quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vivo desassossegado e escrevo para desassossegar

          Penso que Saramago disse isso quando entendeu que é no desassossego que crescemos buscando saídas, respostas, colos. Sossego.
          Me parece que o meritíssimo senhor Saramago viveu como ninguém O ensaio de uma cegueira. Caminhou determinado por suas questoes e por suas questoes determinado caminhou.
Questionou  a validade e o vazio da vida e nos deixou a questão no livro  A viagem do elefante para que desassossegássemos um pouco mais.
          Dedicou sua vida  e quase todas as suas obras à Pilar, sua mulher, sua incentivadora, seu pilar
          Pilar contava que ao ver Saramago pela promeira vez regressou a casa com uma estranha  paz. A vida a dois que tiveram confirmou seu pressentimento.
          Uma vez Saramago disse "Dentro de nós tem uma coisa que não tem nome. Esta coisa é o que somos". Penso que Pilar acessou este espaço dentro do escritor.
          Quero fechar este texto com mais uma bela citação de Saramago. "Nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida."
          O evangelho segundo Jesus Cristo é outra leitura obrigatória do mestre.

Um comentário:

  1. Amiga, desassossego é meu segundo nome, embora nem pareça.
    Saramago era um sábio. Justamente porque tinha clareza das coisas que via, que percebia em torno de si e no resto do mundo. Tornou-se sábio a partir de sua percepção de mundo.
    Foi ele mesmo quem disse que "Em vez de ouvirem os escritores em busca de respostas sobre o que somos, as pessoas precisam ouvir umas às outras..."
    Consigo me encontrar em muito do que nos deixou, não como uma resposta a alguma pergunta que faça, mas como uma constatação de que eu mesma tenho a resposta.
    Saramago, sempre atual, e radical, especialmente qdo diz "Em uma carta ainda pode cair uma lágrima, mas um e-mail nunca se fará acompanhar de emoções". Portanto...

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