O potencial de expansão da consciência que experimento enquanto pinto é ilimitado. Somos todos mestres e discípulos quando se trata de abrirmos a porta da plena realização que está dentro de cada um de nós. Tinta e pincel são para mim companheiros nesta jornada. Aprendiz das letras estendo este espaço para homenagear a cantadora de histórias que há em mim. São casos, reflexões, desabafos,inquietações e outras bobagens. Quase um almanaque. Posso ver os camelos se ajoelhando!
terça-feira, 7 de julho de 2020
Um novo diagnóstico e suas consequencias
Nos textos anteriores falamos sobre a morte do Wilson em finais de 2017 e tudo que veio depois em 2018.
Vamos agora a novidade de 2019. Fui diagnosticada anos atras com Fibromialgia.Em 2019 com dores apesar dos medicamentos procurei um reumato. Para minha surpresa, depois de uma bateria de exames o diagnóstico foi de Artrite Reumatoide.
Troca de medicamentos e inclusão do temido corticoide. No inicio vc fica ótimo, alegre e disposto . Depois de uns quinze dias a balança acusa ganho de peso que vai sendo processado dia a dia mais o inchaço. Da euforia à decepção com o ganho de peso vc se entristece e , comigo, não seria diferente. E meio ao tratamento procurei outro medico por não me sentir assistida com o primeiro. Me sentia perdida e sem ter a quem recorrer. O que aconteceu foi que tirado os antidepressivos de uma vez só meu organismo reagiu num misto de confusão, panico e muita angustia. Já no segundo medico o antidepressivo foi regulado e agora faço uso de Reuquinol.
Mas chega de falar da artrite; quero apenas colocar que não sei ate que ponto meus esquecimentos sérios são parte da idade, se já é a velhice batendo à porta , se é a diminuição do antidepressivo ou se é um acumulo de vazio que vem da descrença de voltar a ser o que se foi um dia.
Por isso este texto faz parte dos textos da Pandemia como disse em outra postagem. Muito tempo a-toa pensando na vida sem se reconhecer. Afinal de contas... KD eu? O que posso planejar, almejar ou sonhar? Voltar ao trabalho só em 2021. Viagens? A Pandemia maltrata muito nós todos. Jovens e idosos. A falta de perspectiva nos tira do prumo e ficamos vagando meio que sem graça e temerosos. Cada dia é um dia e entre eles noites e noites rezando e pedindo a Deus que cure nosso planeta. No zap recebemos inumeras mensagens de fé e otimismo; mas e o controle que achavamos que tinhamos? Ruim demais. Claro que tem gente pior , mas não dá para invalidar a dor e a confusão que o problema nos traz.
Hora de reinventar-se
Embora o inicio da viuvez seja doloroso é preciso tomar providencias de todo tipo, o que nos traz aprendizado e mudanças de habitos, de gosto, de situações etc.
Orientada pela familia a gente se moderniza na marra. Paga-se tudo por aplicativos, quase não se vai a Bancos, enxuga-se orçamentos e se pede muito a Deus que aquilo tudo acabe. Mas não acaba. Voce está apenas começando uma nova caminhada e, nesta caminhada, cada dia traz uma novidade e voce se reinventa literalmente.
No fim do dia voce sente alívio por ter providenciado tantas tarefas, mas então chega a hora de sentir. A noite, já deitada, voce repassa momentos e mais momentos e chora ainda querendo uma mãozinha estendida para voce não largar nunca mais. Naõ que voce esteja só. Tem muita gente contigo; mas falta aquele alguem. Reza , pede a Deus que durma direto chegando logo o proximo dia. Sentir é dificil!
Nestas horas da noite, já na cama, me lembro da professora de yoga dizendo que toda e qualquer fase de perda leva dois anos para parar de doer. Socorro! Quero minha mãe e meu anjo da guarda comigo! Right now!
Sabe, leitor, o que o Wilson diria nestes momentos? __" Rapadura é doce mas não é mole nao!"
ou então__" Vamos lá dar jeito na vida"
Sem perspectivas
Se ha uma coisa que tenho feito nesta quarentena é pensado na vida. Lembranças. Lembranças. Lembranças. Algumas gostosas outras nem tanto. Bate um misto de nostalgia com arrependimento de alguns feitos. E se tivesse feito diferente? E se não tivessse dito aquilo? e se...?
Em 2017 Wilson se foi de nós. Muito triste viver a viuvez. Mas não se tem lembranças agradaveis?
Claro. Mas recomeçar e se reinventar sózinha demanda coragem e clareza, boa vontade e vitalidade. Acontece que voce se sente meio indivíduo. Tá faltando algo. Tem um "gap" nesta historia e não é facil. Sentimos desamparo embora os amigos e familiares estejam por perto. Me lembro da primeira viagem que fiz para o Rio depois da morte dele. Mãos geladas e angustia no peito. Como o que eu sentia nos primeiros dias de aula na minha infancia. Difícil! Marina me levou ao aeroporto. Mas... como assim, filha? Me leva ate lá dentro do avião! tinha vontade de gritar. Decidi encarar o embarque step by step. Não me sai tão mal, mas embora mantivesse um olhar tranquilo por dentro tava pesado.
Era final de ano e eu passaria o Ano novo só na serra. Convoquei meu primo, esposa, sogra e neto e minha madrinha a virem ficar comigo. Passado o reveillon eles desceram e a madrinha ainda se manteve uma semana. Depois foi por minha conta. Companhias? A caseira e os cachorros. Transpus um portal importante. Mais ou menos.
Na proxima ida ao Rio fui e voltei com filha, genro e netas. Melhor teria sido de tivessemos ido de mãos dadas. Dali pra frente foi tranquilo. Se conto tudo isso é para que o leitor entenda o inicio da viuvez e o tal do gap que se sente. Já consigo ir ao Rio me sentindo mais leve e empoderada, mas a saudade.....
Agora em quarentena repasso aquele momento porque igual a aquele o momento atual tem seus calafrios e inseguranças.
Em tempos de Pandemia
Em meio a Pandemia que ja dura quatro meses e não se tem noticias de até quando vamos
decidi retornar ao blog numa tentativa de não só ocupar o tempo da quarentena com algo util mas, principalmente, voltar um pouco para mim. Minhas coisas, interesses, afliçoes e medos. Assim, a ideia é postar alguns textos onde eu esteja em busca de mim mesma. Muita coisa se perdeu de 2017 para cá. Morte do Wilson, meu marido; um novo diagnostico para as minhas dores e, finalmente, mas não menos importante, esta quarentena que assola o mundo e nos enche de incertezas e angustias.
Tem quem esteja bem neste movimento mundial. Não é o meu caso.Sou inquieta e tendo suspendido minhas
atividades o que parece e que só sobraram lembranças. Sem novidades me pego muito no passado ou no futuro. A volta ao blog é uma tentativa de estar no aqui e agora. Vamos lá. Penso que será uma coletania de textos, não necessariamente em ordem cronologica. Um pedido de socorro que me obrigo a fazer a mim mesma. Pode ser um caminho. Que a sabedoria e o coração me guiem. Amém.
domingo, 1 de março de 2020
A vida precisa de mais Ritas
Num mundo tão cheio de desvalor e descuidado preciso compartilhar um caso com voces.
Quando estudava e fazia a formação em Biodanza joguei mais uma vez o meu olhar nos excluidos. Assim, fiz meu estagio e monografia sobre os Especiais. Gente da melhor qualidade. Explico por que digo isso. O Especial está muito menos comprometido com o certo, com a beleza convencional. Ele não tem censura como nós. Mão tendo, então, tanto medo da critica; o que os torna muito mais espontaneos. Alem disso são cuidadosos e afetivos com o outro e com o grupo, o que ja traduz a Bio.
Comecei meu estagio numa escola da SEC. Uma escola inclusiva e muito bem preparada para tal. Depois de trabalhar 4 anos com os adolescentes do CEF 1 apareceu um convite para trabalhar com os Especiais adultos da Sociedade Pestalozzy. Vale dizer que a Pestalozzy é uma sociedade seria importantissima pelo trabalho que faz.
Novo desafio. Aceitei de cara na esperança de ter a oportunidade de conhecer o trabalho agora com adultos.
Depois de um tempo trabalhando com eles percebi que alguns se namoram. Temos mais ou menos 4 casais na Pestalozzy. Cada um morano na sua casa, mas namorando da 8 as 17hs, horario em que estão la.
Dia desses o tema da aula era a Vida. Começamos o verbal pensando em como é bom estar vivo e desfrutar da vida( ainda que com restrições) como é o caso dos Especiais. A aula de Bio tem uma curva e, por incrivel que pareça os Especiais são tão destemidos que vão ao centro da roda com facilidade e graça. Rita, uma aluna querida que esta sempre rindo, namora Marcelo, outro aluno querido. Justo naquele dia Rita começou o verbal dizendo que seu tio havia morrido. Dito isso chorou um pouco e fomos para a vivencia. No momento de trabalhar com o outro,( a dois) Rita se emocionou e , olhando profundamente nos olhos do Marcelo me fez o seguinte apelo: " Angela, se eu morrer voce cuida do Marcelo( interrogação)
Respondi prontamente que sim e a aula seguiu seu rumo. Ao final da aula Rita me procurou e disse: " Estou aliviada, Angela. Agradecida.
Não preciso colocar aqui como vim mexida e chorosa para casa. O cuidado dela me mostrou como estamos distantes desse tipo de amor que parece querer ir até depois da morte. Quem dera, meu Deus tivessemos mais Ritas e mais Marcelos para preencher nosso mundo de cuidado e afetividade, responsabilidade e amor!
terça-feira, 9 de outubro de 2018
Um ano de sua ausência.
Hoje já faz um ano que vc se foi. Acordo a noite e sinto sua presenca aqui em casa. Sera? Lembrancas criam asas. A saudade da um passo atrás. O coração se acalma. A imaginação cria cenários. São 4hs da manhã. Você diria... Neguinha vai dormir.Fiz uma tela nova. Você ia gostar. Rsrsrs.👫# Tamo junto!
Um ano de sua ausência.
Hoje já faz um ano que vc se foi. Acordo a noite e sinto sua presenca aqui em casa. Sera? Lembrancas criam asas. A saudade da um passo atrás. O coração se acalma. A imaginação cria cenários. São 4hs da manhã. Você diria... Neguinha vai dormir.Fiz uma tela nova. Você ia gostar. Rsrsrs.👫# Tamo junto!
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