domingo, 26 de dezembro de 2010

Mia Rosa

          Mia Rosa era o papagaio de minha vizinha, Célia, em Itaipava. Naquela época a casa de Célia era o hotel de dona Charlote, sua mãe.
          Mia Rosa era criado solto e era super esperto. Atendia o telefone dizendo: "Alo, 2494" (os telefones só tinham quatro números) e, pasmem.... Mia Rosa cantava modinhas de carnaval ensinadas pela velha cozinheira do hotel. Seu repertório incluia marchinhas como: Sassaricando, me dá um dinheiro aí e outras.
          Certa vez Dr Paulo, marido de Célia, foi pegar algo no guarda roupa e deu de cara com Mia lá dentro. Aborrecido com a falta de limites do papagaio reagiu xingando o coitado e mandando que ele saísse de lá imediatamente. Ao que Mia respondeu cantando: Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira!!!
          Por outro lado Mia  era um sujeito legal. Catava as pulgas de Zeca, o cachorro do hotel.
          Um dia fugiu mas voltou e logo depois apareceu morto. Voltou para morrer "em casa".
          Que Deus o tenha e o mantenha cantando no céu....

sábado, 25 de dezembro de 2010

A imaginação é a memória que enlouqueceu

Mais um caso de Vera.
O avô de Fred, seu ex marido, consertava geladeiras e certa vez acidentou-se vindo a ficar cego.
Assim passou muito tempo de sua vida explicando aos curiosos como havia sido o acidente.
Já no fim de sua vida, quando bate aquela preguiça de explicar coisas pela enésima vez, ao ser questionado sobre o ocorrido, respondeu prontamente... " Sou cego de nascença".
Pois bem. A certa altura de nossas vidas  Vera e eu fizemos caminhadas num grupo que se chamava Cabra. Companheiros andarilhos de Brasilia.
Numa de nossas caminhadas na Chapadas da Diamantina, Jesus, uma amiga querida, havia molhado os tenis numa cachoeira no dia anterior  e percebeu que não havia levado outro par. Para não perder a caminhada decidiu  faze-lo de sandálias havaianas. As legítimas!!!
Assim foi que durante a caminhada nove a cada dez  participantes do grupo perguntaram-lhe porque os chinelos e não os tenis, mostrando preocupação com uma possível mordida de cobra. Jesus é muito doce e  pacientemente explicava que os tenis não haviam secado durante a noite.
Vera já cansada de ouvir a mesma explicação várias vezes e  tendo, na véspera, nos contado o caso do avô de Fred parou por um instante e soltou a seguinte pérola:
Jesus, querida, por que voce não diz a eles que os chinelos são de nascença???
kkkkkkkkkkkkkk

Pastéis de bacalhau

Diálogo travado num bar de Lisboa entre uma brasileira ávida por um bolinho de bacalhau e o portugues que a atendeu:

Bom dia! Por favor queremos bolinhos de bacalhau.
São brasileiros, pois não?
Sim somos brasileiros. Mas como soube?
Porque pediram bolinhos de bacalhau.
E?
A cá não se chamam bolinhos de bacalhau, mas pastéis de bacalhau.
Ora, pois pois. Então que seja! Pastéis de bacalhau!
Desejam algo especial, pois não?
Sim. Viemos de longe; queremos algo especial.
Terá que ser com o meu concorrente. Vão sair, virar a direita e dobra na  próxima esquina à esquerda.

Equivoquei-me de muerto!!!

          Conta a Vera que a tia Almerinda era uma mulher bem ... digamos... espalhafatosa no modo de vestir. Quase uma viúva Porcina, o que a fazia "perceptível demais". Daquelas pessoas que CHEGA nos lugares.
                    Muito bem, Tia Almerinda estava vivendo na Espanha e tinha um ...amigo(?)
                    Fato é que o dito faleceu numa época em que as rosas na espanha eram caríssimas.
                   Depois de muito pensar decidiu a tia a comprar um buquet de rosas e aparecer no velório. Uma homenagem aos bons tempos vividos com o  amigo.
                   Não querendo chamar muito a atenção entrou na capela e vendo a mulher, a mãe e a filha do morto  em volta do caixão parou ao pé do mesmo com seu buquet em mãos e, discretamente, pousou as flores em atitude contrita. Ali fez sua oração de despedida enxugando uma lágrima solitária que insistia em descer por seu rosto.
    Passados alguns minutos, percebendo que a família se afastara um pouco, tia Almerinda se aproxima  do rosto do morto e...surpresa percebe que esta no velório errado!
Gente, as rosas tinham sido caríssimas. Não titubeou, voltou para os pés do morto e,constrangida, recolheu as rosas  dizendo alto e em bom som..." Equivoquei-me de muerto!"
Tem gente que consegue ser assertiva mesmo em situações difíceis.

Celebrando o dia dos namorados

          Vera e Nilda gostam de crepe e uma vez por mes as duas saem a saborear a iguaria. Até aí, tudo bem. Contava Vera hoje no almoço de natal que meses atrás as duas foram a uma creperia e perceberam que especialmente naquele dia a creperia estava lotada, O que não impediu que o garçon, já conhecido, as cumprimentasse com intimidade.
Estranho... pensou Vera.
                    Conversa vai, conversa vem as duas só perceberam que era o dia dos namorados quando, a certa altura, o garçon chegou discretamente com um sorriso cumplice no rosto e, pedindo licença, salpicou pétalas de rosas pela mesa das duas!
                     A vida nos prega cada peça!!!
                     Como disse numa postagem anterior todo mundo é bem intencionado, né mesmo?
                      É...

A excêntrica familia de Angela

          Julia começou a fazer movimentos pro engatinhar há mais ou menos uma semana. Hoje, 25 de dezembro,  a criança já com sete meses, progrediu para uns pinotes. O que nos faz crer que engatinhará antes do ano novo. Há quem aposte que Julia engatinhará em Janeiro, em Itaipava. Sei não...
          Filha de psicóloga, neta de professora, irmã de duas moças , sobrinha de Marina e sendo criada com cachorros a sua volta podem apostar  que é bastante estimulada.
          Sabe como é, tem aquela estória do estímulo.
          De uns dias para cá toda vez que ela está em seu tapetinho e passo por ela e coloco um brinquedo  ou até mesmo os meus óculos um pouco distante dela para ve-la tentar alcança-los.
         Todos são bem intencionados, E de louco e de didático todos nós temos um pouco, né não?
          Pois bem. A certa altura do almoço de natal olho para o tapetinho e vejo Marina engainhando  a certa distancia de Júlia mostrando-lhe nada mais nada menos que um brownie. Acho que é porque no fundo todos nós somos chocólatras. Vale aqui fazer rápida referencia ao amigo oculto que fazemos onde as pessoas podem roubar os presentes um dos outros. Papai havia tirado o numero um e correu a pescar uma caixa de bombons. Para nossa surpresa logo logo a caixa estava pela metade. Talvez tenha pensado que se alguem o roubasse logo adiante já teria saboreado alguns. Alguns?
          Mas a coisa não para por aí. Bia,  a mãe da nenê tem uns setenta pares de sapatos. Abafa!!!         Ninguém é perfeito! Para nossa surpresa(?) no decorrer do almoço pegamos Bia com apenas um dos sapatos nos pés. Amarelos, é claro! Olho mais detalhadamente e percebo que o outro pé  de sapato está sendo sacudido como estímulo para que Julia engatinhe.O que me acalenta é saber que todos nós escolhemos os pais e a família certa para nossa evolução!? Será?
          Como diz Lya Luft  múltiplas são as escolhas que fazemos.
          Queira Deus que Julia não se arrependa um dia!!!
Um adendo: Maio de 2011. Julia já fez um ano. Balbucia algumas palavras, tais como: Amanda, papai, mamãe e sapato.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Euforia ou eufolia???

         A palavra euforia tem sua origem no grego euphoria e designa um estado de excitação plena, empolgação, alegria intensa, mesmo que não corresponda à realidade de quem o experimenta; o que na maioria das vezes é verdade.
          É como se precisássemos estar alegres e eufóricos para nos convencer de que somos felizes ou de que estamos bem. Estejamos ou não.
          Fico pensando que a mudança de uma única letra: o R pelo L talvez traduzisse melhor o nosso estado.    
           Sendo assim diríamos que aquela pessoa está experimentando uma folia. Folia pessoal. Por que não dizer uma Eufolia???
           Me pego pensando na musica... São tres dias de folia e brincadeira... voce pra lá eu pra cá..... até quarta feira. Lá lá lá lá lá lá
          Tal como um carnaval que é folia chega uma hora que a euforia acaba.Quiça numa quarta feira. Quiça numa quarta feira de cinzas. O próprio nome parece sujerir que alguns cartuchos são queimados virando cinzas. Lá lá lá lá lá lá!
          Fazendo um paralelo entre a euforia e o carnaval é duro  pensar que para quatro ou cinco dias de  euforia, ou  melhor, de eufolia  serão necessários 360 dias para nos auto regularmos...Ora, matemáticamente não é legal  tamanha discrepancia.
          Melhor seria se aprendessemos a ver a vida e suas adversidades com mais serenidade entendendo que  os desafios  fazem parte  e que dias virão nos quais não estaremos  tão alegres.
          Quem sabe então não nos tornaríamos  verdadeiros foliões do cotidiano?
          Lá lá lá lá lá lá.