quarta-feira, 27 de abril de 2016

Minha cabeça abandonou minha voz



                                                                                           



Nossa cabeça é um computador. E como tal, as vezes deleta algo ainda que contra a nossa vontade. Já perceberam como o computador tem vontade própria?
Costumo dizer para os amigos que penso no Alzheimer como um computador, que, cheio demais de informação começa a deletar arquivos inteiros. Quem já perdeu um arquivo sabe da agonia que estou falando..
Não é que eu esteja dizendo que o Alemão anda me rondando, mas que preciso cada vez mais de listinhas, preciso.
É uma barbarie. Estou fazendo uma monografia e às vezes as ideias vão assim como vieram. Outro dia me peguei dizendo para a minha companheira de monografia, Christina Costa, que não podemos demorar muito ou não escreveremos nada.
Preciso escrever o tempo todo, ou... esqueço.
Ou melhor, deleto.
Teve uma época, no nosso estágio que trabalhavamos em duas escolas. Outro dia nós nos despedíamos e eu disse... Então a gente se vê amanha na escola. E Chris perguntou... Que escola? Detalhe: no momento só trabalhamos em uma.
É como se minha cabeça tivesse abandonado a minha voz. Triste assim!!!
Meno male. Não estou sozinha nessa encrenca.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Voltando a Maragogi


                                                                                 


                                                                                  
    

                     De passagem só para dar uma dica daquelas.
Indo ao Salinas do Maragogi não deixe de visitar a ferinha na areia do hotel. A vendedora é muito bem preparada e simpática e os biquínis bonitos e de ótima qualidade. O nome dela é Neide.
            Aprovo e recomendo para todos que venham a ler este texto. Bj e até a próxima.
                                                                                                                           Angela

segunda-feira, 6 de julho de 2015

E agora que.... ( ou... Nao chorem por mim )

                            
                                                                       
                                                            


               05 de agosto de 2015. Hoje morri aos 60 anos,  no Solar Guadalupe, Brasilia, numa maratona de Biodanca, chamada Inconsciente Numinoso. No final do trabalho, o didata nos disse... E agora que..... e devemos manter em mente o ocorrido e estarmos dispostos a sustentar as mudancas que comecaram ali.
Porem antes quero falar um pouco da vivencia.
               Ao chegarmos para o trabalho muitas duvidas.
Teve gente até que arriscou que depois dele seriamos capazes de ver nossa luz e a luz das pessoas de cara limpa.
Considero a Biodanca um trabalho serissimo de resgate da afetividade e por isso confio e me entreguei.
O trabalho compreende tres despedidas. A primeira consiste me despedir-se dos argumentos que nos impedem de melhorar. A segunda a despedida de pessoas (amores) vivos ou nao , aos quais ficamos presos, apegados, nao deixando que a vida flua com alegria.A terceira e a despedida de nos mesmos. Precisamos morrer para aquele sujeito que chegou la e dar espaco para o novo. Assim resume-se em decidir, aceitar e sustentar este novo ser.
               Acabei de me formar na Escola de Biodanca e percebo que ja nao sou a mesma. Muita coisa mexida. Muitos aspectos e atitudes deixadas de lado. Menos ansiedade e mais presenca me foram conferidos ao longo do processo.
               Tenho dito para meus amigos e familiares , ultimamente, que olhando para tras vejo que minha vida foi muito boa. Como se eu estivesse , finalmente, em paz com a vida e a morte. Serio.
               Ja tive muito medo de morrer, de fazer falta. Hoje ja nao vejo assim. Fiz tudo que podia ter feito. Casei duas vezes, tive filhos, netos e trilhei um consideravel caminho de auto aprimoramento. Sou melhor hoje aos 60 do que era aos trinta. Believe it or not. Sei o que estou dizendo.
               Voltando para a maratona passamos pelo primeiro portal da primeira despedida e foi tranquilo. Tambem ja fui de argumentar mais. Passamos pelo segundo que foi bem interessante.  Certas portas devem ser fechadas dentro de nos. Clarissa pinkolas nos lembra que alguem de 30 anos ja morreu varias vezes e que a cada morte deveriamos fincar um cruz no chao para que os fantasmas possam descancar e nao nos seguir vida a fora. Mas na hora de despedir me da vida cheguei a conclusao de que se a morte nos pega vivos fomos felizes.
               Acredite tem gente viva que ja morreu e nao sabe. Morreu para as novidades, para os novos amores e para, o que e pior de tudo, a vitalidade existencial. Ja nao fazem mais planos e nao vibram com a travessura de um neto.
Nao sei o nome da musica de fundo. Fantastica. Um requiem e a voz meiga e cuidadosa do didata nos induzindo a visualizar cada detalhe do processo. Como ele mesmo tinha prometido antes, facil e suave.Ja que tinhamos decidido morrer que nos dessemos uma morte agradavel. E assim foi. Cada qual escolheu um lugar e sentou-se ou deitou-se no chao , de olhos fechados e em silencio.
Tinha uma ideia do que aconteceria so nao sabia que eu ia estar me sentindo tao bem.
Vivi tudo que tinha para viver, eu repito. Mesmo aposentada quero comecar um trabalho de Biodanca social. Sonho antigo de mudar as coisas. Logo, estou viva. Que a morte nao me pegue num CTI.
Certa vez disse para minhas filhas que queria morrer num momento de planos de viagem e que depois eles dissssem.... Mamae tinha passagem comprada e hotel reservado e deve estar la agora. Isto significa morrer vivendo.
Problemas eu tive, mas, aqui entre nos, nao foram tantos . Afinal a vida nos suropreende com novidades dia a dia. Estejamos abertos, pois.
Quando a despedida terminou o silencio enchia nossos ouvidos de farfalhar de folhas e agua correndo. E me lembro de pensar. Sou natureza, assim como Deus. Isto e o inconnsciente numinoso. Algo que nos surpreende pela simplicidade. Afinal, segundo Carlos Garcia Deus, Luz, Amor e Transcendencia nao podem fazer parte do extraordinario, mas pequenas vivencias ordinarias do dia a dia. Nada fora de nos,para alcancarmos se formos merecedores, mas a divindade em nos.
Quero fechar com uma frase George Bataille em que ele diz que o maior erotismo e a confirmacao da vida ate  no momento da morte.
E peco ainda, nao chorem por mim quando eu me for deste plano para o outro.
Fui feliz demais para me sentir triste com a mudanca.
Bj no coracao de todos os que cruzaram e facilitaram o meu caminho me tornando, assim viva.
              



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Tixo partiu

                    D epois que Tixo se acidentou e comprometeu um ligamento nunca mais foi o mesmo. Foi numa noite de revellion há 3 anos. Fez cirurgia, fisioterapia e nada. A melhora foi muito pequena.
                     Depois foi infectado por leishmoniose e aí o caminho ladeira a baixo não foi brincadeira. Acompanhar a finitude de um cão que foi tão feliz, sapeca e levado é dificil.
Há tres meses voltou para minha casa para "acabar" mais atendido. Na casa de Bia ele ficava só uma grande parte do dia.
                     No sabado dia 9 de maio as tres horas Tixo foi sacrificado. Dentro do possivel numa atmosfera de amor incondicional. Hoje, dia 11 de maio foi cremado no Paraiso Animal.
                     Esperamos de todo coração que tenha sido recebido por Ximbica e que São Francisco os esteja protegendo.
                     A Tixo nossa eterna saudade. Nunca falei essas palavras tão plenas de significado.
                     Beijo Tixinho ,


Nosso amigo maior!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

_ Tem borracha aí?


                                                                                 

          Trabalhando num projeto de Biodança e ação social o grupo escrevia escrevia e buscava palavras e mais palavras, conceitos e detalhes.
O tal projeto atenderia a crianças de uma escola de periferia chamada Julia Kubitschek.  Eu costumo dizer que é no processo que aprendemos porque é a hora que buscamos todo e qualquer tipo de informação e conferimos escritas e intenções de fala.
Em determinado momento não sabíamos mais escrever Kubitschek ( cansaço das horas ). E alguns se poem a procurar na internet tal palavra . Neste momento me bate uma impaciencia tamanha  e digo. _ Gente muda o nome da escola. Isso é fictício. Porque não Canarinho Amarelo ?
Explico: Minha mãe não tinha estudo academico completo, mas era de uma sabedoria de vida que hoje chamariam de inteligencia emocional.. Para a época dela ela era apenas safa.
Quando eu estava ali pela quinta série estava um dia escrevendo um redação para nota e me bateu uma duvida quanto à palavra devagar no diminutivo. Perguntei: Mãe o certo é devagarinho ou devagarzinho?
Ela me olhou, pensou e perguntou. Tem borracha aí, filha? Sim , respondi. E ela:.... Então  apaga e põe "lentamente". Fim de papo.Voltou para seus afazeres. Que eram muitos, por sinal.
Dia desses fazendo a tarefa de casa com a Amanda tanto eu quanto ela esquecemos do paragrafo. Bia chegou, viu e não aceitou a displicencia pediu que Amanda apagasse. Ela apavorada perguntou: Apagar tudo , mãe? Sim respondeu Bia. Ela olhou para mim em panico. O paragrafo começava com o nome de um gato e este se chamava Honolulu. Lembrando de minha mãe eu disse a ela... Apaga Honolulu. Vamos mudar o nome do gato. Ele vai se chamar Bill. Nome pequeno e assim não precisaremos apagar tudo. Amanda me olhou em cumplicidade e seguimos em frente.
          Espero ter passado um pouco de jogo de cintura para Amanda. Amém!

Dona Naná tá danada. O santo dela desceu!

                                                                               

           Dona Naná é dessas pessoas animadas , prestimosas e que gosta de curtir a vida à doidado. Porén dona Naná andou sumida. Dela e dos outros. Andou por aí sem brilho, falando baixo, sem opnião ou querencias. Apagadinha que só!!!

          Dona naná tinha um sonho. Sonho de ir à Italia. Dona Naná costuma dizer que mais vale um gosto que um posto; o que nem sempre é verdade.

         Seguindo seu desejo mais profundo arrumou as malas e se foi. Cheia de galhardia quando pisou em solo Italiano modificou seu comportamento.

Em Biodança diríamos que algo a tocou. Se tocou ninguém sabe ninguém viu mas que a danada não parava de falar isso não parava.

          Foi à uma noite Italiana regrada a show e comida boa e dona Naná se soltou. E de lá para cá só pensa em viajar, ir ao cinema, comer pizza, levar o cachorro para passear, ler o jornal, tirar os documentos que estavam pendentes para isso e para aquilo, curtir as netas e cantar. Passa o dia indo para a rua. Tem sempre algo a fazer ou comprar.

Socorro! Alguém me ajuda a tirar a pilha de dona Naná? É que tenho medo dela cansar!
         Dona Naná tá danada. Parece que o santo dela desceu! dizem por aí.

 Que ele a ajude a se manter por aqui.

domingo, 21 de setembro de 2014

Como assim ?Luquinha se aposenta aos sete anos?



                                                                   
         


            Lucas é um dos futuros amigos de infancia de minhas netas Amanda e Julia.
Já me chama de vovozona e seus pais fazem parte de nossa "tribo".
            O olhar do Lucas é meigo e cheio de luz. Um menino de ouro, como diriam os antigos. E, como disse Amanda uma vez," um menino que topa de tudo". Falavamos de companheirismo escolar.
Recentemente em festa das netas eu conversava com a mãe dele, Euritima.
Conversa vai conversa vem chegamos a um papo de casamentos e ela me contava que Lucas tinha ido provar uma roupa para ser pagem pela terceira vez na curta vida de  sete anos.
 Aposto que seu sucesso vem de  sua meiguice.
          Palavras da mãe: Estávamos na loja e o Luquinha começou a conversar com outra pessoa que estava fazendo provas também.
           O menino contava para a moça que na primeira vez que ele foi pagem de um casamento ele disparou e saiu correndo pelo tapete central da igreja quase derrubando o fotógrafo.
Na segunda vez ele já se controlou melhor mas ainda não ficou satisfeito com sua performance.
_Desta vez agora, dizia ele, quero caprichar até porque depois deste casamento eu me aposento! Cansei, sabe?  
         Cansado talvez por ser do tipo que leva tudo a sério. Ou talvez se considere crescido demais para tão compenetrada missão.
Agora... dorme com um barulho desses!!!
          Lucas tem sete anos de idade, 20 e tantos de meiguice e comprometimento e uma vida toda pela frente; mas pasmem... Já quer se aposentar!
       Quero terminar aqui deixando um beijo grande no coração deste menino e de seus pais. E desejando que nossa amizade se perpetue para alegria geral da galera.
          Se Dr Delamare estivesse na festa teria dito... Criança diz cada coisa!!!