração de jardins. Embora não se possa passar batido pelos objetos de decoração dispostos ali. Marta e Fernando participam da Master Casa com terraços incríveis. No ano passado tive a sorte de estar na serra na época do evento e pude apreciar o terraço que eles bolaram usando as quatro estações como tema. Belo!!! Este ano não deu, mas vi a foto na revista Master Casa Ambientes. Lindo! Como sempre.
      Agora Itaipava tem uma novidade. É que Marta abriu, no mesmo complexo de lojas, um café. O nome? Sun guardian momentos. Segundo ela um lugar para a gente momentear um pouco e ainda tomar um café, chá ou chocolate saboreando uma torta, um biscoito, um pumpernickel(?) Só a Marta mesmo! De quebra os chocólatras ainda podem comprar balinhas e chocolates importados para os netos ou quiçá um item decorativo. Um xamego!
     “Abafa o caso”, diz ela quando te promete um desconto ou facilita a compra de algo em sua loja. Demais, te abraça, te deseja sorte, pede para você voltar para conversar noutra hora ou olha para o céu levantando os braços dizendo: “Hare Baba”! Te leva até a saída, te apresenta aos lojistas vizinhos, te aponta um novo restaurante, te dá um beijo e te deseja um ” Até o futuro!” E , muito agitada que é, faz um test drive de volta a loja...Uma figura!
     Estando de passagem pela serra vale a pena conferir. SUN GUARDIAN decoração de jardins. Estrada União e Industria, 10.550 lojas 7 e 8. Tel: (24)22226354 -Ou nos endereços thesun@uol.com.br ou ainda thesunguardian@redetaho.com.br