terça-feira, 25 de maio de 2010

A fábula do porco espinho

      Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
           Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
          Por isso decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados, então precisavam fazer uma escolha:
          Ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
          Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
          Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.
          E assim sobreviveram.

Moral da História

        O melhor do relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.

Me dá licença?

     Parecia pedir licença quando, ainda no útero materno se posicionou para quinze dias mais tarde mergulhar neste enorme oceano que é a vida no nosso planeta. Planeta Terra.Talvez devesse ser chamado de Planeta Agua. Sim porque penso que o elemento água retrata melhor a vida com suas ondas, calmarias, ressacas e tsunamis. Ora serena, ora tempestuosa; assim é a vida até mesmo no útero de nossas mães. Onde temos nosso primeiro contato com este elemento.Vinte horas antes começou o que chamamos de trabalho de parto. Aflição, preces, expectativas. Dois alarmes falsos. Duas idas ao hospital para ouvir dos médicos que a dor ainda era pequena. Masoquismo ou enduro? A loba mãe queria vivenciar tudo. Queria estar no processo de dar a luz a seu rebento NATURALMENTE. Ser expectadora e protagonista.
       Nesse clima festivo (?!) Amanda chegou num dia de flor (arquétipo do feminino) 23 de setembro. Quase careca, para ser otimista. Olhos azuis. Menos de meio metro de gente, porém, gente à beça.Um pingo de gente que mais parece um trema porque vale por dois. Chora por dois, corre por dois, come uvas por dois.
     Tem o olhar tão profundo quanto o de Emilia, sua tataravó. Janelas da alma escancaradas.Tem ansia de viver. Um dia correrá na quadra, na rua, na floresta. Vai ganhar o mundo. Respeito muito mulher pequena. Sei que no futuro não se deterá se tiver que imprimir pegadas na lama. Não nasceu. Estreou. Gente feliz não nasce, estreia. Do lado de fora do hospital o movimento da família era quase coreografia. Algo como noite de avant premier.
     Que escolhas fará? Que causas abraçará? A mãe natureza ,que é comadre íntima da vida, se incumbirá de nos mostrar.Gaia a proteja , Deus a ilumine e os anjos digam amém a toda e qualquer impressão e escolha feitas por ela.
    Estou pagando para ver. Queira Deus que eu tenha o privilégio de ser testemunha de sua existencia.
    Amém!

A Madrinha

          
    Desde muito pequena admirei verdadeiramente minha madrinha. Lembro-me de ouvir as pessoas dizerem que madrinha era a nossa segunda mãe.
Tive a sorte de terem escolhido para ser minha madrinha a irmã de minha mãe, que geralmente são muito chegadas a nós.
       Quando criança me lembro de no natal ganhar muitos presentes. Dela levando eu e meu irmão na SLOPPER no centro do Rio para comprar os nossos brinquedos.
Lembro-me dela perfumada,bonita e elegante.
        Conversávamos muito: conforme fui ficando mocinha conversou comigo sobre aquelas coisas de mulher e me levava ao cabelereiro ou me punha bobs com cerveja no cabelo.Era solteira e independente e eu achava isto o máximo. Queria ser como ela.
         Aos dezesseis anos me falou de livros de auto-ajuda e de la para ca nao parei mais de le-los.
        Aos 18 anos me ensinou datilografia e quando pensei em trabalhar deu um curso pratico de como me comportar no mundo adulto.Desde a roupa apropriada para uma entrevista até como sentar com sapatos de salto nas reuniões da empresa.
       Cresci,casei e mudei e com isto me distanciei dela, pois mudei de cidade tambem
       O que eu não poderia imaginar era que aos 52 anos apos me tornar a avó pela primeira vez ainda fosse conviver com ela de maneira tão próxima novamente.
        Nestas épocas ambas de nós sofreram perdas insepáraveis. Ela perdeu a irmã e a mãe e eu a mãe e a avó que eu tanto amava.Choramos juntas, sobrevivemos!
       Foi nesta época que minha fé na validade da vida ficou tão abalada que até acordar era dificil para mim.Pra que?Por que?Não fazia mais sentido.
       Minha neta havia nascido um mês antes e o que mais eu ouvia dela era que eu tinha minha neta e que tudo ia se resolver. Lembro-me de pedir a ela que fizesse o papel de bisavó de Amanda, a neta.
       Após a morte de minha mãe e minha avó as coisas para nós pioraram muito. Meu pai foi internado numa clínica e a casa que era deles foi saqueada.
       Ela realmente acreditou e apostou que eu seria capaz de reescrever a história da casa. Meses depois fomos todos passar o mês de janeiro juntos.
       Ali eu percebi mais uma vez como a vida é sábia e como o amor é a melhor escola.
       Quando fiz biodança me tocava muito uma vivencia de reforço de identidade onde o grupo chama baixinho nosso nome.Nessas férias houve um dia em que Amanda levantou bem cedo e foi andando pela casa. Seguia-a . Ouviamos uma voz lá longe chamando seu nome muito baixinho. Um carinho.
       Amanda andava procurando até que encontrou o quarto onde a madrinha estava dormindo. Aquele chamado parecia ter a intençao de ninar minha neta. Não sei se ela tem consciencia, mas, ali ela facilitou a primeira vivência de biodança de minha neta. Parei à porta e vi que se abraçavam.
       Tomara que um dia Amanda se lembre disso, porque o amor que permeia as verdadeiras relaçoes podem nos gratificar e ensinar muito. É  a vida que segue oportunizando novos papeis , novas funções , novos amores.

Towanda

           
            Este é o pé de minha filha Marina.
            Para quem não entender, o pé tem um tatuagem - TOWANDA.
            Esta é uma expressão que foi usada no belíssimo filme Tomates Verdes Fritos. E diz respeito a uma atitude feminina de tomar posse da nossa força  e riqueza interiores para nos possibilitar o enfrentamento do dia-a-dia com leveza e determinação. Leveza essa que vem da certeza de ser capaz e feliz.
           Towanda!

Minhas dores e minhas delícias

                   "Justo a mim coube ser eu mesma!" 
         Numa conversa informal com um amigo, me peguei falando que não sou só luz e alegria, mas também sombra e tristeza, dúvida e certeza. Ora, se não abraço a minha sombra, não fico inteira. Hoje, ridente, amanhã ausente, sempre buscando... seja lá o que for.
         Certa vez numa terapia de grupo tive o insight/ benção de perceber que vivo tanto de dores quanto de delícias...

A caverna

      
       Como eram boas as calçadas quando ainda eram chamadas de “passeio” e ali nos humanizávamos mais...
        Num destes domingos, estive numa academia para encontrar um grupo de Biodança (terapia que se propõe a humanizar o homem para que este “dance” sua vida) e percebi com tamanha tristeza que todas as esteiras estavam ocupadas. É... as pessoas estavam malhando com velocidade artificial e usando headphones.
        Lá fora da "caverna" fazia um sol gostoso de inverno; destes que a gente aproveita para abrir  janelas, ir para a varanda, para o jardim, para o clube, ou para o parque. Mas, isto seria natural demais e estamos "acorrentados" no nosso próprio isolamento.
       Olhando aquelas pessoas pensei nas marchas dos soldados em filmes de guerra ou nas modelos desfilando em passarelas; estas com o mesmo olhar vazio daqueles. Até a marcha que os operários empreendem às 5h da manhã nos metrôs das grandes cidades tem mais vida.
      Pensando desta forma, preciso de um parêntese para parabenizar o Parkshoping de Brasília por ter colocado recentemente em revistas e outdoors uma foto de um rapaz que é belo porque belo é o olhar que ele nos dirige. Um olhar penetrantemente humano.
      Mas, voltemos à academia. Nada contra o espaço físico, no entanto, tudo contra o supeficialidade do falso mito de beleza, que mais é o da vaidade. Naquela ocasião, era domingo e fazia sol. Talvez, ao ar livre aquelas pessoas trocassem pelo menos um bom dia, só para variar e serem menos autônomos ou anônimos nesta grande selva que nos engole e nos pode roubar a alma.
       Falando em alma, ressalto a minha profunda reverência à atitude do menino da casquinha do sorvete. Aquele tinha recheio! Talvez eu nunca mais o veja, ou o reconheça, mas seu gesto tocou a minha alma numa feira barulhenta, tumultuada e num espaço fechado mais uma vez.
       De forma geral, penso que na atual sociedade procuramos espaços e pessoas que reflitam nosso isolamento interno, o que nos leva a perguntar: até quando?

Pensando com os meus botões...

          
           Refletindo ainda sobre valores e auto-respeito, vivemos num mundo onde se cultua o corpo, onde vivemos somente para a superficialidade e vemos como “normal” pequenas cinderelas sendo levadas pelas mães (pasmem!) aos cabeleireiros para mudarem o visual!
           Estamos, na realidade, de braços cruzados, deixando que a busca pela beleza fabricada, artificial e vazia, se imponha a valores como naturalidade, autenticidade, espontaneidade e simplicidade. Aliás, o que aconteceu com a simplicidade de nossas vidas? Onde a esconderam? Por que está tão distante de nós? Será que não estamos valorizando muito o ter em detrimento do ser? Será que é realmente preciso buscar o falso tão cedo? E os tamancos comprados para que nossas meninas possam desfilar em vez de brincar? Sim, porque o natural é brincar descalço, com roupas adequadas que não privem as crianças do livre movimento. Simples assim.