sábado, 15 de outubro de 2011

Varguinhas se foi...

          Para tristeza da família e dos agregados e felicidade geral da turma do céu Varguinhas se foi há dois dias.
Meu coração quis estar com sua família. Eu estava triste.Sr Vargas foi um exemplo de sabedoria de vida. Viveu em clima de festa e alegria. Formou quatro filhos e , segundo sua esposa, foi gentil e amigo da Nelminha.
Chegando ao cemitério a tristeza deixou meu peito  como por  encanto.
Olhava-se para ele, todo bonito com sua boina nas mãos e só lembrava de suas histórias, suas brincadeiras. 
"Gaiato" que era contava piadas em velórios e se gabava disso." Pra animar um pouco, guria"
Generoso  se antecipava e comprava ingressos de shows e peças infantis para as minhas filhas quando ia comprar para as netas, todas ainda pequenas. " Candida Maria avisa para a guria sua amiga que tem ingresso para as agregadas."
Tinha orgulho de dizer que fumava ha 60 anos.
 Tinha amigos. Muitos. De diferentes tribos.
Uma vez me disseram que pelo velório de uma pessoa a gente podia supor que vida a pessoa havia levado, seus gostos e interesses.
Como foi bom testemunhar em seu funeral o quanto ele soube viver e o quanto foi amado.
Já falei de sua família numa postagem anterior, mas penso que ainda preciso falar mais. O que é bom deve ser propagado e jogado aos quatro ventos para germinar e florir.
João Alberto Vargas, este gaúcho de estatura pequena e coração grande formou sua família junto com a Nelminha e teve muita competencia com seus filhos que tiveram competencia com seus filhos que estão sendo competentes com seus filhos e... assim caminha.
Estar com eles é deparar-se com a força da vida. Aquela força que , apesar das circunstancias, se ergue e segue em frente. Todas estas pessoas são projeções do que viram no Vargas e na Nelma. Não tenho dívidas disso.
Pensei em terminar esta postagem com uma metáfora que descrevesse bem a pessoa que foi o Vargas, mas decidi contar o final do funeral. Uma metáfora viva.
Quando o caixão baixou filhos e netos levantaram e desejaram-lhe uma boa viagem. Tiau, vô! Tiau vô, vai com Deus! .Depois  as coroas de flores foram dispostas e presenciamos  uma salva de palmas vigorosa.
Sabemos que na antiguidade a "salva de palmas" ( na época uma salva de prata coberta com palmas folhagens ) era oferecida aos vencedores. 
Confesso que me emocionei pois estava ali um vencedor. A metáfora se fez concretamente diante dos meus olhos e do meu coração.
Quero deixar aqui um beijo no coração de cada membro deta família que, insisto, é minha também porque quero que seja.
Quanto a ele? Olho para o céu e imagino que graças não estará fazendo lá em cima!
Além de fumar e tomar um drink, é claro! 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Vai fundo, Lalá! ( ou... A Califórnia é logo ali )

                                                     
                                                                               
             Lalá é intensa. E como tal fala alto, fala baixo, ri, chora, escreve, paquera,sonha, faz da vida pesadelo, viaja, fantasia, ama, desama, acredita, se espanta, se frustra, tenta outra vez.
Quer namorar. Quer amar. Quer viver e cozinhar.
Já quis comprar chupeta para Ximbica aos 12 anos.
Já quis tirar carteira.
Já quis trabalhar fora,
Já quis ser comprometida.
Já quis ficar pelo Canadá.
Já quis ser escritora.
Já quis ser a melhor advogada do Brasil.
Já quis sumir.
Este ano foi o ano de pensar em viajar.
Lalá é daquelas que não sabe se casa ou se compra uma bicicleta.
Que parto que foi escolher a cidade!
Pensou, fez planos, atormentou a família com suas duvidas, comprou a passagem, trancou a faculdade e.........bateu um banzo danado!!!
Nas ultimas semanas a euforia foi se transformando em ansiedade, mutismo e carência.
Isso mesmo. Carência. A Lá é igualzinha a todos nós.
Ah sim. Ela teve despedida.
Para quem queria o aniversário de 15 anos com uma escadaria enorme onde desfilasse e três vestidos diferentes para trocar durante a festa até que despediu-se pouco.
Deve ter tido umas cinco despedidas.
Despediu-se das amigas, da família, dos amores, da mãe e das irmãs inúmeras vezes.
Foi todos os dias na casa do pai esta semana.
Na quarta feira estava agendada a nossa despedida. E Lalá queria uma multidão.
Ligou para a Maroca, mas esta estava gripada. Esperou pelos tios, mas cada um tinha seus próprios afazeres.
E, como tudo acaba em pizza, despediu-se no Fortunata com os mais chegados mesmo.
Hoje, véspera do grande dia, ainda veio mais uma vez despedir-se de todos nós. Estava doente e mixuruca.
Medo, insegurança, melancolia, esperança. Hoje não falou alto. O coração tava apertado. Deitou  a cabeça no meu colo e pediu cafuné.
Sabe como é, na hora H até as mais fortes titubeiam.
Pediu mais abraços e foi para a cozinha despedir-se das empregadas.
Beijou mais uma vez as irmãs e saiu. Manobrou o carro e buzinou.
A estas horas deve estar na sexta despedida; desta vez em sua casa com suas amigas.
Mas, antes de sair lembrou ao pai que ele deveria estar no aeroporto amanha as 9 da manha, uma vez que seu voo sai as 10 hs.
Uma figura!
Sabe que me deu vontade de ir ao aeroporto amanha cedo também?
Vamos ver se acordo e como acordo.
Deepack Chopra diz que o que vale é a intensão.
Vou estar lá em intenção, pelo menos.
Gosto dela.
Acredito nela.
Sei que vai aproveitar a viagem, mas gostaria de soprar no coração dela um..... Vai fundo Lalá!
E completar..... Pisa firme que este mundo é seu!
E de quem mais quiser ou acreditar.
Boa viagem!
A gente se fala!
Vou abrir meus emails diariamente buscando notícias suas.
E não se esqueça.
Há uma galera Brasileira torcendo por você.
Portanto....
Smile though your heart is breaking.
Seis meses passam rápido e a vida não para.
Beijos
Vó Angela

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A restauração natural da vida

             Num dos intermináveis papos com um dos meus amigos preferidos, depois de trocarmos mantras, conselhos e esperanças, falávamos sobre a repetição de algumas dores e nossa capacidade de superá-las.
Meu amigo querido me contou então um papo dele com um ortopedista.
Contou que uma vez perguntou ao amigo médico sobre a possibilidade de um osso quebrado e colado vir a quebrar novamente no mesmo lugar. Ao que o médico respondeu que jamais aconteceria o fato uma vez que a recuperação do osso parece ser dobrada.(Consumadum est!?)
É a vida fazendo seu trabalho nos bastidores, chegamos os dois  à conclusão.
Mas de onde veio esta conversa sobre ossos? Falávamos dos bambus, que como nós, os sobreviventes, por serem flexíveis vergam-se ao chão e depois levantam-se  com mais força para continuar vivos e  integrados à natureza. O filósofo já disse que a vida buscará sempre o equilíbrio.
Trocando em miúdos a vida, sábia que é,  nos ensina  o tempo todo.  Sempre.
Moral da história: Bom demais saber que superamos certas dificuldades e que embora a vida ainda venha a nos surpreender com novos incomodos para alguns outros a superação será mais fácil. Tipo "osso recuperado área fortalecida" !!!
Entramos na Primavera há uma semana e isso me recorda Cecília Meirelles que disse certa vez...
"Aprendi com a Primavera a me deixar cortar para reflorescer depois"
Quero agradecer a meu amigo por estas oportunidades que temos de trocar cuidados e fé em dias melhores.
Afinal.... temos as Amandas, as Júlias, os Gabrieis e os João Antonios da vida esperando por nossas lições.
Assim seja!!!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O perdão

        Como todo o perdão, o auto perdão é um processo.Um caminho por onde voce viaja e  não um estado permanente que voce alcança.
O crescimento acontece numa espiral.
Quanto mais voce se curar, se amar e se aceitar mais os sentimentos mais sutis de culpa e vergonha chegarão à sua consciencia e assim, assumidos e curados.
Muitas vezes nos perguntamos. Perdoei Fulano? Perdoei a Deus? Perdoei a mim mesmo?
São momentos de dúvida. De incerteza.
Houve momentos em que pensei que podia ter tido melhores pais, melhores amores, melhores amigos, filhos... porque não dizer melhor.... EU?
A experiencia de vida me mostra que existem momentos em que perdôo a todos nós. Sim. A todos os envolvidos.
E é nesses momentos que sei que tudo o que acontece no lado de fora é secundário, e o que acontece dentro é o verdadeiro show. Nestes momentos o que quiser que nos digam ou acusem não nos abalará como antes. O que vale é o que segue aqui dentro.
Em tais momentos eu confio e acredito que as coisas acontecem como devem acontecer para o meu progresso espiritual.
Dentro dessa compreensão, ninguém é culpado ou precisa ser perdoado.
A medida que o auto perdão se enraiza em sua consciencia voce se apoia cada vez mais no aspecto do seu self que inclui, mas que não está preso a sua mente racional e  linear para direcionamento e segurança.
Assim voce se torna mais claro e poderoso, encontrando a sua fonte de força em uma confiança e fé crescentes em algo infinitamente maior que a soma de suas pequenas personalidades.

Resenha de um texto de  Robin Casarjian

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A avó nossa de cada dia

          Reencontro uma amiga e  apresso-me a  mostrar-lhe as mais recentes fotos das netas.Isso me lembra um dos hilários gestos de minha mãe.
Mamãe era encantada com minhas filhas. Em sua carteira voce encontrava alguns trocados, algumas moedas, nenhum cartão de crédito, e muitas fotos das netas.
 No caso dela a carteira era gordinha  não por causa de cartões, mas por conta das fotos de Bia e Marina. Bastava a mamae pegar um taxi e já ia puxando papo com o motorista com o intuito de mostrar-lhe seu pequeno album sempre à mão.
Era interminável a coleção de fotos tres por quatro que ela foi juntando ali. 
Vai daí que um dia num onibus no Rio de Janeiro ela sente de repente que lhe afanaram a carteira.
 Susto, indignação e escandalo se fazem presente.
Mamãe começa a gritar ao motorista que pare o onibus. Melhor, que ele siga direto para a delegacia:
Para! Para o onibus! Seu motorista para essa jeringonça, fui assaltada!
 Minha carteira não está na minha bolsa!
Tem certeza que estava com a senhora? pergunta o trocador.
Claro meu filho como eu poderia ter pago a passagem.
Calma senhora. Tinha documentos?
Sim, mas isto não é problema. Vou ao Felix Pacheco e tiro uma segunda via da identidade.
Senhora ligue imediatamente para o cartão de crédito e peça que cancelem!
Eu não tenho cartão minha gente.... Angustia.
Motorista,  direto para a delegacia!
 Senhora acalme-se.
 Acalmar-me e como fico eu sem as fotos das minhas netas? Risos.... Tristeza.
To passada, diz ela.
Elas são de Brasília. Bia a mais velha tem seis anos e a menor, Marininha tem tres anos. Estudam pela manhã. Bia  faz ballet. Marina karatê.
E por aí vai ( ou foi ).
Minha gente, diz  aos outros passageiros, se foi alguem que ainda não desceu disfarça deixa as fotos debaixo de um dos lugares e tudo bem. Morre aqui. Tem alguma graninha. Que fique com ela mas por favor não leve minhas fotos. Silencio....
Mamãe , que já estava de pé desde o momento em que tudo começou se abaixa e olha debaixo dos lugares. Nada!!! Angustia e indignação.
A estas alturas já quase chorava. Mas não chorou não. Pelo menos não no onibus. Esperou chegar em casa, pegou o telefone e ligou chorando para mim e para meio Rio de Janeiro.
Mas o que que vão querer com as fotos das meninas? perguntava ela.
Dia seguinte cedo vai ao correio. É costume no Rio que as pessoas deixem no Correio central documentos e carteiras extraviados.
Mamãe explica a situação para o primeiro que a atende e segue explicando tudo outra vez até chegar no quarto funcionário.
Um reboliço se faz no saguão do prédio com mamae desolada.
Até que aparece o herói, trazendo um envelopinho com o seu tesouro.
Mamãe se dependura no homem e chora agradecida, Depois pisca para a galera, junta todos numa rodinha e mostra foto por foto para os poucos interessados.
Ah minha filha. Ganhei o dia!
Tava carente, mãe? pergunto eu.
Carente? Não tava era passada com a perda. Não dormi, filha pedindo a Deus que resgatasse minhas fotos.
Mãe e a carteirade identidade? O CPF?
Ah sei lá. Amanha eu penso nisso! Lembra de O vento levou, filha?
Claro que lembro.
Pois é!!!
Porque?
Perdeu-as no vento?
Não me sacaneia, Angela!
O filme acaba com a Vivian Leigh dizendo..... Amanha eu penso.
Ahhhhhhhhhhhhhh, tá!!!
Dia desses Bia me deu fotos recentes das meninas e tive muita vontade que mamãe tivese um endereço lá no céu para que eu as enviasse.
Até porque no filme Nosso lar aparece um tipo de coletivo. Já imaginou mamãe fazendo outro escandalo desta vez num onibus celeste por conta de fotos das bisnetas???

domingo, 21 de agosto de 2011

Abaixo os Bonsais!!! (ou... A árvore da vida)

           O Projeto Evolução, workshop de Biodança vem, assim como o Filme A árvore da vida ( premio Palma de Ouro ) usar a árvore como arquétipo do ser humano.
Assim o que será de nosso tronco se nossas raízes não forem bem acolhidas pela boa terra de Pachamama oportunizando que as mesmas adentrem a terra e se expandam lateralmente?
Cabe refletir: Em que terra fomos plantados? Nossas raízes foram amputadas como as dos Bonsais em nome da boa forma ou foram  incentivadas a crescer livremente em busca da luz ?
E sabido que a força de nosso tronco dependerá delas e de nosso tronco os galhos que se alastrarão para cima e para os lados como numa dança de celebração da vida resultando em total expressão nas flores e frutos.
Teremos nos tornado  Bonsais Humanos? Raízes amputadas e terra escassa?
Quem quer ser  Bonsai sendo vítima de crenças caducas que não colaboram com a totalidade do ser?
Porque não Ipês ou Flamboyants?
É sabido que o externo espelha o interno. Assim...quem poderá expressar-se plenamente com raízes podadas e galhos "trabalhados"?
Por mais que seja considerado arte  a árvore do Bonsai estamos falando aqui de seres humanos que vieram a este planeta para não só ocupar todos os espaços permitidos como para florescer e dar frutos.
Que a gente  se rebele ao fato de  viver nos vasinhos  pequenos e esmagadores que são as nossas crenças, nossa cultura, nosso estilo de vida. Que tenhamos a coragem de perseguir nossa liberdade de expressão.
Sempre há tempo para tentarmos ser o que queríamos ter sido no início, agora e sempre.
Sendo assim em nome da totalidade e da expressão máxima de nós mesmos....
Abaixo os Bonsais!
Que ser feliz seja nosso projeto infinito!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Café Bem casado

          Gosto de café, de bater papo, de filosofar, e gosto de minha neta Ju.
As conversas transcendem os domingos e as festas. Precisamos de mais.
          Assim, de uns tempos para cá formalizamos a prática de nos encontrarmos para trocar nossas dores e nossas delícias num café sugerido por Ju. O Café Bem Casado. Aquele café bem casado e bem direcionado, diria eu, por Lucia. Sua proprietária simpática, atenciosa e perspicaz. Lucia está atenta a tudo com cuidado e reserva. Já gostamos dela. E gostamos de seus quitutes!
Geralmente nos encontramos depois das 17:30 hs o que faz com que lamentemos que o café feche as 19:30hs. Muita coisa para falar, sempre. E o tempo não para.
          A gente fala,  se terapiza e saimos um cadinho melhor. Entre lágrimas e risos me parece que os risos levam vantagens. Até porque a gente tem fé na vida e acredita. Sempre!Como a gente acredita! Somos de uma acreditancia quase ingenua no futuro, no final feliz, no poder pessoal, no riso e porque não dizer no próximo café.
Queremos  mais café e mais bolinhos. Mais coca e mais pão de queijo.
          Me vem agora um pensamento. Baseado no filme/livro Água para elefantes.
E penso que nossa prática poderia se chamar Café para Ju e Angela.
A mensagem do filme é a de que a vida muitas vezes pode ser o maior espetáculo.
E o que trocamos de experienca de vida nestes encontros !!! 
Voamos longe!
E para aterrar de volta...
Um café!!!
O Café Bem Casado fica na 309 Norte , bloco E loja 28.
Vale a pena conferir!