quinta-feira, 12 de março de 2026

                                     


                                                 Clube do choro. Mercedes e Indiana


                  Andei sumida de tudo. Fui para bem longe de mim e estou voltando a pé; e isto inclui o Clube do Choro, que tanto gosto.

Pois bem; ontem a noite desfrutamos de mais um show , Mercedes Sossa  por Indiana Nomma.

Indiana é  uma cantora hondurenha-brasileira, filha de pais brasileiros exilados durante a ditadura militar, que mora em São Paulo, mas que as vezes nos presenteia com sua voz e presença de palco  únicas. Bonita, iluminada, dona de um vozerão e comprometidíssima com a América do Sul. Aquela pessoa que levanta um auditório. Aquele show que tem alma  e  presença de arrepiar que faz voce acordar no dia seguinte pensando nele.

Em determinado momento quase me senti não pertencente a este continente. Como se o Brasil  ficasse um pouco a parte das lutas por sobrevivencia e identidade.

Indiana viveu a revolução ocorrida entre 1979 e 1990 que põs fim a uma ditadura instaurada no país desde 1936.

Sempre vi Mercedes como alguém que  tinha tanto uma voz forte e linda com uma sabedoria e capacidade de se reinventar, continuando fosse qual fosse a luta, E isso me fez respeita-la e ser sua fã.

Volver aos 17, Maria Maria, Anos, Gacias a  la vida são musicas que foram feitas por uma mulher, Violeta de Parra para serem interpretadas por outras mulheres. Nada contra os interpretes masculinos;

mas a própria natureza delas facilita a condição de ir e voltar quantas vezes forem necessárias e   mais  fortalecidas. 

Enfim foi um show que deu voz a América do Sul, suas lutas e seu povo forte.

Num ano em que o feminicídio no Brasil e no mundo parece assolar o planeta assistir um show desses nos lembra que não viemos aqui a passeio.

Parabéns a Violeta, Mercedes, Indiana e ao clube do choro por manter essas memórias vivas.