domingo, 14 de novembro de 2010

Assadiando-me








         Costumo dizer que a vida por si só, se encumbe de muita coisa. Um bebe precisava de leite materno. Minha mãe estava me amamentando. Era leite demais. Por que não amamentar mais um? Assim mamãe  conheceu  os pais do bebe. Maria e Antonio.Os Assads, para nós. Pais de sete filhos. Moradores da Maria Amália. Um ladeirão na Tijuca, Rio de Janeiro. E a nossa vida  se expandiu.
          Estas pessoas entraram para a nossa família, somamando  até os dias de hoje, 55 anos depois.
          Mariazinha, só por conta do tamanho. Mais justo seria chamá-la Mariazão. Ou a Grande Maria.Criou sete filhos e alguns netos. Fez os melhores quibes já provados no Rio de Janeiro e jogou tanto buraco que perdi as contas. Jorge, José, Nely,Neuza, Neide(Que absurdo!), Julia e Tony(meu irmão de leite) eram os filhos dela.
          Gente inteligente, brilhante. Com o dom da oratória, prestativos e até hoje queridos no meu coração. 
Jorge, José e Nely eram os mais velhos, de modo que minha convivencia foi maior com os outros quatro.
          A casa era grande. Lá na Maria Amalia, 618, Onde Neide quer que joguem suas cinzas depois de cremada. Até eu gostaria.  E era lá, naquele grande coração, que a gente ía nas férias, feriados ou quando a saudade batia.
          Tinha o Bob e depois o  Tarzan, um cachorro amarelo. Tinha quintal com balanço e pomar. E, gente, eles tinham telefone. Um luxo na época. O pobrezinho vivia ocupado. Dificílimo falar com eles. Ou as meninas estavam penduradas no telefone namorando ou algum vizinho que vinha pedir para usá-lo rapidinho. A porta desta casa só fechava à noite, de modo que era só ir chegando.
          Durante o carnaval mamae costurava as fantasias que escolhíamos para montar os blocos do ano. Assim foi que fui levada para o primeiro baile noturno de adulto, sem os meus pais, pela Julia, Neuza e Neide. Todas  vestidas  de bruxa.
          Até a morte de minha mãe ela sempre lembrava da Julia cantando... E E bruxa E E E! com carinho e rindo de todos os momentos que vivemos naquele endereço. Jogávamos buraco, Julia fazia sorvete de abacate, cantávamos as músicas da Tropicália, testemunhávamos altas discussoes sobre tratados da medicina e outras coisinhas mais, durante os almoços que aconteciam  numa mesa de dez lugares.
Jorge , José, Neide, Tony e Liva, hoje marido da Neide, faziam medicina. Nely e Julia eram professoras e Neuza era psicóloga.
          Tia Maria só tinha empregados homens. Teve o Riqueza (apelido dado pelos meninos) que matava um de rir. Riqueeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeza! chamavam todos ao mesmo tempo e o pobre rapaz quase morria correndo pra um e pra outro sem parar. Kd minha meia? Vai ali me comprar cigarros! Descasca umas laranjas pra nós! Certa feita se jogou no chão e começou a pedir desesperado que cada um o chamasse de uma vez. As vezes, cansado ía pro banheiro e não voltava. Acho que cochilava.
          Estávamos de férias jogando cartas e o Paulão, então namorado da Neuza já tinha gritado o nome dele n vezes e ele não aparecia. Nely, de fala mansa passava por nós e dizia ... Paulo ele tá no banheiro! Depis de um tempo o Paulo foi no banheiro abriu a porta e levantou o coitado do vaso com as calças ainda descidas. Vai comprar meu cigarro Riqueza! disse. No que o rapaz exclamou que ainda morreria de tanto subir e descer a ladeira. Realmente era só o moleque chegar para alguém lembrar que tinha esquecido de pedi-lo para trazer algo e ele já ia descendo a rua novamente.
          As meninas competiam qual delas imitava  melhor a Neide Aparecida, garota propaganda da época. Nos faziam sentar e assistir a encenação. Era muito bom. Bom estar lá e bom ouvir o texto que nunca mudava. Se voce deseja adquirir um televisor...  tantas polegadas vá a To ne lux!!! A mais bonita loja da cidade! Todas faziam bem; de modo que cada dia escolhíamos uma para ser a Neide Aparecida da vez. Um dia a Júlia, noutro a Neuza e noutro a Neide.
          Neide tinha  o apelido carinhoso de "Q absurdo", devido ao hábito de continua repetição desta expressão. Assim combinamos que na sua a formatura quando no auditório chamassem o nome dela todos gritaríamos...Que absurdo!. E o fizemos em coro uníssono.
          Tempos depois eu fui estudar numa escola onde ela trabalhava o que fez com que estreitássemos os laços, uma vez que ela me dava carona no taxi de volta para casa. Naquela época no Rio era comum mocinhas serem desviadas de seu trajeto pelos motoristas de taxis. Guardiã da minha virgindade, ela descia do taxi na Tijuca e eu continuava até o Grajaú. Como  o horario da escola era o noturno tinhamos uma senha. Quando ela descia ela pagava e dizia... Anginha quando chegar me liga... e piscava o olho. Ou seja se o motorista estivesse pensando em me iniciar em qualquer coisa que moça de família não fizesse, já desistiria.
          Teve uma época na minha vida que eu não queria nada com a hora do Brasil. Tinha terminado o segundo grau e tava  tudo bem. Até que Neide me procurou  me chamando de discarada porque eu não ia ter um dra na frente do nome já que eu não estava fazendo faculdade. Tanto fez que um dia me ligou e falou que eu arrumasse os documentos porque na semana seguinte iríamos fazer a inscrição para o meu vestibular. Lembro que ela passou para me buscar num taxi e que no trajeto fomos discutindo que curso eu faria. Isso é o que eu chamo de escolha consciente! kkkkkkk .Mas vamos lá. Tudo  para não ter que depender de marido, o que era uma coisa antiquada pra época. Assim foi que mais uma vez ela influenciou a minha vida.
Anos antes, ainda estudantes de medicina, ela e o Liva tinham salvado minha vida me tirando de um edema de Glótis.
          Mas, voltando ao vestibular,como não dava tempo de frequentar um cursinho pre vestibular o Tony me deu umas aulas durante quinze dias e os outros me ensinaram a "Chutar as respostas" que eu não soubesse.
          Observando Julia aprendi o que era a determinação, a doçura e a facilidade de pintar os olhos com crayon e usar um rímel. Afinal eram os anos 60 . E aprendi  que a matemática podia ser atraente. Anos mais tarde foi a minha filha quem aprendeu com ela a matemática, melhor dizendo, a problemática nossa de cada dia. Apelido que eu havia dado quando no ginásio,  matéria  me tirava o sono.
          É, mas legal mesmo eram os natais que passavamos juntos em Itaipava todos casados ou descasados com os filhos adolescentes. Com discursos da Neuza, preces e muito apetite. Como se comia!!! Às vezes digo que nossa geração tinha apetite pela vida. Muito. Apetite de liberdade, emancipação, mudança.
          Cada um fazia uma especialidade e depois acertávamos os gastos. Num destes natais foi que o Tony disse para a Julia que os bombons dela estavam mais caros que os bombons Godiva. Risos...
E que o Luiz Alberto, marido da Julia, depois de tomar um chazinho para a digestão pediu uma fatia fina de panetone para acompanhar a bebida que a princípio seria um recurso digestivo.
          Bom demais!Tudo que foi, é e ainda será vivido com esta família que é tão minha também.
Mariazinha já se foi, assim como já se foram seus filhos mais velhos, minha mãe e meu irmão. Resta nos a esperança que eles estejam num lugar tão rico de experiencias, quanto foi a casa da Maria Amália em nossas vidas.
Há pouco tempo soube que a casa não existe mais. Pode até não existir mais fisicamente, mas vive indelevel em nossos corações, assim como tantas outras lembranças que nos remetem ao amor vivido naquele endereço. As festas de aniversário que Neide faz anualmente, onde nos reencontramos inclusive com amigos não citados aqui, que o digam.
           O natal tá aí. Quanta coisa não gostaríamos de pedir ao bom velhinho. Que voltassemos no  tempo. Que nossos filhos e  nossos netos vivam um pouco do que  vivemos juntos. E que os que já partiram estejam rodeados de luz. A mesma luz de amor que emanaram, enquanto encarnados. Amém!
Prometo voltar  com mais casos Assadianos numa próxima postagem! Aguardem!
Este texto tem como arte uma abstração lírica que influenciou os anos 50 e 60

Me contradigo porque sou vasta

Alguien me dijo que no es casual...que desde siempre las elegimos. Que las encontramos en el camino de la vida, nos reconocemos y sabemos que en algún lugar de la historia de los mundos fuimos del mismo clan. Pasan las décadas y al volver a recorrer los ríos esos cauces, tengo muy presentes las cualidades que las trajeron a mi tierra personal.
Valientes, reidoras y con labia. Capaces de pasar horas enteras escuchando, muriéndose de risa, consolando. Arquitectas de sueños, hacedoras de planes, ingenieras de la cocina, cantautoras de canciones de cuna.
Cuando las cabezas de las mujeres se juntan alrededor de "un fuego", nacen fuerzas, crecen magias, arden brasas, que gozan, festejan, curan, recomponen, inventan, crean, unen, desunen, entierran, dan vida, rezongan, se conduelen.
Ese fuego puede ser la mesa de un bar, las idas para afuera en vacaciones,  el galpón donde jugábamos en la infancia, un mate en el parque, la señal de alarma de que alguna nos necesita o ese tesoro incalculable que son las quedadas a dormir en la casa de las otras.
Las de adolescentes después de un baile... porque no hay nada mejor que hacer en el mundo que escuchar música, y hablar, hablar y hablar hasta cansarse. Las de adultas, a veces para asilar en nuestras almas a una con desesperanza en los ojos, y entonces nos desdoblamos en abrazos, en mimos, en palabras, para recordarle que siempre hay un mañana.
El futuro en un tiempo no existía. Cualquiera mayor de 25 era de una vejez no imaginada...
Cambiamos. Crecimos. Nos dolimos. Parimos hijos. Enterramos muertos. Amamos. Fuimos y somos amadas. Dejamos y nos dejaron. Nos enojamos para toda la vida, para descubrir que toda la vida es mucho y no valía la pena. Cuidamos y en el mejor de los casos nos dejamos cuidar.
Nos casamos, nos juntamos, nos divorciamos. O no.
Creímos morirnos muchas veces, y encontramos en algún lugar la fuerza de seguir. Bailamos con un hombre, pero la danza más lograda la hicimos para nuestros hijos al enseñarles a caminar.
Pasamos noches en blanco, noches en negro, noches en rojo, noches de luz y de sombras. Noches de miles de estrellas y noches desangeladas. Hicimos el amor, y cuando correspondió, también la guerra. Nos entregamos. Nos protegimos. Fuimos heridas e inevitablemente, herimos.
Entonces...los cuerpos dieron cuenta de esas lides.
Porque juntas construimos nuestros propios cimientos, en tiempos donde nuestro edificio recién se empezaba a erigir.
Somos más sabias, más hermosas, más completas, más plenas, más dulces, más risueñas y por suerte, de alguna manera, más salvajes.
Y en aquel tiempo también lo éramos, sólo que no lo sabíamos. 
Porque cuando las cabezas de las mujeres se juntan alrededor "del fuego" que deciden avivar con su presencia, hay fiesta, hay aquelarre, misterio, tormenta, centellas y armonía. Como siempre. Como nunca. Como toda la vida.
Para todas las brasas de mi vida, las que arden desde hace  tanto, y las que recién se suman al fogón.
Resenha do texto:Cuando las cabezas de las mujeres se juntan alrededor "del fuego" Simone Paseryo

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Beijo à tres...


           Ao ser entrevistado para um documentário sobre sua obra, Cartier-Bresson foi inquirido a respeito do momento decisivo de se registrar uma imagem. Com a palavra, o mestre: “A gente olha e pensa: Quando aperto? Agora? Agora? Agora? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora que explode. Ou temos o instante certo ou o perdemos, e não podemos recomeçar. O desenho é uma meditação, enquanto que a foto é um tiro. Você pode apagar um desenho e fazer outro, você não está lutando contra o tempo. Mas, com a fotografia, há um espécie de angústia constante, pelo fato de você estar presente em um momento que não mais se repetirá. Mas é uma angústia muito calma”.
Foto de Henri Cartier Bresson

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Perder-se também é caminho

          Inúmeros são os caminhos e inúmeras são as possibilidades de perder-se. Estamos seguindo um caminho e de repente... Psiu! algo diferente nos chama a atenção e lá vamos nós nos desviando das nossas convicções, nossas certezas, nossos projetos, nossos sonhos, nossos ais, nossos vazios, nossas falsas verdades, nossas crenças caducas, nossa vergonha, nossa alegria, nossa insensatez, nossos medos, nossas amizades, nossos amores, nossos desamores, nossas raivas, nossos desapontamentos, nossos tormentos, nossa esspeança,nosso tom, nossa cor, nossa vida, nossa morte, nossa dignidade, nossa fé na vida, nosso tudo, nosso nada.
          Se perder-se também é caminho, achar-se pode ser a chegada.Mas a chegada é também a partida. É dada, então,  nova partida. E lá vamos nós outra vez nos perdermos por outros caminhos.
Dizem que longa é a caminhada na vida.  Longa é a sequencia de caminhos percorridos na vida. Muitos são os caminhos. Muitas são as chegadas.
 Nem sempre. Há épocas de muitas caminhadas e poucas chegadas. Épocas de muitas partidas e poucas caminhadas. Épocas de muitas partidas e poucas chegadas... E há épocas em que uma coisa é a outra. Chegando-se a uma equação que insiste em nos lembrar que para achar-se é necessário perder-se. Perder-se até de si próprio. O pior dos perder-se, mas que, em contra partida, pode ocasionar o melhor dos achar-se.
          Afinal quem procura acaba por  achar ou achar-se  ou  perder ou perder-se. E nem sempre quem acha-se deixa de perder-se outra vez.
          Não nos resta alternativa. Há que se encarar o caminho. Ele é o processo.

Outra prece

Pai, amigo  dai-me hoje o que é meu e me mostra porque é meu.
Ajuda-me a virar as costas para tudo que não for bom para o meu progresso.
Empresta seus olhos para que eu veja o que tiver que ver.
Empresta o teu colo para eu chorar quando a dor insistir.
Ajuda-me a crescer  enquanto ser cósmico.
Perdoa todas as vezes que me traí ou traí meu destino.
Ajuda-me a trazer  luz para minha vida.
Enche o meu ser de fé e confiança.
Segura a minha mão quando eu fraquejar.
Toca meu coração nos momentos de dúvida.
Faz de mim instrumento de amor e  alegria.
Desperta em mim a entrega e a  aceitação
Hoje e sempre.
Amém.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Maria Maria

          Quando Milton escreveu esta canção devia estar pensando na força das mulheres que não sucumbem às adversidades da vida. Que não desistem de si mesmas e que principalmente ainda acham motivo para sorrir e tocar a vida depois de perdas que fariam muitos desistirem.
          Elas possuem a estranha mania de ter fé na vida. Sempre. Uma fé que as leva a frequentar um curso. A ir tomar uma cervejinha. A compartilhar suas dores com uma professora. De sorrirem para a vida.
          São vicerais, assim como são vicerais seus sonhos, seus desejos e suas rotinas.
          Que coragem infinita habita o interior destas mulhers? Que magnitude de alma é esta que não as deixa esmorecer?Serão feitas de algum outro material que tantas de nós nem imagina qual seja? Teriam aplicado botox na alma ou no coração?
          O que elas tem que a maioria de nós não consegue nem vislumbrar?
          Poderia enumerar qualidades e virtudes para descreve-las e ainda assim não estaria lhes dando o crédito merecido.Sou capaz de apostar que as Marias das quais falo são mulheres como nós. E então me sinto pequena diante da força que mostram.
Nós que "debilitadas" pela TPM corremos para o lexotan e seja o que Deus quiser!!!
Nós que a qualquer disapontamento já queremos sumir. Nós que, reféns de nossas escolhas, parimos queixas e queixas diariamente.
Nós que saímos insandecidas correndo pela cidade porque percebemos o jeans mais apertado.
Nós que reclamamos que a cerveja tá quente ou que a empregada não apareceu para fazer nossas camas.
Nós que corremos para marcar a cezariana que muitas vezes impede um parto mais humanizado.
Nós que fizemos da vida um dramalhão diário.
Não posso acreditar que somos feitas da mesma matéria que as duas Marias. Ou, estaremos nos boicotando? Parecemos mulheres a beira de um ataque de nervos?
Come on!!!
É hora de olharmos a vida como ela é e não como queremos que seja.
É hora de crescer e adotarmos uma postura de entrega e aceitação diante dos nossos destinos, nem sempre hollywoodianos.
É hora de pararmos de brincar de Barbies e cuidar mais das ideias do que dos cabelos.
Em nome de todas as mulheres que abriram caminho para que hoje a gente esteja aqui, fica o apelo.
Honremos nosso genero nem que seja para não adoecermos.
Todo e qualquer ser humano que habita este planeta passou pelas mãos de alguma mulher. Que a gente tenha então a sabedoria e a gratidão que se faz presente toda vez que emcaramos a vida com determinação fé e altivez.
Que no futuro a gente confie mais na nossa força e menos no poder que colocamos nos problemas.
Só nos resta uma  escolha: Ou se cresce ou se cresce. E então, quem sabe a gente ainda consiga se sentir mulher como as Marias do Maranhão?
Texto inspirado em duas alunas/amigas de minha filha Marina. Chamei-as de Marias porque este nome carrega em si a força das mulheres.

AMOR - substantivo abstrato

          vamos começar pondo as coisas em ordem. Tem muita distorção nesta área. Nem tudo que é visto como amor é amor. As vezes é vaidade, outras dependencia, outras medo, covardia, ligeira admiração, sexo, e por aí vai. Exemplo. Meu casamento não tá legal mas não quero ficar só. Então deixa estar pra ver como é que fica. Acomodação, mas aos olhos alheios muitas vezes, amor. Outro exemplo. Sou mais uma neurótica e preciso estar sempre me sacrificando por alguém. Fico. Morro de medo de andar com as minhas próprias pernas, afinal saí do colo do pai e caí no do marido. Fico.  E neste "se é para o bem de todos... digo que fico " azar o meu!!!
          Uma filha é criada para cuidar dos pais. Fazem sua cabeça. Quem não quer posar de linda? Resultado? Fulana é uma filha extraordinária. Abriu mão de vários amores, pelos pais! Pura doação! Quando não tá com os velhos tá na igreja! Até porque este espírito precisa descansar da lida tediosa, né não? Mas não é que dá vontade de meter o cacete nessa mulher? Cacete surra mesmo. Ou o outro também.
          No leito de morte da mãe a filha promete cuidar do papaizinho indefeso. Lá se vai sua vida própria embora. Mas está decidida a ser a boazinha. E se não bastasse, ocupa um lugar que não é o seu. Confusão lá na frente. E tome de constelação Familiar para ver se ajeita as coisas.
          Ainda por cima tem a culpa original que nos faz sentir que não merecemos mesmo e tá tudo bem...Bora trabalhar! Lavar roupa todo dia... que agonia. O trabalho dignifica o homem e desgasta a mulher, mas ajuda a esquecer. Quem ainda não viu ou protagonizou este filme?
          Amamos distorcido,  diz Hellinger. Amamos capenga, Lya Luft. Amamos torto, digo eu. Não sabemos exatamente o que é o amor e aí vamos ensaiando ora brincando ora sofrendo.
           Bia, a psicóloga, me diz  que se preciso fazer esforço não é amor e, completa dizendo que nem todo amor soma. Agora entendi. Concordei, mesmo. É difícil ficar teorizando sobre o  abstrato. Ainda mais um abstrato tão desconhecido e, paradoxalmente, tão falado e cantado em versos e prosas.
Tem amor que subtrai, tem amor que maltrata, tem amor que nos venda os olhos, tem amor que enlouquece.
Ah! mas era bom! Bom o cacete! Bom é o que não me faz chorar duas vezes pelo mesmo motivo. A filosofia , em outras palavras, diz assim.  Chorou duas vezes pelo mesmo leite derramado? Lava a leiteira e começa a tomar chá. Gente chá é leve e faz bem a saude. E leite é pra bebes. Já crescemos. Larguemos as tetas de nossas mães, pelo amor a si próprio....
Bora crescer... chorar... parar de chorar... tentar brincar mais.... fazer mais bagunça.... e ter humildade para encarar a "morte" de algo que se um dia foi bom, hoje judia de mim...
Nem eu to falando que é facil. To falando que é honesto com a gente mesmo...
Cuidado gera cuidado e só amor que é amor constrói. Mas como saber que é amor mesmo? Toda vez que o choro for de alegria e o riso se referir a uma dor é sinal de que estamos em sintonia amorosa....
Mas enquanto não vem o que eu faço para não sofrer? Saio correndo buscando novos braços que me acolham?
Pra que a pressa, me perguntou uma amiga certa vez, temos a eternidade!
Viver  em si, já é um ato de amor. Continuar é outro. Correr como os lobos mais um e tentar exercer o perdão é fundamental. Perdoar inclusive a nós mesmos. De preferencia antes de perdoar o outro, é um grande gesto de amor.
Amor a nós mesmos para podermos seguir amando.
Penso que o amor não termina dentro de nós, mas muda o objeto de amor. Sendo assim, como diz um amigo da Marina, Next, please!!!